HellHeaven: Começo por dar os parabéns pelo mais recente “All the Shadows”! Quais são os pensamentos e expectativas em torno do disco?
Rob Garven: Anunciámos que nos íamos retirar depois de perdermos os nossos guitarristas de longa data e por não vermos nenhum caminho credível para a banda! O Arman John Anthony, que trabalhou com a banda desde que nos reunimos e que gravou todos os nossos discos mais recentes, incluindo "Witch's Game", “Forever Black”, “Half Past Human”, “Dark Parade” e o “Live at the Roxy”, no seu estúdio e, na festa de lançamento do “Live at the Roxy”, ele chegou-se à frente e foi um sucesso! Ele também concordou em tocar alguns concertos, limitados, na Europa, América do Sul, Austrália e China, e a nossa digressão final foi anunciada! Assim que aceitei fazer isto, fiquei com segundos pensamentos! Adoro tocar, escrever e criar Heavy Metal! Estávamos a divertir-nos e os concertos estavam a correr bem e comecei a insistir com a banda para esperar, para escrevermos material novo e dar alguns concertos que, na realidade, tem sido o que banda fez desde que se reuniu! Por isso este álbum é muito especial para mim, até porque podia nem ter acontecido! Depois de todos concordarem em fazer este disco fizemos oito temas que, na minha opinião, são alguns dos nossos melhores até à data!
Hellheaven: A banda formou-se no final dos anos 70 e atingiu um estatuto de culto! Estás ciente da vossa influência mesmo que não tenham atingido o sucesso comercial? Como é que isso te faz sentir?
Rob Garven: Sei que muita gente foi influenciada pelos Cirith Ungol e isso é notável! Alguém nos chamou os “Avós do Doom Metal”, mas não sei se isso será verdade, mas estou muito orgulhoso do que a banda atingiu ao longo dos anos, incluindo este novo disco!

HellHeaven: Muita coisa mudou na industria, no Metal e na forma como a música é consumida. Como olhas para esta evolução e de que forma pode ajudar uma banda oldschool como os Cirith Ungol?
Rob Garven: Antes da Internet apenas existia um pequeno grupo de grandes editoras que controlavam tudo. Actualmente é um pouco mais fácil de passar a tua mensagem e a música, mas também há mais pessoas e há muita competição para chamar a atenção do público! Também os produtos da industria se foram alterando, durante a nossa carreira pararam de fazer álbuns, começaram a fazer CDs, depois voltaram a fazer álbuns e estão a pensar em livrar-se dos CDs! Muitas pessoas fazem stream da sua música, que é positivo, mas eu continuo a gostar de me sentar em frente a uma aparelhagem ou no meu carro e ouvir música!
HellHeaven: Falando de “All the Shadows”, este é um disco escuro, pesado e, sobretudo, apocalíptico! Que sombras são estas e qual a mensagem que querem passar?
Rob Garven: O Tim (Baker, vocalista) resume a sua visão nas letras como o passo mais recente na jornada distorcida que define a banda. Contos de corações negros e sonhos quebrados. Ecos de loucura, corrupção, pecado, visões dementes e horror inexplicável. O futuro distópico da Humanidade revelado. A continuação da saga interminável rumo ao desfile sombrio. “All the Shadow” é o culminar dos nossos esforços que começaram com a nossa ressurreição há mais de uma década! Todos os temas deste disco são sombras das profecias marcadas pela desgraça e que se tornaram marca registada desta banda!
HellHeaven: Sem querer entrar em política, o mundo actual está cada vez próximo do Apocalipse. Achas que isso torna mais fácil de escrever sobre o tema? Estamos a assistir ao fim da Humanidade na primeira fila?
Rob Garven: Gosto de ver que muita gente pensa sobre isso, e acho que estás certo! Já não se trata, apenas, das guerras intermináveis, destruição do planeta ou a crueldade entre as pessoas! Agora temos de nos preocupar sobre o que vai acontecer quando a Skynet se tornar consciente!

HellHeaven: Algo muito porreiro no “All the Shadows” é o facto de ter um som oldschool: pesado e sujo! Em algum momento pensaram em colocar alguns elementos da produção moderna ou este é o som que melhor serve aos Cirith Ungol?
Rob Garven: Desde que que nos voltámos a reunir que todo o nosso material é gravado nos The Captain’s Quarter, o estúdio do nosso guitarrista e estamos a usar muito do que são os elementos da produção moderna mas dispensamos muitas técnicas que retiram o factor humano da nossa música, sejam os triggers e, claro que não usamos IA no álbum! Sempre fomos uma banda Oldschool dos anos 80 e a nossa música não irá soar diferente!
HellHeaven: Com isso em mente, qual a tua opinião sobre os novos truques de produção e com o facto de muitas bandas estarem a regressar a um som mais oldshool?
Rob Garven: Não me oponho a nenhuma tecnologia ou técnica que ajude a criatividade de uma banda, contudo, há muito a dizer sobre fazer as coisas como se faziam antes! Eu gostava muito de ter gravado este disco em fita, o Armand tem a mesma máquina de 24 pistas onde gravámos o “King of the Dead”, “One Foot in Hell” e o “Paradise Lost”, mas os custos da fita e o tempo que iria envolver eram proibitivos! Falámos em tentar fazer algo no futuro com esse equipamento porque o som que se consegue é fantástico!
HellHeaven: Com o novo disco já nas lojas quais são os planos para ir para estrada, não só nos EUA mas também na Europa? Será que é desta que os Cirith Ungol aterram em Portugal?
Rob Garven: Isso seria um sonho para nós! Tivemos a sorte to tocar num festival em Cartagena, Espanha, e foi o mais próximo que estivemos de Portugal! O meu vinho favorito é do vosso país, e é o Vinho do Porto! Já temos alguns concertos confirmados na Europa,, vamos encabeçar o Up the Irons e o Brofest no Reino Unido e mais alguns que serão confirmados em breve! Se tiverem interesse em ver a banda sigam as nossas páginas nas redes sociais!
HellHeaven: Depois de tantos anos e com tudo o que já conquistaram, o que vos falta e qual será o próximo desafio para os Cirith Ungol?
Rob Garven: O meu sonho é poder continuar a escrever, gravar e actuar com a nossa marca de Heavy Metal! Acredito na evolução contínua e sinto que todos os nossos discos são um passo seguinte do que fizemos antes! Na nossa idade ninguém sabe qual será o último mas isso não significa que tenhas que abdicar de atingir a perfeição metálica!
HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para os vossos fans em Portugal…
Rob Garven: Obrigado pelo vosso interesse na banda e pelo estilo que praticamos! Ouçam o novo disco, “All the Shadows” e adquiram uma cópia se conseguirem! Tentem ir aos nossos, ocasonais, concertos e esperamos um dia tocar em Portugal e se formos, queremos encontrar-vos a todos! Muito obrigado!
