Pouco depois de terem tocado em Portugal, os Dreamslain estão prontos para lançar o seu novo álbum “Forge Of Rebellion”. Para descobrir mais sobre a sua passagem por território nacional e sobre a sua nova obra, estivemos à conversa com Igor Jakobsen (voz e guitarra) e Anna Loppacher (teclados) deste trio oriundo do ártico. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum “Forge Of Rebellion” que será lançado no próximo mês. Por agora, já revelaram alguns singles. Como eles estão a ser recebidos?
Dreamslain: Obrigado! Estamos muito felizes por sermos entrevistados pela HellHeaven novamente!
Em relação a números, acho que gostaríamos de ter uma resposta maior ao material divulgado, mas somos uma banda underground! E há muitas bandas com bem mais seguidores a lançar álbuns interessantes este ano, o que acaba por também nos ofuscar.
Mas na verdade, o que achamos mais importante é como as pessoas reagem quando tocamos as músicas ao vivo. Até agora, a resposta tem sido ótima, tanto para “Burn the Boats” revelado em 2022, como para “Secrets of the Forge” que estreamos em 2023. Estamos focados em demonstrar ao vivo aquilo que nós três fazemos autenticamente na sala de ensaio, e, portanto, ficamos muito felizes com este tipo de reacção!
HellHeaven: Este segundo lançamento é mais curto e tem menos faixas do que o anterior (que ultrapassou uma hora). No entanto, o novo material parece ser superior. Foi propositado ter uma abordagem “menos é mais”? Ou este foi simplesmente o resultado da vossa evolução musical?
Dreamslain: Obrigado, é bom saber que gostaste. Estás certo ao dizer que existe uma certa abordagem “menos é mais”. No álbum de estreia (como no EP), tentámos usar instrumentos diferentes para que houvesse faixas extras de banjo, de guitarra acústica e por aí fora, o que deu muitas dores de cabeça ao nosso engenheiro quando tratou da mistura. Desta vez, o nosso objetivo foi manter o som o mais próximo possível do que se ouve ao vivo, com grande parte da gravação de guitarra sendo apenas duas guitarras a tocar a mesma coisa em estéreo, às vezes com uma faixa de guitarra rítmica por baixo para engrossar a mistura.
Além disso, agora tínhamos menos material. Para o primeiro álbum, gravamos as músicas que escrevemos desde o início da banda. Desta vez começamos a escrever em 2021, então e este é o resultado apenas desses dois anos de composição.
HellHeaven: Novamente, colecionam várias histórias que variam desde tópicos mais fantásticos a temas cósmicos, integram um pouco de história e, de certa forma, tecem um comentário “político”. Quão importante é para vocês ter uma “mensagem”? Consideram-se uma banda “política”?
Dreamslain: Nunca pretendemos ser uma banda política. Por outro lado, não ser político é practicamente tão político porque o que não dizes é tão importante quanto o que dizes, tal como as pausas criam o groove do ritmo.
Tendo em conta estado do mundo actual, é difícil não criticar o que vemos, especialmente quando tocamos metal, um género que por si só começou como uma rebelião. Na verdade, a inclusão de uma mensagem política tem uma longa tradição no metal com canções como “War Pigs” de Black Sabbath, “Electric Eye” e “Leather Rebel” de Judas Priest, “Wild Frontier” de Gary Moore, “They Need A Million” de Scorpions, “Balls to the Wall” de Accept, “Timothy Leary” de Nevermore, “Born in a Mourning Hall” de Blind Guardian, e a lista continua. E estamos muito felizes em continuar a tradição!
Na verdade, não decidimos activamente um tema para o álbum, ou um foco em músicas heroicas e épicas. “Secrets of the Forge” foi a última a ser escrita, apesar de parecer definir todas as outras. “Ghost Story” era inicialmente uma história de fantasmas que evoluiu para uma história de perseguição de minorias traçando um paralelo entre a perseguições na era da 2ª Guerra Mundial e a perseguição moderna de refugiados não europeus.
Não nos opomos de modo algum ao escapismo, mas também é necessário voltar ao mundo real. A essência dos contos de fadas é uma reflexão do mundo real, tal que passo a citar “O objetivo dos dragões dos contos de fadas não é mostrar que eles existem, mas sim que podem ser derrotados”.

HellHeaven: Essa “Ghost Story” foi uma das músicas que mais me chamou a atenção. E por isso a próxima pergunta é: por que escolheram outras faixas para singles de avanço?
Dreamslain: É de facto uma música bastante interessante. Acho que seria um pouco estranho tê-la como primeiro single, mas há também outra razão: estamos a preparar-lhe um videoclipe. Tivemos a sorte de puder filmar num prédio abandonado perfeito para um vídeo sobre fantasmas. Incluímos óptimos atores, tanto profissionais como amadores, para fazer uma história de terror que combinasse com a música. Também tivemos que usar muita maquilhagem e actuar como fantasmas, foi tudo muito divertido. Porém, só será revelado no dia do lançamento do álbum, por isso terão de esperar até dia 14 de junho.
HellHeaven: E no dia seguinte farão um espectáculo de lançamento, naturalmente, em Tromsø. Algo que possam revelar acerca dele? E já têm mais planos agendados?
Dreamslain: Para já, temos apenas o show de lançamento em Tromsø, mas estamos a trabalhar para fazer mais espectáculos na Europa, possivelmente indo tocar a Londres no outono. Em Tromsø, vamos estar acompanhados pelos Cruel Mother de Londres, uma banda promissora de doom/folk metal que recomendamos caso gostem de música estranha (o que assumimos já que estão a ler esta entrevista).
HellHeaven: Recentemente tocaram em Portugal. O que nos podem contar sobre essa experiência? Gostariam de voltar?
