Ainda com menos de uma década de existência, os Heads for the Dead lançaram no mês passado o seu já quarto álbum de estúdio «Never Ending Night Of Terror». Este foi o ponto de partida para a HellHeaven abordar a banda internacional de death metal e estar à conversa com Jonny Pettersson (guitarra, baixo, teclados). Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum «Never Ending Night Of Terror». Como se sentem em relação a ele? E como tem sido o feedback até ao momento?
Jonny: Por mais cliché que seja dizer isto, sinto mesmo que este é o melhor álbum que já fizemos. O feedback tem sido extremamente positivo. Sentíamos que tínhamos algo especial em mãos, mas não poderia ter imaginado o impacto que teria até agora.
HellHeaven: Este é um álbum conceptual que gira em torno de filmes de terror. O que vos inspirou a escolher este tema?
Jonny: Sempre nos inspirámos nos filmes de terror, mesmo nos primeiros álbuns a ligação com o terror era forte. Mas evoluí como compositor, o que nos deu a possibilidade de expandir os elementos cinematográficos. Desde o início que apelidamos o nosso estilo musical horror metal of death.
HellHeaven: Uma vez que existe aqui este fio condutor, presumo que tenham criado a história para cada faixa e só depois as músicas em torno dela. É esse o caso? Que mais nos podes contar acerca deste processo?
Jonny: Cada música surgiu enquanto via o filme em que se baseia. Queria captar a sensação do filme e a sensação que a música de cada filme me transmitia. A maioria delas começou com uma melodia simples e o resto desenvolveu-se a partir dela. Depois de eu ter a base das músicas, o Ralf Hauber (vocalista) pegou no conceito de cada filme e escreveu a sua própria visão deles nas letras. Foi ainda mais longe e tornou as letras pessoais, refletindo a sua própria perceção dos filmes.

HellHeaven: Evan Daniele é o novo baterista neste álbum. Chegou a tempo de compôr as partes de bateria ou simplesmente tocou o que já estava escrito?
Jonny: Eu já tinha escrito as partes de bateria, mas ele acrescentou o seu toque pessoal, o que realmente elevou a bateria a um nível superior.
HellHeaven: Este é já o vosso quarto álbum, como o vêem no contexto da evolução da banda?
Jonny: Cada álbum que fizemos tem o seu lugar perfeito no tempo para nós. Para mim, pessoalmente, é possível perceber a evolução de um álbum para o outro. E este álbum é exatamente o que queríamos que fosse, é a nossa progressão natural. Estamos a caminho para apagar a fronteira entre a música de filmes de terror e o death metal.
HellHeaven: Prestaram homenagem à banda italiana de rock progressivo Goblin, fazendo um cover de “Witchkrieg”. O que podes dizer acerca dessa escolha?
Jonny: Estava a ver o “Suspiria” e ocorreu-me que a melodia principal do tema que os Goblin fizeram para o filme seria perfeita para uma música de death metal. Pus o filme em pausa para a gravar e, trinta minutos depois, a base de “Witchkrieg” tinha nascido.
HellHeaven: Vocês são uma banda com membros nos EUA e em vários países europeus. Esse trabalho à distância colocou algum desafio para a gravação do álbum?
Jonny: Não muito. Como faço a mistura de tudo no meu estúdio, consigo orquestrar tudo para que funcione na perfeição.

HellHeaven: Agora que o álbum foi lançado, já há planos para ir para a estrada?
Jonny: Ainda não temos planos para concertos ao vivo. Mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva. Tenho o sonho de fazer um grande espetáculo grandioso com muitos elementos visuais de terror. Mas, por enquanto, isto é só na minha cabeça.
HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas que nunca ninguém te fez (e qual seria a resposta)?
Jonny: Adorava dar uma entrevista inteira a falar sobre os meus filmes e bandas de terror favoritos. Falar como um autêntico nerd.(risos)
HellHeaven: Por fim, que mensagem deixas aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Jonny: Continuem a apoiar a música extrema underground, celebrem o horror e a morte!