John Evermore é a mente por trás de Diamond Hadder! Um projecto nascido, literalmente, das cinzas de um incêndio em Los Angeles e que levou o músico à “cura através da música”. A HellHeaven esteve à conversa com o músico e até descobriu ligações familiares com Portugal. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por te dar os parabéns pelo disco de estreia “Beyond the Breakers”, quais são os tens pensamentos sobre o disco e sobre esta edição fisíca?
John Evermore: Obrigado, Nuno! Este disco para mim foi uma espécie de experiência da vida real. Foi algo que ocupou o meu tempo durante uma transição difícil na minha vida! Considero o disco como um puzzle que ocupava os dias e noites para que não ficasse louco, dado que a depressão me fez parar durante alguns momentos, por isso, de certa forma este disco salvou-me! Não tinha qualquer expectativa com o disco a não ser terminá-lo, e continuo sem ter expectativas, foi necessário para mim e para as escolhas que fiz nos processos de escrita e gravação, que foram muito por instinto. Sabia que estava a fazer algo que não cabe no “mundo moderno” em que vivia e não estava preocupado em encaixar. Diamonds Hadder é parte da minha vida, é algo mais do que música que criei, é um manifesto, por assim dizer, das minhas paixões e desejos juntos fisicamente neste tempo de existência.
HellHeaven: Para quem não conhece, que são os Diamond Hadder e como nasceu este projecto?
John Evermore: É um longa história! (risos) Diamonds Hadder começou depois de um incêndio selvagem me ter tirado a casa, nas montanhas de Santa Mónica, na fronteira de LA, tive tempo suficiente para pensar no disco e de onde e como os Diamond Hadder vieram ter comigo! Hoje compreendo que, no meu estado de depressão e luto tinha tomado conta de mim antes e depois do fogo precisava de me trancar em algo com propósito e significado. Nessa altura comecei a ter sonhos estranhos, ainda antes do incêndio, e depois dele. Um desses sonhos, e que veio de forma bem viva, foi de um homem chamado Mr. Evermore! Acordei desse sonho, agarrei numa caneta, naquela casa antes de arder e guardei tudo num papel. Dias depois vim um lobo no céu que me avisou que o fogo estava a caminho e escrevi algumas palavras, dado que estava a conduxir, mais tarde deram origem a “The Ballad of the Dead Rabbit”, um tema acerca do fogo que consumiu a minha casa. De certa forma uma parte de mim está morta e este disco foi uma forma de a honrar. Não foi feito com qualquer tipo de expetativa, foi feito por sobrevivência e para ser documentado. Talvez quando eu parta exista algum registo da minha paixão pelo canto e da minha existência. Houve mais coisas a acontecer mas foi naquela manha que nasceu Diamond Hadder, a primeira vez que essas palavras se fundiram.

HellHeaven: O disco foi lançado em 2023 mas só agora é lançado em formato físico., através da No Remorse. Como é que decorreu o processo e qual o sentimento por teres essas memórias na mão?
John Evermore: Estava, no mínimo, entusiasmado! Como te disse não havia expetativas e Diamond Hadder era uma terapia para mim! Tenho um enorme sentido de gratidão e apreço por qualquer pessoa que ouça o disco e que ajude a espalhar a palavra! O disco foi lançado digitalmente por mim, de forma silenciosa, como quando escreves uma mensagem numa garrafa e a deitas ao mar para que seja livre. É depois encontrada por alguém que lê a carta e se oferece para ajudar a contar a história da carta. Prefiro um formato físico e tenho a intenção de lançar o disco em vinil, quando a No Remorse me contactou a oferecer ajuda para o disco foi uma, digamos, bênção e é algo que não vou esquecer.
HellHeaven: Falavas há pouco do teu sonho, mas quem é Johnathan Hadder? É ele o teu “Mr Hyde”?
John Evermore: O Johnathan Hadder é o personagem de um livro que estou a escrever! Acho que é justo dizer que levou o meu trabalho a sério! Demasiado a sério? O que é demasiado sério? O que é a possessão ou a obsessão? É o mesmo que um actor querer aquele personagem que venera, também tenho esse sentimento de compromisso e devoção nas coisas que trabalho e crio. Nem sempre é um processo divertido e pode parecer confuso para os outros… até para mim (risos)! O John é um amigo interessante a mal posso esperar para contar o resto da história!
HellHeaven: Este é um registo concetual que lida cm muita coisa negativa mas, ainda assim, consegue encontrar a luz. Qual a história que contas?
