(Entrevista) ABUSER - “Explorar o lado negro da natureza humana sempre foi fascinante"

«Blood Marks» é o álbum de estreia do thrashers polacos Abuser. A Hellheaven quis saber mais acerca da banda e deste seu primeiro trabalho, tendo estado por isso à conversa com Paweł Dominiak (guitarra e voz). Entrevista: João Gama 

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo vosso novo álbum «Blood Marks». Como se sentem em relação a ele? E têm algum feedback até agora?

Paweł: Olá! Muito obrigado. Sinto que fizemos o nosso melhor para nos apresentarmos não só à cena metal polaca, mas a todo o mundo. Todo o trabalho árduo que realizámos no ano passado resultou nos 36 minutos de «Blood Marks». Todo o sangue, suor e lágrimas que passaram a compor a músicas valeram a pena. O feedback tem sido bom até agora e esperamos chegar ao maior número de pessoas possível com o disco.

HellHeaven: São uma banda relativamente recente, por isso, para quem ainda não os conhece, quem são e qual a vossa missão enquanto banda?

Paweł: Somos quatro tipos que adoram música rápida e agressiva e queremos homenagear as bandas que amamos com a nossa abordagem ao thrash metal. Como disseste, somos uma banda bastante recente, mas todos nós temos experiência (passada ou presente) noutras bandas que tocam diferentes géneros de metal. A nossa missão é levar o thrash metal rápido ao maior número possível de pessoas que pensam como nós e desfrutar da experiência.

HellHeaven: Começaram em 2018, com a demo de 2019 a ser bem recebida. Depois, houve o período de pandemia, e também tiveram de encontrar um novo baterista. Fala-nos sobre esses tempos atribulados.

Paweł: Os Abuser começaram como o meu projeto paralelo enquanto tocava numa banda diferente como baixista e vocalista. O baixo não é o meu instrumento principal e por muito que gostasse de tocar baixo, ainda assim tocava mais guitarra elétrica. Foi natural para mim começar a criar música a partir de ideias de riffs que surgiram enquanto praticava, e quando deixei a minha banda anterior, foquei-me totalmente em Abuser. Conheci o Michal (o nosso baixista) e o nosso ex-baterista Patryk nessa altura, que foram as pessoas perfeitas para iniciar esse novo capítulo. Infelizmente, depois de um concerto e a gravação da demo, o Patryk saiu e foi difícil para mim e para o Michal encontrar um bom substituto. Felizmente, com o fim da pandemia, encontrámos o nosso actual baterista Jakub, e isso deu-nos um novo poder e motivação para tentar fazer algo mais com os Abuser. Agora estamos aqui com o nosso álbum de estreia na Xtreem Music, e estamos muito felizes com o desenrolar das coisas.

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HellHeaven: Agora estão de volta e já lançaram o single “Monument of Atrocity”, além do lyric vídeo da faixa-título. Como estão a ser recebidos?

Paweł“Monument of Atrocity” foi a primeira faixa que escrevemos a pensar no álbum de estreia. Tocámo-la nos nossos primeiros concertos após o intervalo e foi bem recebida como sendo, digamos, “a direção certa para da banda”. Por outro lado, nunca tocámos “Blood Marks” ao vivo, mas o público parece estar a gostar do single digital. É definitivamente uma das melhores faixas no que toca à composição do disco.

HellHeaven: Não pude deixar de reparar que o álbum contém não só a faixa título, como também resgata algumas músicas da demo, incluindo a música “Abuser”. Esta tem algum significado especial? Ou caracteriza de alguma maneira a banda como um todo?

Paweł: Sim, as canções “Abuser” e “Painbringer” foram regravadas do LP de estreia. Sentimos que se encaixavam perfeitamente na ideia de violência, assassinato, etc. São também as duas primeiras músicas escritas por mim para os Abuserem geral, e são sempre bem recebidas ao vivo. “Painbringer” pela sua velocidade bruta e intensidade, e “Abuser” é a nossa música tema (tocada no final de cada concerto) ao estilo de Exodus “Exodus”. Representa o conceito da banda desde o início. Um tipo enterrado vivo regressa do túmulo, para espalhar o caos, a carnificina e a destruição [risos]!

HellHeaven: “Blood Marks” é um trabalho muito direto, com agressividade pura, cheio de adrenalina e sem baladas. Qual foi a intenção por detrás desta intensidade? Está de alguma forma a tentar acordar-nos para o/a mundo/civilização instável que nos rodeia?

