Os Green Carnation lançam em Setembro «A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia», que será apenas a primeira parte de uma trilogia. Este conjunto de discos será provavelmente o seu trabalho mais ambicioso desde «Light of Day, Day of Darkness». Por isso, a HellHeaven esteve à conversa com o vocalista Kjetil Nordhus para saber mais sobre a nova obra, aproveitando também para falar sobre a história da banda e o seu retorno após um longo hiato. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo vosso novo álbum, «A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia». Como se sentem em relação a ele? Já têm algum feedback?
Kjetil Nordhus: Olá, e obrigado! É incrível finalmente poder partilhar tudo isto com alguém para além de nós próprios. Estamos extremamente orgulhosos do que conseguimos alcançar num período de sete anos a compor e gravar três álbuns. Deixa-nos ainda mais orgulhosos que o feedback até agora tenha sido nada menos que incrível. São dias muito bons para os Green Carnation!
HellHeaven: Este é o vosso segundo álbum de estúdio após uma longa pausa. Como é estar de volta? E como é que os fãs vos têm recebido desde então?
Kjetil Nordhus: Acho que é justo dizer que a forma como os fãs nos receberam em 2016 foi a motivação principal para assinarmos o contrato de cinco álbuns com a Season of Mist em 2018. Os Green Carnation parecem ser uma banda que significa muito para muita gente, e acho que estar 10 anos longe fez-nos esquecer um pouco disso. Ficámos bastante impressionados quando reencontramos os fãs em 2016 e ouvimos o quanto queriam que continuássemos. E assim fizemos!

HellHeaven: A banda começou por volta de 1990. Que momentos recordam desta longa carreira? Conseguiriam escolher o vosso álbum favorito (apesar de neste momento provavelmente considerarem o mais recente como o vosso melhor)?
Kjetil Nordhus: O período de 1990 a 2000 não é um período muito ligado à banda de hoje em dia, mas desde o primeiro álbum em 2000 até à nossa separação em 2006, lançamos muitas músicas, e os nossos fãs ainda classificam os diferentes álbuns dessa época como os seus favoritos. É claro que «Light of Day, Day of Darkness» tem um lugar muito especial para muitos dos nossos fãs, e para nós também. Mas penso que, para uma banda que procura constantemente desafiar-se a si própria e aos seus fãs, todos os álbuns são partes importantes da nossa herança.

HellHeaven: Foi sugerido que o novo álbum irá agradar aos fãs de «Light of Day, Day of Darkness». De que forma comparas os dois?
Kjetil Nordhus: Desde «Light of Day, Day of Darkness», nunca tentámos criar uma narrativa musical tão épica como a que aí fizemos. Existem muitas diferenças entre os dois projetos, mas é possível comparar o anterior a «A Dark Poem» em termos do nível de ambição no que diz respeito à narrativa musical.
HellHeaven: «A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia» faz, na verdade, parte de uma trilogia. Podemos esperar que as canções dos três álbuns estejam tão ligadas como a única canção de «Light of Day, Day of Darkness»?
Kjetil Nordhus: Sim e não. Obviamente não queríamos voltar a fazer uma única música. Esperamos que cada um dos três álbuns seja possível de ouvir como três partes musicais diferentes, mas ao ouvir os três em sequência, esperamos que o ouvinte tenha uma compreensão mais ampla. Nesse sentido, a música assemelha-se bastante a «Light of Day, Day of Darkness».
HellHeaven: «Light of Day, Day of Darkness» foi inteiramente composto por Tchort. Como foi agora o processo de composição no último álbum/trilogia? E como surgiu a colaboração com Grutle Kjellson, dos Enslaved?
Kjetil Nordhus: A trilogia «A Dark Poem» foi composta pelo Stein Roger Sordal e por mim. O Tchort esteve numa pausa da banda durante o período mais importante para a composição da trilogia, mas, felizmente, está de volta para apresentar tudo ao vivo. O Grutle há anos que é um bom amigo meu e também há muito tempo amigo dos Green Carnation. Quando escrevemos "The Slave As You Are", senti que a música precisava de um estilo vocal diferente do que costumo usar. Fiz algumas tentativas na pré-produção da música, e a banda sentiu-se confortável com isso, mas, como não fiz concessões na composição do resto do projeto, senti que era a decisão certa convidar um vocalista de classe mundial para fazer os seus vocais característicos. Falei com o Grutle e ele ficou muito feliz por o fazer. Acho que ficou tão bom como esperava.
HellHeaven: Têm alguns concertos planeados (ainda este ano nos EUA). Mas quão focados estarão em digressões, relativamente a gravações? E como se encontra o progresso das partes 2 e 3?
Kjetil Nordhus: Já terminámos de compor e gravar as partes 2 e 3, por isso não há problema. Como somos uma banda que não faz muitas digressões há muitos anos, não temos muitos concertos agendados. Mas espero que as pessoas gostem do que ouvirem quando lançarmos música nova, e estamos muito, muito ansiosos por apresentar o nosso novo material. Actualmente, estamos a trabalhar muito nos ensaios do primeiro álbum para podermos tocar ao vivo nos EUA em setembro, e esperamos que haja muitos outros concertos por vir!
HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas nunca ninguém te fez (e qual a resposta)?
Kjetil Nordhus: Por alguma razão, nunca ninguém me questionou acerca do peso da Noruega. Descobri recentemente, que a Noruega pesa aproximadamente 36 mil biliões de toneladas.
HellHeaven: Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Kjetil Nordhus: Obrigado a todos pela leitura. Já lá vão alguns anos desde a nossa última viagem a Portugal. Gostámos muito e esperamos poder voltar e encontrar-vos em breve!