(Entrevista) HUMANITY'S LAST BREATH - "se usas IA para criar música desde o início, estás a fazer algo errado."

Os suecos Humanity's Last Breath são uma das confirmações para a edição de 2025 do Comendatio Music Fest, o festival que acontece entre os dias 21 e 22 Junho. A HellHeaven esteve à conversa com o vocalista Filip Danielsson. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Olá! Os Humanity's Last Breath começaram em 2009. Como já lá vão quase 20 anos, como vês o crescimento e percurso da banda quando olhas para trás?
Filip Danielsson: Juntei-me à banda apenas em 2015, mas, desde que entrei, houve um enorme progresso. Fizemos a nossa primeira digressão no Reino Unido, e estavam lá umas 40-50 pessoas (tínhamos de começar por algum lado). E a partir daí, a cada ano, tudo isso tem progredido.

HellHeaven: Esperavas o sucesso que alcançaram durante este tempo ou foi algo que te apanhou de surpresa?
Filip Danielsson: Antes de eu entrar, o álbum de 2013 tinha ganho muita força, por isso sabia que algo estava a acontecer, mas nunca se sabe realmente o que esperar. Isto definitivamente superou as minhas expectativas até agora.

HellHeaven: A vossa música foi descrita como uma mistura entre djent, deathcore e death metal, tendo havido até comparações com bandas como os Meshuggah. Isso faz com que se sintam com um peso sobre os ombros, ou lidam facilmente com o assunto?
Filip Danielsson: Claro que existem essas comparações. Nós temos uma grande admiração pelos Meshuggah, e levamos essas comparações com humildade. Acho que isso não nos coloca mais pressão, estamos é satisfeitos que as pessoas gostem do nosso som.

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HellHeaven: Estão confirmados para tocar no Comendatio Music Fest, em Portugal. É a vossa primeira vez aqui, certo? Quais são as vossas expectativas? Sabes alguma coisa sobre nós ou sobre a cena metal daqui?
Filip Danielsson: Sim, é a primeira vez em Portugal. Não sei nada sobre a vossa cena metal, mas estou ansioso por conhecer.

HellHeaven: O vosso som provavelmente destoa um pouco em relação às outras bandas (talvez com a excepção de Ihsahn) por ser mais pesado e agressivo. O que pode o público esperar de Humanity's Last Breath? E como pensam ser recebidos por nós?
Filip Danielsson: Essa é uma pergunta difícil. Podem esperar um set muito sombrio e cheio de atmosfera, tal como acontece nos nossos álbuns. Acho que nos enquadramos no perfil, mesmo que existam bandas como os Vola que têm as partes mais felizes. É difícil dizer realmente o que nós esperamos, mas espero que gostem. 

HellHeaven: O último álbum “Ashen” saiu já em 2023. Estão agora a trabalhar em material novo? Podemos esperar algum tema inédito?
Filip Danielsson: Estamos certamente a trabalhar em músicas novas. Não te sei dizer exactamente em que ponto estamos, mas já fizemos um bom progresso. Espero que possamos lançar algo o mais breve possível, mas não tenho qualquer estimativa de tempo neste momento. Lançámos um novo single “Anthracite” em Abril,e por isso não creio que tenhamos nada mais recente que isso para apresentar.

HellHeaven: A vossa música é muito densa, muito escura, muito pesada (e provavelmente requer um bom trabalho de edição). Atualmente estamos a vivenciar a inteligência artificial no panorama musical. Como vês isso? É algo que pode ajudar uma banda como a vossa?
Filip Danielsson: Não tenho a certeza. Pessoalmente não gosto muito de IA. Acho que a IA pode ajudar a colocar os pensamentos em papel, mas lançar algo que seja apenas/maioritariamente desenvolvido por IA não me parece bom para ninguém. A IA pode ser útil enquanto ferramenta para auxiliar. Mas se usas IA para criar música desde o início, estás a fazer algo errado.

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HellHeaven: Enquanto trio, e com uma sonoridade tão forte, qual é o desafio que colocam a vós próprios? Qual é o maior desafio para captar a mensagem?
Filip Danielsson: É uma pergunta difícil. Gostamos de nos desafiar a todo o momento. E só por isso, os ouvintes também são desafiados. Às vezes queremos ir pelo caminho mais fácil e fazer uma música que não use compassos muito diferentes e tudo mais, mas isso varia.

HellHeaven: E o que pensas da nova tendência de bandas, que vão para o palco com músicas pré-gravadas e actuar meio em playback? Achas que é honesto para a banda, músicos, e também para o público?
Filip Danielsson: Depende. Tocar o teu instrumento em playback, com isso não concordo. Mas, se tiveres muita atmosfera, como nós, e tens de a recriar ao vivo, nesse caso usamos backtracks. Tens de saber utilizar. Não pode ser para substituir os maus membros, porque aí não é honesto para ninguém. 

HellHeaven: Estando envolvidos noutras bandas, como gerem a actividade dos HLB?
Filip Danielsson: O Buster é quem está envolvido no maior número de bandas, nem as consigo contar pelos dedos das mãos! (risos) Pessoalmente, eu estou mais focado nos  Humanity's Last Breath, e portanto é muito mais fácil concentrar-me nisso. Mas quando o Buster escreve algo para nós, aquele riff na verdade não serve para as outras bandas, porque o nosso som é um muito distinto. Essa distinção sonora entre as várias bandas facilita todo o processo.

HellHeaven: Falando sobre o nome da banda e olhando para os tempos que estamos a enfrentar. Estamos agora a viver o “último suspiro da humanidade”, ou ainda não acabou?
Filip Danielsson: Parece-me muito adequado. Sim, às vezes parece que sim. Espero que não vivamos aqui para sempre, mas agora parece muito apropriado. Gostaria de saber a solução, mas não sei. Temos que esperar que as coisas se resolvam.

HellHeaven: E além de Portugal, já têm outros planos para este verão? Outros festivais?
Filip Danielsson: Nessa mesma semana vamos tocar num festival na Finlândia, passamos por outro no Reino Unido e depois voamos para Portugal. Basicamente é este o nosso verão, ainda não temos muito planeado para este ano. Provavelmente estaremos mais focados em escrever e lançar música nova - teremos outro anúncio em Junho (não posso adiantar mais sobre isso). Mas há definitivamente coisas pelas quais ansiar no futuro.

HellHeaven: Obrigado pelo teu tempo. Por fim, qual é a mensagem que queres deixar aos fãs portugueses e em especial àqueles que não conhecem os Humanity's Last Breath?
Filip Danielsson: Tem sido uma longa espera, mas já está quase. Espero poder conhecer o máximo de pessoas que puder. E claro, espero que gostem e que se divirtam!

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