Fundados nos anos 90, e depois de um híato, temos no novo álbum «...Of Death and Fire» a ressurreição dos suecos IN AETERNUM. A HellHeaven falou com David Larsson (voz e guitarra) sobre o novo disco e também sobre a hibernação da banda e, os planos para o futuro. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum «...Of Death and Fire». Como se sentem em relação a ele? Já há reacções?
David: Obrigado! Honestamente, sentimo-nos muito bem. É como lançar um álbum de estreia outra vez. O feedback tem sido absolutamente fantástico até agora. As reviews estão a ser óptimas por todo o mundo.
HellHeaven: Este álbum vem depois de um hiato. Conta-nos mais acerca disso: porque fizeram uma pausa, porque voltam agora e quem tomou a iniciativa?
David: Entramos em hiato em 2018 porque sofri um grave acidente de mota, que me impediu de tocar guitarra devido às dores fortes. Mas agora estou melhor. A razão do nosso regresso é que ainda tínhamos música para escrever e partilhar. Encontrei o Daniel, nosso antigo guitarrista, num festival em Outubro de 2024. Começamos a conversar sobre o facto de que em 2025 fariam 20 anos desde nosso último álbum. Por isso concordamos em fazer algumas músicas e ver onde isso nos levaria. Um mês depois, tínhamos a primeira música escrita e continuamos. No final terminamos com «...Of Death and Fire» e concluímos a gravação um ano depois de nos reencontrarmos. Mantivemo-nos muito bem ocupados durante este período.
HellHeaven: Tiveram vários baixistas diferentes ao longo dos anos. Atualmente voltam com a mesma formação de 20 anos atrás, com Daniel Sahlin encarregue tanto da guitarra principal e do baixo. Qual é o plano agora, estão à procura de alguém para ocupar o cargo permanentemente ou preferem manter o Daniel no baixo para as gravações e contratar alguém apenas para tocar ao vivo?
David: Para já usaremos um baixista para os espectáculos ao vivo. Se tudo correr bem, estamos dispostos a oferecer-lhe um lugar na banda. Veremos quem ocupará a posição no futuro.

HellHeaven: Retornam agora pela Soulseller Records. Como se desenvolveu esta parceria?
David: Eles descobriram que estávamos em fase de gravação de um novo álbum e contactaram-nos. E também manifestaram interesse em lançar os nossos álbuns antigos, o que também está iminente. Ofereceram-nos uma boa proposta e é muito fácil trabalhar com eles. Estamos contentes até agora e haverá mais desenvolvimentos num futuro próximo.
HellHeaven: Embora a formação seja de 2005, o som em «...Of Death and Fire» lembra-me mais o período dos anos 90. Não só a composição, mas toda a masterização soa muito fiel a essas raízes. Isto fazia tudo parte do plano original? Como o produziram?
David: Nós é que, em parte, nos influenciámos com nossa música neste álbum! Afinal, começamos em 1992. O som esteve a cargo do Daniel e do Perra (Karlsson, baterista), juntamente com o produtor Gord Olson do Canadá. Gord foi quem misturou e dominou tudo. O Pontus Ekwall do Studio Cave deu-nos o som de bateria necessário para esta gravação. Estamos todos muito satisfeitos com o som, é claro e brutal para que possas ouvir tudo o que está a acontecer. Houve muito esforço no aspecto sonoro geral.
HellHeaven: A última faixa “To Those Who Have Rode On” conta com a participação de músicos convidados: Erik Danielsson (Watain) nos vocais e Mira Sahlin na guitarra acústica. Podes contar-nos as histórias por trás dessas colaborações?
David: Como deves saber, o Erik fez as letras de “Seven Storms Of Doom” do nosso último álbum. Tê-lo a contribuir mais uma vez é como que fechar o círculo. E desta vez ele também contribuiu com a própria voz. Conhecemo-nos desde o início dos Watain, por isso é mesmo muito bom ter a contribuição de um amigo. A Mira é filha do Daniel e uma óptima guitarrista, tê-la no álbum foi muito fixe. Existe um forte vínculo entre pai e filha, e ela deixou-nos orgulhosos.

HellHeaven: Revelaram alguns singles/vídeos antes do álbum sair: “The Hourglass” e “The Vile God of Slime”. Por que razões escolheram estas músicas?
David: Simplesmente para mostrar a diversidade do álbum. Uma música rápida e clássica de In Aeternum e outra mais lenta que não é tão comum para nós. O feedback sobre estas músicas tem sido muito bom, por isso tenho certeza que quando o álbum sair irão gostar das restantes também.
HellHeaven: Com o álbum quase lançado, já têm planos para ir para a estrada? Existe alguma oportunidade de ver In Aeternum em Portugal?
David: Eu realmente espero que sim. Planeamos fazer espectáculos, mas cabe aos promotores/organizadores fazer as reservas. Nunca tocámos em Portugal. Seria muito fixe poder ir aí e causar destruição com a nossa música. Tocaremos em qualquer lugar, basta que nos agendem.
HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas que nunca te foi feita (e qual é a resposta)?
David: Há planos para relançar mais álbuns/gravações antigas? A resposta é SIM, trabalharemos nisso durante o próximo ano.
HellHeaven: Por último, que mensagem gostarias de deixar aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
David: Muito obrigado pela entrevista. Ameacem os vossos clubes de metal e os organizadores para que nos contratem para alguns concertos. Mas, piadas à parte, espero vir e tocar para todos vós. Viva o metal da morte!