(Entrevista) INHUMAN - "GLORIÆ é talvez o álbum em que conseguimos expressar a nossa identidade de forma mais coerente"

Formados em 1992, os Inhuman são um marco no metal gótico nacional. Agora em 2025 lançaram «Gloriæ», o seu segundo álbum após um longo hiato. Com este disco a banda promete um manifesto artístico, e para saber mais sobre este trabalho, a HellHeaven esteve à conversa com Pedro Garcia (voz). Entrevista: João Gama

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo vosso novo álbum «Gloriæ»! Como se sentem com o resultado final e quais as vossas expectativas? 
Pedro: Em primeiro lugar, agradeço o apoio e a entrevista, em nome dos Inhuman. Em termos de resultado final do álbum, estamos bastante satisfeitos e orgulhosos. Cada disco acaba por ser sempre um obstáculo ultrapassado e um objectivo atingido. A existência de uma banda depende, em grande medida, de nos irmos superando a cada novo desafio e de termos objectivos que nos movem; se assim não for, acaba por não ter sentido. Quem nos segue desde o início sabe que nunca nos repetimos, não nos condicionamos em termos de criatividade e procuramos sempre trazer elementos novos à nossa música — e o «GLORIÆ» não é excepção. É curioso que, à medida que o tempo passa, cada novo álbum é sempre um desafio maior e, neste caso, tivemos mesmo de ser determinados para levar esta tarefa até ao fim. Após uma primeira fase de promoção do «CONTRA», mudámos a formação da banda e, quando chegámos à fase de gravação, éramos apenas dois. Decidimos que este álbum haveria de ser uma realidade e, com a ajuda do Daniel Cardoso — produtor com quem voltámos a trabalhar e que se prontificou a assegurar a bateria e os teclados — foi possível concluirmos as gravações. Depois das gravações, misturas e masterização concluídas, enfrentámos outros condicionalismos: procurar editora, reformar a formação da banda, gravar os videoclipes e fazer escolhas relativas ao artwork. Tudo isso demorou o seu tempo, mas concluímos a tarefa — e acho que com sucesso. Em termos de expectativas, cumprimos a principal: criarmos algo que vê finalmente a luz do dia. Queremos sempre levar a nossa música ao maior número possível de pessoas e, quanto a isso, vamos ver como corre a promoção e o número de concertos que vamos conseguir dar.

HellHeaven: Este é já o vosso quarto álbum, e o segundo desde o vosso retorno em 2020 com «Contra» que foi muito bem recebido. Como vês «Gloriæ» face ao sucesso do seu antecessor, e em termos da vossa evolução enquanto banda?
Pedro: Para nós, que fazemos isto há algum tempo, vemos com naturalidade a evolução em termos de som e identidade da banda. Julgo que conseguimos ir sempre mais além, mantendo o essencial do que sempre nos caracterizou, ainda que possamos fazer as coisas de forma diferente. O «CONTRA» foi o resultado de um desejo antigo das pessoas que fizeram parte da formação clássica da banda. No nosso íntimo, e depois do sucesso relativo que a banda teve nos anos 90, precisávamos de provar a nós próprios que éramos capazes de fazer música relevante após tantos anos. Considerámos ter cumprido esse anseio, mas depois de o «CONTRA» ser uma realidade achámos que tínhamos de ir mais além — e que talvez nem todos quisessem isso da mesma forma que eu e o João Pedro (guitarrista). Assim, tivemos de seguir um caminho diferente, e nasceu o «GLORIÆ», que simboliza uma nova fase da banda, com a qual estamos muito entusiasmados.
Até agora, as reacções têm sido muito boas e várias pessoas consideram que este é o nosso melhor trabalho. É sempre isso que pretendemos: superar-nos — e tenho a certeza de que o conseguimos.

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HellHeaven: Já há dois singles/vídeos disponíveis “Conspiratio” e “To Reign in Captivity”. Como estão a ser recebidos? E o que podes revelar acerca da criação dos vídeos?
Pedro: Muito bem. Considerámos que seriam dois temas adequados para um primeiro contacto com o novo material e, até agora, ambos têm sido muito bem recebidos, tanto em Portugal como no estrangeiro. O objectivo inicial era gravar apenas um vídeo, mas acabámos por ter possibilidade de gravar dois. Tivemos a sorte de trabalhar com dois excelentes profissionais: o Marko Rosaline e o Ricardo Sequeira. O Marko aceitou igualmente o desafio de desenvolver toda a imagem gráfica do álbum. Ambos os vídeos foram filmados num fim-de-semana gelado de Dezembro, no Presídio da Trafaria.

