DEMANDE À LA POUSSIÈRRE - “O disco foi feito durante tempos conturbados a nível pessoal” (Entrevista)

“Kintsugi” é o título do, sempre difícil, terceiro álbum dos franceses Demande À La Poussièrre. Além da estreia de um novo vocalista os franceses reinventam-se e dão o passo seguinte na sua trajetória ascendente. A HellHeaven esteve à conversa com Neil Leveugle (baixo) e Vincent Baglin (bateria). Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo “Kintsugi”, como se sentem em relação ao álbum e quais as expetativas?
Vince Baglin: Muito obrigado! Estamos muito satisfeitos e orgulhosos com este terceiro álbum! O tempo de espera entre a finalização do disco e o seu lançamento é sempre longo e frustrante! Não temos nenhuma espécie de expetativa mas estamos ansiosos por receber feedback dos nossos temas, até agora tem sido bastante positivo e estamos satisfeitos com isso!

HellHeaven: Existe o mito em relação ao terceiro álbum, sentiram alguma pressão com o “Kintsugi”, principalmente depois da receção aos seus antecessores? Qual foi o desafio?
Vince Baglin: Não acho que tenha existido maior pressão do que em relação aos discos anteriores, aliás até diria o contrário! (risos) Não achámos que tínhamos algo a provar e, por isso, estávamos confortáveis em experimentar novas coisas, até porque não colocamos barreiras no nosso estilo, o que ajudou na composição do álbum! O principal desafio foi ter um novo vocalista mas levámos o tempo necessário para nos conhecer melhor antes de começar o trabalho e até demos alguns concertos antes de começar as gravações. Foi uma boa forma de lhe dar a conhecer os Demande À La Poussièrre e o que podemos ser no futuro. Depois disso a composição do “Kintsugi” foi muito boa e calma.

HellHeaven: Estavam à espera da receçao que tiveram com os dois primeiros discos? Como foi lidar com isso?
Vince Baglin: Não esperávamos entrar no Top 10 da Billboard e na verdade isso não aconteceu! (risos) Mas estamos expectantes com a receção do novo álbum! Mas mais a sério, apreciamos o que as pessoas estão a dizer sobre o “Kintsugi” e sentimos que as pessoas prestam atenção em relação ao que dizemos nas letras e todo o sentido do álbum.
Neil Leveugle: Estamos muito agradecidos por ter pessoas a prestar atenção ao significado do álbum. Trabalhámos muito na consistência da temática e estamos surpresos, no bom sentido, como o disco chegou até às pessoas, mais do que estávamos à espera.

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HellHeaven: Falavam há pouco do novo vocalista, o Simon Perrin. Como o encontraram e o que ele traz à banda?
Vince Baglin: Já conhecemos o Simon há alguns anos de um projecto em que colaborámos e ele aplicou-se quando estávamos à procura de um vocalista! Pedimos-lhe para cantar um dos temas do disco anterior e ficámos impressionados com a sua voz e sentimos que ele ia encaixar bem na banda. A entrada do Simon permitiu que pudéssemos ir noutras direções na voz, e acho que isso fica bem patente no “Kintsugi”. Trabalhámos muito na emoção que a voz tinha que ter adicionalmente à clareza e dicção que ele tem… o Simon é capaz de tudo! (risos)
Neil Leveugle: O Simon tem uma enorme habilidade vocal e estamos muito satisfeitos e orgulhosos por o ter na banda.

HellHeaven: “Kintsugi” é a palavra japonesa que pode ser descrita como reconstrução, especialmente referindo-se a cerâmica. O que nos podes contar sobre o conceito e de que forma encaixa no que fizeram no álbum?
Neil Leveugle: O disco foi feito durante tempos conturbados a nível pessoal e a maioria destes textos fala sobre feridas individuais e essa palavra pareceu ser um título apropriado, a resiliência que nos faz reconstruir a nós mesmos através dos nossos pedaços e que faz de nós únicos e mais fortes.

HellHeaven: Este disco está mais obscuro e com uma sonoridade mais densa, isto foi algo planeado ou foi o caminho que a música vos levou a seguir? Diriam que estes temas são um reflexo do Mundo atual?
Neil Leveugle: O Edgard (Chevalier) não é apenas o nosso guitarra como, também, o nosso produtor! Desde a composição que ele é guiado pelo som que quer ter no fim e isso começas pela forma como tocamos juntos. Queríamos um som cheio e sombrio e estamos muito contentes com o toque analógico que o disco tem.

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HellHeaven: Falavas do Edgard Chevalier e do seu trabalho como produtor. Alguma vez consideraram outra pessoa para desempenhar esse papel ou ele é a pessoa certa para a banda?
Vince Baglin: O Edgard gravou o produziu o nosso primeiro álbum e, de imadiato, juntou-se à banda! De forma natural ele é a melhor pessoa para trabalhar porque sabe exatamente como devemos soar. O tempo que passamos no estúdio dele a encontrar e a experimentar é precioso. A sua abordagem analógica eleva o nosso som! Estamos muito contentes com o trabalho que fazemos no estúdio! Claro que é mais trabalho para ele mas não há outro sitio onde quiséssemos estar! (risos)

HellHeaven: Com isso dito, qual a melhor forma de descrever os Demande À La Poussièrre?
Vince Baglin: Questão difícil… (risos) Recentemente alguém disse que somos umas combinação da densidade de Doom com a densidade do Sludge e as atmosferas negras e pesadas do Post Metal com uma ponte substancial de Black Metal. Acho que descreve muito bem o que fazemos..

HellHeaven: Com o disco já nas lojas o que podemos esperar de vocês no futuro? Algo planeado para uma tour?
Vince Baglin: Acabámos de fazer a nossa tour de lançamento em França, foi fantástico e estamos ansiosos por voltar de novo ao palco! Sentimos muito a falta disso enquanto gravámos o álbum e foi um enorme prazer voltar a estar com a audiência! Ainda não fomos a Portugal, mas gostaríamos muito de aí ir! Há uns anos tocámos com os Gaerea e seria uma honra abrir para eles em Portugal!

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os metalheads portugueses…
Vince Baglin: Agradeço a todos os que ouvem a nossa música e espero um dia encontrar-vos a todos no vosso país, que é lindo! Obrigado pelo apoio!

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