John Evermore: Acho que resumiste muito bem! Ainda que não o considere um disco concetual na sua plenitude mas, ao mesmo tempo, documenta eventos na minha vida com uma veia poética aqui e ali! Embora, numa primeira vista, possa parecer sombrio e negro este disco é feito de esperança, como se fossem explosões de luz! Considero ser uma reflexão perfeita sobre mim. A vida pode parecer sem sentido, às vezes. A tristeza pode ser um monstro, ou no meu caso, um lobo! O que te vai mandar abaixo na vida? O que te verga? Eu mantive a esperança de que ia conseguir reconstruir e criar algo a partir daí, algo que me permitisse desculpar-me por deixar andar! Esse é o conceito do “Beyond the Breakers”, inspirar alguém a seguir o seu curso na vida e o que estará para lá das coisas que o tentam destruir. É esse o sentido do disco!

HellHeaven: Se tentarmos descrever, em termos sonoros este disco é um encontro entre Meat Loaf, com Savatage e Dio, o que ainda assim é redutor para o que fazem. Como descreverias Diamond Hadder?
John Evermore: Bom, já mencionaste alguns nomes aí! E todos por diferentes razões! Consigo relacionar-me com tudo o que sei sobre essas bandas! Não seremos todos uma mistura de todos os artistas que nos inspirara a ser, também, artistas? Os Metal Loaf pareciam estar sempre a ver tudo através de um filme e os Savatage são uma das bandas favorias em qualquer aspeto e o Jon será sempre um dos maiores para mim e o Dio, como cantor, não existe ninguém melhor que ele para definir o espírito de um cantor Metal como ele… o homem da voz dourada, de certeza, o único rei da montanha! Acho que os Diamond Hadder são uma banda que te cruzaste em 1984, entre os discos da south shoree misturados entre os Riot e Manowar! Se tiveres isto em mente e gostares de bandas como Queenrÿche, Rainbow e Manowar, então vais gostar de nós! Somos uma banda clássica de Heavy metal made in USA.
HellHeaven: Nos últimos anos parece que parece existir uma maior prioridade em encontrar a Next Big Thing do que no propósito de fazer arte. Qual a tua opinião sobre a música actual? Alguma coisa captou a tua atenção?
John Evermore: Para ser honesto não presto muita atenção à música moderna e, certamente, que não ouço nenhum Metal moderno porque é muito estranho para mim! Existe algo mágico nos discos antigos que me fazem amar esses registos, talvez por isso o “Breakers” soe como soa! Deixei-me adormecer debaixo de uma árvore durante muito tempo e quando acordei só tinha uma visão de como um disco de Metal deve soar! É curiosa a forma como a vida tem estes caminhos, mas acho que somos o que somos! Ocasionalmente surgem algumas coisas interessantes como Ayron Jones com “Blood in the Water” ou Gary Clark Jr com o “Bright Lights!, porque sou uma pessoa do blues e gosto muito de vocalistas e guitarristas! Tirando o Metal clássico talvez me apanhes a ouvir Townes Van Zandt! E sim, tens razão, há quem diga que presto muita atenção ao que crio e que a minha atenção ao detalhe na procura do que parece “certo” pode ser difícil de entender para outros, contudo, os Diamond Hadder não querem ser mais do que os Diamond Hadder, mesmo que poucos apreciem! Neste ponto da vida retiro tudo o que preciso ao honrar a ideia e trazê-la para a vida sem me preocupar com a “next big thing”, esta banda não tem nada a ver com isso!
HellHeaven: O que poderemos esperar do futuro para os Diamonds Hadder? Existe alguma ideia que possas revelar?
John Evermore: É uma longa estrada! Para já estou muito entusiasmado com o facto do disco ser lançado pela No Remorse! Muito do meu tempo vai para a criação de vídeos, sendo que o primeiro será para “Long is the Road”, mas depois também tenho para a “Ballad of a Dead Rabbit” e “River’s End”! Sempre tive esperança de ter uma tour pela Europa mas logisticamente é preciso que faça sentido! Durante o último ano escrevi algum material que será, certamente, uma continuação do “Breakers” e que, para já tem o título de “The Red Recluse” e podes esperar mais um disco de Rock clássico!
HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…
John Evermore: Bom, parte do meu ADN é português! O meu pai era de São Miguel (Açores) e muitos dos meus amigos de infância e família são daí! Cresci em New England numa família muito portuguesa e com as grandes comidas daí, e que agradeço à minha avó! Os meus avós tinham uma casa de campo na floresta de Dartmouth, onde íamos todos os fins-de-semana, havia milheirais, porcos e galinha, era fantástico! Nunca estive em Portugal mas gostava muito de ter a oportunidade de levar aí os Diamonds Hadder, seria muito especial para mim por várias razões! Quero agradecer por ouvirem a minha música e a ti pela entrevista!