HellHeaven: Descrevem “To Reign in Captivity” como uma das faixas mais poderosas e emocionais que já criaram e que capta a essência do álbum. Nesse sentido, concordarias que «Gloriæ» é o vosso trabalho mais intenso?
Pedro: Sim. «GLORIÆ» é talvez o álbum em que conseguimos expressar a nossa identidade de forma mais coerente — a melodia e o caos, a luz e as sombras. Apesar de haver enorme variedade sonora, acaba por formar um todo lógico. Tem momentos musicais e líricos muito fortes, onde essa intensidade está bem presente e onde o conceito de “glória”, ou da sua ausência, transporta o ouvinte numa viagem de emoções intensas.

HellHeaven: Tal como «Contra», «Gloriæ» foi produzido pelo Daniel Cardoso e sai pela Alma Mater Records. Fala-nos um pouco do vingar destas colaborações.
Pedro: Em relação ao Daniel, antes mesmo de trabalharmos com ele, sentimos que seria o produtor indicado para nós — pela sua experiência enquanto músico e pelo que íamos conhecendo do seu trabalho como produtor. Durante as gravações do «CONTRA», a experiência foi fantástica, não só a nível pessoal, mas sobretudo a nível profissional, pela sua dedicação, exigência, talento e pelos resultados obtidos. Nessa altura ficou claro que o álbum seguinte também seria produzido por ele. Acrescentando a isso o facto de a banda ter sofrido várias alterações na formação, só a preciosa ajuda do Daniel permitiu tornar este disco uma realidade. Quanto à editora, apesar de termos outras opções, a Alma Mater acaba por ser a escolha mais acertada. O Fernando Ribeiro (Moonspell) conhece a nossa música desde o início, acompanhou o nosso percurso e a sua experiência é uma mais-valia enorme. A acompanhá-lo está o Pedro Vindeirinho (Rastilho), outra pessoa com vasta experiência no meio editorial. Daí acharmos que a Alma Mater é a editora indicada para esta fase da nossa carreira. Acima de tudo, tanto o Daniel como o Fernando são pessoas que entendem a nossa música — e isso é muito importante para nós.

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HellHeaven: Os Inhuman já contam com mais de três décadas e são um marco no metal gótico nacional. Nesse sentido, como recordas os altos e baixos da vossa carreira? E quais são os desafios da actualidade (e do futuro)?
Pedro: Nas últimas entrevistas tem sido habitual a referência às mais de três décadas de carreira, o que acaba por ser um pouco estranho da nossa perspectiva. De facto, já passaram mais de 30 anos desde o início da banda, mas com os períodos de inactividade não são 30 anos de actividade efectiva. Ainda assim, já são quatro álbuns lançados, cada um deles motivo de orgulho. Pontos altos foram, sem dúvida, as experiências de estúdio; tocar de Norte a Sul do país em salas emblemáticas; os lançamentos dos álbuns; e as excelentes reacções do público. Talvez a experiência mais marcante tenha sido trabalhar com o Simon Efemey em «Foreshadow», viajar para Inglaterra, gravar num grande estúdio e viver toda a expectativa do que poderia ter acontecido com a banda nessa altura. Depois, como se costuma dizer, quanto mais alto estamos, maior a queda. Aplica-se isso ao interesse da Music For Nations — a maior editora de metal da altura — que surgiu por duas vezes e que, por motivos alheios à banda, nunca se concretizou. Para mim, foi um dos pontos mais baixos. Outros pontos baixos foram a minha saída e, algum tempo depois, o fim da actividade. Houve também alguma frustração quando tentámos regressar entre 2008 e 2010 e não resultou. Felizmente, desde 2017 temos outra maturidade e continuamos determinados em fazer algo que gostamos — e creio que com bons resultados.

HellHeaven: Em breve irão tocar no Rockfest PM 2025 (28 de Novembro). Para cativar um pouco mais os fãs, há algo que possas dizer acerca do que se poderá esperar destes espectáculos?

Pedro: Estamos com enorme expectativa para tocar temas de «GLORIÆ» ao vivo pela primeira vez. Estes concertos serão muito importantes para nós: para testarmos as reacções ao novo material e porque vamos estrear uma nova formação. O baterista tocou connosco ao vivo apenas uma vez, em 2024, e para o baixista será a estreia absoluta nos Inhuman. De resto, podem esperar a nossa total entrega e uma pequena viagem pela nossa discografia. Iremos tocar temas de todos os álbuns, com natural incidência no último.

HellHeaven: Por último, em relação a entrevistas, há alguma questão a que gostassem de responder mas que nunca vos foi feita? Se sim, qual (e qual a resposta)?
Pedro: A pergunta é realmente muito boa e a resposta provavelmente também seria interessante, mas vamos aguardar pelas próximas entrevistas! (risos)

HellHeaven: Muito obrigado! Gostariam de deixar uma mensagem para os fãs/leitores?
Pedro: Ouçam o nosso último álbum, GLORIÆ e comprem-no, se gostarem. O apoio de todos é muito importante para nós. Esperamos encontrá-los em breve num palco por aí.

 

 

 

 

 

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