PawełComo referi antes, queremos homenagear as bandas que amamos e tocar o tipo de thrash que amamos. Thrash inspirado em Morbid Saint, Demolition Hammer, Sadus e outros, sendo cru, brutal e directo. Estas são as bandas que mais gostamos. A adrenalina no disco duplica a sua força quando tocado ao vivo, tornando-se viciante. Todos os temas do nosso registo – a violência, o homicídio, os pensamentos suicidas e os crimes de guerra, são, infelizmente, muito relevantes no mundo de hoje. Provocam pensar sobre eles, procurar a causa “porque é que isto está a acontecer?”, “porque é que as pessoas fazem este tipo de coisas?”. Explorar o lado negro da natureza humana sempre foi fascinante para mim, enquanto apreciador do true crime e fã de história de longa data. Penso que estes temas se enquadram perfeitamente na intensidade e energia proporcionada pela música.

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HellHeaven: Este ano vários gigantes do thrash (Kreator, Megadeth, Exodus) estão a lançar material novo. Sente que atualmente existe uma “necessidade” maior de thrash?

PawełEstou feliz que as bandas que adoro e com que cresci ainda lançem música nova. Infelizmente, muitas delas perderam o contacto com as suas raízes (especialmente os Kreator) e por vezes dói ouvi-las. Em relação aos Exodus – estou muito feliz por Rob Dukes ter voltado à voz. Todos os álbuns com ele são brutais! Não sei se há uma maior necessidade de thrash, mas sinto definitivamente que as pessoas estão à procura de outros estilos que possam ter sido um bocado esquecidos. Além disso, é muito difícil ser original em qualquer estilo de metal e todos podem dar o seu melhor para se destacarem. Fazemos o nosso trabalho e continuaremos a prometer velocidade.

HellHeaven: De volta ao vosso trabalho, com o álbum quase lançado, quais são os vossos próximos planos?

Paweł: Promover o álbum é o objetivo principal. E com isso vêm concertos ao vivo e entrevistas porreiras como esta! Temos planos para um single e um videoclipe, mas não vou estragar a surpresa. Estamos abertos a qualquer convite para concertos e adoraríamos tocar em Portugal - contactem-nos! É claro que 99% dos concertos serão na Polónia, mas tentar chegar ao público europeu é definitivamente um sonho, e um sonho que trabalharemos para alcançar.

HellHeaven: Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?

PawełEm nome dos Abuser gostaria de dizer olá e obrigado à equipa e leitores da Hellheaven, Thrash e outros fãs de metal em Portugal por estarem presentes para aquilo que nos une – uma paixão pelo Metal! Mantenham-se fiéis a vós mesmos, não sejam idiotas e desfrutem do nosso álbum de estreia «Blood Marks»! THRASH ATÉ À MORTE!!!

Continuámos a conversa com Paweł Dominiak, guitarrista e vocalista dos Abuser acerca do álbum de estreia "Blood Marks". O músico descreve os temas em Discurso Direto.

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“Cry of the Innocent” música de abertura com intro de bateria – absolutamente a forma clássica de começar um álbum. Inspirada em muitas histórias de assassinatos, pessoas inocentes a morrer, etc. Bate forte quando chega a parte rápida e mostra ao ouvinte o que pode esperar do disco.

Suspended in Torture”sobre experiências médicas em pessoas. Fortemente inspirada na Segunda Guerra Mundial (Unidade 731 e campos de concentração). Se lerem a letra com atenção, poderão encontrar uma descrição de Autopsy – Severed Survival.

Blood Marks”faixa-título. Uma música sem qualquer solo de guitarra porque não sabíamos onde estavam [risos]! Liricamente, é o ponto de vista de um assassino com várias vítimas dentro da sua casa a fazer umas merdas malucas com elas.

Painbringer” – originalmente da demo e a segunda música da história dos Abusers. Outra sobre matar pessoas e comer algumas partes delas (original, não é?). A segunda mais rápida do álbum.

“Fin de Siecle”esta é a mais lenta do disco. Fortemente inspirada em Coroner. Fala sobre o medo do dia seguinte, a depressão e, por fim, tirar a própria vida. Recomendo pesquisar “fin de siecle” no Google para perceberem completamente de onde vem. Queria fazer uma pausa na intensidade para que a próxima entrasse mesmo com força.

“Monument of Atrocity”a mais rápida, e o nosso primeiro single. Leva-vos de volta à guerra dos Balcãs e a todo o genocídio que ali aconteceu ao longo da história dessa bela região.

“Struggling for Reality”outra sobre vozes na cabeça. Utilizo-a pessoalmente para incentivar as pessoas a procurar ajuda em saúde mental. Desistir é para os perdedores – lutem por vós!

“Lethal Obsession”uma homenagem a todas as bandas de death metal que adoramos. Fãs de Morbid Angel e de Vader vão adorar!

Abusero nosso hino. A primeira de todas. Cria sempre o caos ao vivo e tem um lugar especial no meu coração. Nunca me vou cansar de a tocar.

“Witnessing Madness”Mais um sobre matar pessoas nas ruas. A violência é mesmo forte aqui. Também tem o meu solo favorito do álbum!

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