Dreamslain: Sim, estamos realmente! A última vez que falamos deste-me óptimas sugestões de bandas portuguesas, e acompanhado a HellHeaven descobrimos as Black Widows que nos impressionaram bastante. Por isso, quando elas perguntaram online onde os fãs as queriam ver actuar, tivemos de as convidar a tocar à Noruega! Entramos em contacto e elas convidaram-nos para vir tocar a Portugal, o que foi muito impecável!
Foi a nossa primeira visita a Portugal e divertimo-nos imenso: o espaço “Hollywood Spot” em Almada foi muito fixe e o público foi fantástico! Também vendemos alguns produtos, o que mostra que o público gostou da nossa música o suficiente para querer levar algo para casa. Gostaríamos muito de voltar e ficaríamos muito felizes se os promotores entrassem em contacto para que isso acontecesse!
HellHeaven: A foto da banda no livreto do álbum foi tirada em Portugal, correcto? O que nos podem conta acerca disso?
Dreamslain: Sim, é verdade. Não foi realmente planeado, simplesmente pensamos que deveríamos tirar uma foto de banda quando estivéssemos todos juntos e num lugar novo lugar. E encontramos um lugar porreiro: o fundo é o portão de uma casa no Seixal, naquela que assumimos ser a zona mais antiga da vila.
HellHeaven: Como falávamos, dividiram o palco com Black Widows, e também Deathawaits e Rageful. Na Noruega estiveram com nomes como Circus Maximus, Vulture Industries e Madder Mortem. E no futuro, com que outras bandas gostariam de tocar?
Dreamslain: Há muitas bandas que adoraríamos trazer a Tromsø. Uma dessas bandas é Dark Quarterer, os pais do metal progressivo épico da Itália. Nós amamos a abordagem de composição deles e eles são também pessoas muito porreiras para se conviver.
Outra banda que nos impressionou muito foram os vossos Enchantya, principalmente a vocalista, que obviamente conhecemos das Black Widows. Outra banda portuguesa com quem gostaríamos de trocar concertos são os Dolmen Gate, uma banda que nos impressionou muito quando os vimos ao vivo no Keep it True este ano.
No Keep it True também ficamos bastante impressionados com os antigos heróis suecos Heavy Load, que começaram já nos anos 70 e que ainda fazem apresentações incríveis ao vivo, por isso adoraríamos também dividir o palco com eles.
HellHeaven: Por falar em levar bandas a Tromsø, vocês organizaram as edições anteriores do Tromsø Metal & Prog Fest, convidando diversas bandas internacionais. Actualmente, já estão a edição de 2024?
Dreamslain: Absolutamente! Já reservamos o local e marcamos a data, que será dia 29 de novembro. Podemos também revelar que tivemos a sorte de conseguir que as Black Widows viessem de Portugal para se apresentarem lá! Iremos anunciá-lo oficialmente apenas no outono, para já este é o nosso pequeno presente para os leitores da HellHeaven.
HellHeaven: Obrigado pelo vosso tempo. Em relação a entrevistas, há alguma pergunta a que gostariam de responder, mas que nunca vos fizeram? Se sim, qual (e qual a resposta)?
Dreamslain: A pergunta que geralmente tememos que nos façam (mas que devemos abordar) é: em que subgénero do metal se encaixam os Dreamslain? Sentimos que é muito difícil colocarmo-nos num subgénero apenas, já que nos inspiramos em tantos diferentes. Optamos pelo Epic Progressive Metal, porque isso para nós isso representa uma certa maneira de pensar na composição e nas letras, tendo o foco em intervalos de grande escala ao compor melodias para obter uma sensação épica, uma estrutura musical mais complexa para além do verso-ponte-refrão e, ao mesmo tempo mantê-la pesada, ao contrário do rock progressivo. Sentimos que todas as outras bandas deste pequeno subgénero têm vozes distintas e maneiras de escrever músicas além dessas ideias comuns, e por isso essas bandas soarão bem distintas, que é algo que vemos como uma coisa boa.
HellHeaven: Por último, que mensagem gostariam de deixar aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Dreamslain: Obrigado pela vossa hospitalidade em março! Esperamos volta a tocar para vocês em breve e esperamos que gostem do nosso novo álbum Forge of Rebellion! Ficamos realmente impressionados com a cena metal portuguesa e estamos ansiosos para descobrir mais!

Quisemos ainda saber um pouco mais acerca de cada um dos capítulos deste “Secrets of the Forge”. Aqui fica o álbum em Discurso Direto.
“Secrets of the Forge” – power metal com um toque medieval e heavy blues que vos convoca para a batalha contra os opressores!
“Burn the Boats” & “Braving the Storm” – São canções gémeas, e em conjunto recontam as lutas das pessoas que vivem ao redor do mar Mediterrâneo. A primeira aborda a destruição de pequenos navios de pesca para dar lugar a empresas multinacionais de pesca de arrasto, enquanto a segunda se foca sobre a iniciativa racista da guarda Frontex da Europa, que usa o vosso dinheiro para forçar os imigrantes das fronteiras da UE e se afogarem no mar.
“Ghost Story“ – A nossa música mais gótica, onde fantasmas surgem para lutar contra os guardas da Frontex mencionados anteriormente, ecoando a história dos Shadow Warriors do nosso álbum anterior.
“The Dragon Of Ice” – A única música que começamos a criar antes de 2022! Escrita pela primeira vez há 18 anos, foi reescrita para conter mais traços de folk metal e prog, e é a primeira com uma troca solos entre o baterista e a tecladista!
“Humankind’s Fall“ – Uma previsão distópica do nosso futuro se não cessarmos o nosso belicismo, misturando rock espacial, progressivo e heavy metal oldschool. Provavelmente a faixa mais épica do álbum.