Depois de saírem dos Massacre, Taylor Nordberg e Jeramie Kling formaram os Inhuman Condition, que se preparam para lançar o terceiro álbum «Mind Trap» no final do mês. A HellHeaven quis saber mais e trocou umas palavras com Taylor Nordberg, o guitarrista desta banda americana de Death/Thrash Metal. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo vosso novo álbum “Mind Trap”. Quais as vossas expectativas para este novo trabalho? As reacções estão a corresponder?
Taylor Nordberg: Começámos este álbum com basicamente zero expectativas. Foi tudo muito natural e tranquilo. Apenas escrevemos o que era natural para nós, confiamos em nós próprios e seguimos em frente. O feedback tem sido extremamente bom até agora! Claro, escrevemos para nós próprios - a maioria dos músicos faz isso - mas é sempre ótimo quando os fãs gostam. Há muita variedade neste álbum e acho que tem algo para todos.
HellHeaven: “Severely Lifeless” e “Face for Later”, serviram de singles de avanço? Porque escolheram estas especificamente?
Taylor Nordberg: Estas foram duas músicas que improvisamos e escrevemos juntos, e acho que acabam sempre por soar mais à banda em si. Por vezes tenho o esqueleto de uma música e trabalhamos nele, ou por vezes, o Jeramie tem ideias de bateria para uma música, mas estas foram produto de jams. Para mim, ambas têm um som muito "clássico" (se é que podemos usar esta expressão para uma banda que tem apenas 5 anos! [risos]) dos Inhuman Condition. Muito pesado, algumas coisas rápidas, algumas coisas lentas e espessas. São músicas bastante violentas. Assim que os vocais foram gravados, sabíamos que seriam um sucesso.
HellHeaven: Fundada por ti e pelo Jeramie Kling após deixarem os Massacre em 2020, a banda rapidamente recrutou Terry Butler no mesmo ano. No entanto, fiquei surpreendido quando o comunicado de imprensa ainda se concentrou principalmente em Nordberg e Kling ou falou sobre a “dupla prolífica”. Quão fundamental é o papel de Terry em Inhuman Condition?
Taylor Nordberg: A música do primeiro álbum e meio foi escrita pelo Jeramie e por mim e teria sido o novo álbum dos Massacre em 2020, por isso, quando saímos da banda, já tínhamos muito material finalizado. O Terry chegou depois e gravou o baixo, e esse é o processo para tudo o que fizemos. Eu e o Jeramie compomos todas as músicas juntos, e o Terry dá o mote, e depois tudo soa como uma banda coesa. O Terry é absolutamente importante para o som. O seu timbre e a sua abordagem ao baixo combinam perfeitamente com a banda, mas é na estrada que Terry realmente brilha. É uma pessoa incrível com quem fazer digressões e está sempre disposto a ajudar. Está sempre disposto a falar com os fãs e a assinar coisas, e isso é super importante. É um prazer absoluto estar numa banda com este rapaz.

HellHeaven: Este ponto leva-me a questionar-te sobre o vosso processo criativo, como o iniciam?
Taylor Nordberg: A ideia pode começar com um riff, uma batida ou até uma letra. Às vezes, o Jeramie diz: "Quero escrever uma canção sobre ...", e isso inspira-me a criar alguns riffs. Ou talvez eu tenha uma demo de guitarra e ele já ouça o refrão. Por isso, pode começar por qualquer lado, mas somos sempre eu e o Jeramie a escrever, pelo menos por enquanto.
HellHeaven: Qual dirias ser a força motriz para desenvolver a narrativa e os conceitos líricos?
Taylor Nordberg: Penso que, como muitas bandas, as nossas letras e conceitos refletem o mundo que nos rodeia. Vemos ódio, violência e estupidez por todo o lado, e é impossível não ser afetado por isso. Portanto as nossas letras falam muito sobre a humanidade ser "Desumana". Assassinos em série, traidores, linguarudos, o que quiseres. Às vezes cantamos apenas sobre coisas de ficção científica porque também somos ambos super nerds de livros!
HellHeaven: Estão todos envolvidos em vários outros projetos. Como mantêm uma agenda viável dedicada aos Inhuman Condition e como isolam a sua identidade?
Taylor Nordberg: Definitivamente acho que este álbum tem um som mais definido para a banda. Já disse em algumas entrevistas que este é o nosso álbum mais honesto e natural. Apenas escrevemos e o resultado soou imediatamente à banda. O Jeramie e eu temos a sorte de nos podermos adaptar como um camaleão a qualquer ambiente. Somos muito bons a compartimentar riffs e partes para bandas diferentes. Os Deicide nunca poderiam ter um riff de street punk, tal como os The Absence nunca poderiam ter uma música de grindcore. Assim, quando crio um riff, sei exatamente para qual das bandas funcionaria... ou talvez até para uma nova!?

HellHeaven: Provavelmente irão na estrada muito em breve para promover “Mind Trap”. Conheces a cena metal portuguesa e ponderarias tocar por cá?
Taylor Nordberg: Temos planos para nos fazermos à estrada, sim, mas é claro que é difícil conciliar as agendas de Deicide, Overkill e Obituary. Esperamos que o disco tenha sucesso nos Estados Unidos e, quem sabe, em alguns mercados internacionais também, mas vamos ver o que acontece! Não conheço muito bem a cena local portuguesa, mas o metal está por todo o planeta, e as pessoas estão sedentas. Por isso, se tivermos uma oferta, é claro que iremos tocar aí!
HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas que nunca ninguém te fez (e qual é a resposta)?
Taylor Nordberg: O primeiro riff que aprendi: a introdução de "Last Child", dos Aerosmith. Estes tipos fizeram-me querer pegar numa guitarra e tocar rock. Estarei sempre grato sempre pela inspiração.
HellHeaven: Por fim, que mensagem deixas aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Taylor Nordberg: Muito obrigado por todo o apoio e esperamos que todos gostem tanto de "Mind Trap" como nós! "Deixem a música falar."