O trio germânico Arroganz está de regresso com «Death Doom Punks», um disco directo e que remete às suas raízes oldschool. A Hellheaven esteve à conversa com -K- (voz, baixo) para saber mais acerca deste novo trabalho. Entrevista: João Gama

HELLHEAVEN: Olá, e parabéns pelo vosso novo álbum «Death Doom Punks». O álbum ainda não foi lançado, mas já lançaram alguns singles “Die For Nothing” e “Under Scarred Skin”. Como estão as reações a isso até agora?
-K-: Obrigado! Até agora, as reações têm sido extremamente positivas. As pessoas parecem gostar muito das músicas e do som do novo álbum. Muitos falam de um “som característico”, um som autêntico. E isso deixa-nos muito felizes. Porque na música nada é mais importante do que a autenticidade.
HELLHEAVEN: Uma coisa que notei imediatamente ao ouvir “Under Scarred Skin” foi a presença nítida do baixo. E isso é algo que acontece também ao longo de todo o disco. No entanto, na maioria dos álbuns de metal modernos, o baixo fica muitas vezes enterrado na mistura. Qual é a vossa abordagem/ponto de vista sobre isso?
-K-: O baixo sempre foi tão importante para nós como qualquer outro instrumento. Desempenha um papel crucial numa banda, especialmente num trio. Para nós, o baixo é um instrumento igual. E acredito que também contribui significativamente para o carácter do som da banda. Muitas vezes acho que é uma pena quando as bandas descuram o baixo - é desperdiçar potencial.
HELLHEAVEN: Recentemente, tiveram algumas alterações na formação. Como é que o novo guitarrista se encaixou na banda e contribuiu para moldar a sonoridade do novo álbum?
-K-: O nosso novo guitarrista é o -B-, mas só se juntou a nós após as gravações do álbum. Estamos muito felizes que faça agora parte da banda. Somos bons amigos há muitos anos e sabíamos que se ele concordasse seria incrível. E foi exatamente o que aconteceu. Ele é uma grande força na guitarra, partilha o nosso próprio sentido de humor e, o mais importante, compreende a essência de Arroganz. Está extremamente entusiasmado com as novas músicas e também adora o nosso material antigo. Portanto, isto com ele é uma espécie de início de um novo capítulo para todos nós.
HELLHEAVEN: O título do disco fez-me lembrar “Black Metal” dos Venom, por ser meramente uma menção a um género. Qual foi a vossa intenção por detrás dele? Serve como uma declaração de “nós tocamos os estilos que quisermos”?
-K-: Sim, de certo modo. Há muita coisa por trás do título, e a vários níveis. Por um lado – e este é provavelmente o nível mais óbvio – o título reflete as nossas raízes musicais: O death metal oldschool foi, é e sempre será a base musical dos Arroganz. Porém, isso não significa que levemos a vida com palas musicais nos olhos, pois podemos ser “oldschool”, mas abertos e criativos ao mesmo tempo. Como tal, outros géneros – por exemplo, o doom metal clássico, mas também o sludge, o grindcore e o punk – são importantes para nós. Somos sobretudo fãs de boa música. Não estamos preocupados com as categorias em que nos colocam. Também ouço muito jazz, por exemplo. E isso, na verdade, fecha o círculo: pois ouvi a compilação "Punk Jazz" de Jaco Pastorius repetidamente durante anos, e é provável que isso também tenha influenciado um pouco o título. O metal, o punk e o jazz têm mais em comum do que se imagina. Noutro nível temos a nossa abordagem à música e à arte, e talvez também à nossa atitude em relação a tudo isso. Não deixamos que algum tipo de “polícia de género” dite o que somos ou não (tal como Pastorius). Somos Arroganz, ponto. E isso leva-nos às camadas temáticas do álbum: a finitude desempenha um papel recorrente nas canções, independentemente de terem uma base lírica pessoal, espiritual ou filosófica. E, claro, há também um grande “dedo do meio” dirigido a uma parte nada insignificante do mundo. O título e as letras têm muito mais camadas — algumas são intemporais, outras refletem os últimos anos das nossas vidas, e assim por diante. Para nós, «Death Doom Punks» é o título perfeito para este álbum, que também é musicalmente multifacetado.

HELLHEAVEN: O álbum parece bastante in your face. Dirias que este é um dos seus trabalhos mais diretos (talvez até acessíveis)?
-K-: Sim, tanto as músicas como o som tornaram-se mais diretos, mais pesados e mais agressivos. O nosso produtor de vídeo, Nick Scholey, quando ouviu as músicas pela primeira vez disse: “Isto soa tão forte, contundente e direto - é como Rage Against The Machine, mas death metal”. Mesmo que nunca tenha feito esta comparação – acho que assenta muito bem! Isto está relacionado com o processo criativo: «Death Doom Punks» é o primeiro álbum que elaboramos e gravámos como duo. Foi um processo incrivelmente intenso e produtivo. Embora tenha escrito as nossas músicas e riffs no passado, com algumas exceções, sempre deixei a gravação da guitarra para os outros. Desta vez, assumi completamente as guitarras. A nossa intenção é sempre escrever música que expresse o que queremos expressar e, claro, música de que gostamos – e tudo isto acontece completamente sem fronteiras de género. E como disse, embora a base musical da banda continue sempre a ser o death metal, as nossas influências são muito diversas. Somos grandes fãs de música. E para nós só há música boa ou música má. É simples. E permitimos que as nossas influências fluam. Nunca escreveremos “o mesmo” álbum duas vezes. Muitas bandas fazem isso: depois de encontrarem a sua “fórmula” e talvez até terem sucesso com ela. Mas isso não é para nós. Portanto, às vezes a nossa música é mais direta, às vezes não é tão “easy listen”.
HELLHEAVEN: Com o disco quase a sair, quais são os vossos planos para o futuro?
-K-: Antes do álbum ser lançado, lançaremos mais um single – a faixa-título do álbum. Depois faremos uma digressão de lançamento com os nossos bons amigos dos Dehumen Reign. Já fizemos um primeiro concerto de pré-lançamento com muitas estreias ao vivo na semana passada na nossa antiga cidade natal, Cottbus. O “grand finale” do lançamento do álbum será celebrado este Verão no Wacken Open Air. Actualmente, não temos espectáculos planeados para Portugal. Mas ficaríamos muito felizes se organizassem algumas datas, iríamos tocar aí a qualquer momento!
HELLHEAVEN: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas nunca ninguém te fez (e qual é a resposta)?
-K-: O que faz uma música boa? Autenticidade. Independentemente do género.
HELLHEAVEN: Por fim, que mensagem deixas aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
-K-: Obrigado pelo apoio! Esperamos poder ir a Portugal em breve. E nunca deixem de apoiar a música underground!
