(Entrevista) JOSEPH THOLL - "Fazer discos é uma coisa mágica e estou demasiado viciado para parar"

A propósito de It Might Be Art, Joseph Tholl aborda a criação do disco, a arte e o futuro da sua carreira a solo. Entrevista: Nuno C. Lopes

Conhecido por ter feito parte dos Enforcer e, actualemente, nos Tribulation, Joseph Tholl prepara-se para lançar o segundo disco a solo, "It Might Be Art"!

HellHeaven: Começo por agradecer o tempo para esta entrevista e, também, dar os parabéns por “It Might be Art”, o teu segundo disco a solo. Quais os teus pensamentos e expectativas em torno deste lançamento?
Joseph Tholl: Muito obrigado! Estou muito satisfeito com este disco e, de certa forma, as minhas expectativas já foram cumpridas visto que o álbum ficou, mais ou menos, como eu queria! Também estou bastante satisfeito por ver que a imprensa está a receber muito bem o disco e que a resposta aos singles tem sido muito positiva. 

HellHeaven: O título do disco pode ser encarado de forma dubia: pode ser visto como uma provocação mas pode, também, ser visto como a afirmação de um músico e a forma como olham para a sua arte. Qual é a forma correcta de olhar para It Might be Art?
Joseph Tholl: O título deriva de um momento na minha juventude! Estava em casa do meu amigo Johannes Andersson (Tribulation) e os pais dele são ambos artistas e a casa estava preenchida com arte! Numa mesa estava uma taça com duas maçãs e perguntei ao Johannes se podia comer uma das maçãs e a resposta foi: “humm, não sei! Isso pode ser arte”! (risos) Achei a frase divertida e ficou na minha mente até hoje, o mais curioso é que as maçãs eram, de facto, arte! Acho que o pai dele ia usar a fruta para uma pintura! De qualquer das formas, penso que a frase encaixa muito bem neste disco, afinal, ele pode ser arte! (risos)

HellHeaven: Tens estado envolvido em outras bandas e projectos, com isso em mente poderemos dizer que a tua carreira a solo é uma forma de “escapar” à pressão de uma banda e mostrar um outro lado do Joseph Tholl?
Joseph Tholl: De certa forma sim! A ideia original de fazer um disco a solo era a de ser capaz de tomar decisões sozinho e ter algo em andamento sem estar dependente da agenda de mais quatro ou cinco pessoas, como acontece numa banda. Ter um set ao vivo que permita ser redefinido dependendo da tour. Ao mesmo tempo que tenho toda a liberdade em todos os aspectos, como a escrita e a produção, por exemplo. 

HellHeaven: Dito isso e, sendo tu o responsável por quase tudo no disco, qual o maior desafio e, também, como lidas com essa responsabilidade?
Joseph Tholl: Há muito trabalho a ser feito e recai sobre mim, mas também é algo bastante eficiente! Podia ter tido alguém a tocar baixo, por exemplo, mas como sabia o que queria e conhecia a música, o trabalho é mais rápido sendo feito por mim do que estar a trazer alguém que precisa de aprender a música e tudo o resto. Tenho muita confiança na responsabilidade artística , a responsabilidade do negócio é que me causa um pouco mais de stress, falo das logísticas do lançamento do disco e tudo o que isso envolve, mas está tudo bem e, claro, que tenho pessoas a ajudar-me! (risos)

HellHeaven: ainda assim tens convidados de peso no “It Might be Art”! De que forma a contribuição deles ajudou a moldar o resultado final?
Joseph Tholl: Ter convidados num disco a solo é, para mim, muito importante! Como não tenho uma banda permanente esta é uma forma de envolver outras pessoas! O Robert Eriksson e o Jakob Ljungberg fazem todos os deveres de bateria, por isso até os encaro como parte da minha banda do que convidados, além de que não consigo fazer as partes de bateria! (risos) Os restantes tento garantir que tenham partes em que se possam expressar por eles, com a sua musicalidade! Acho que essa é a ideia de ter convidados, deves ter a capacidade de ouvir o estilo de cada um! 

HellHeaven: “It Might be Art” não é um disco de Heavy Metal mas tem alguma escuridão, algum brilho e tudo envolvido num espírito, quase, Pop. Será que podemos dizer que a honestidade é a melhor forma de definir este álbum?
Joseph Tholl: Sim, de facto existe um lado mais “luminoso” neste disco que em muitas coisas que tenho feito, mas há, também, alguma escuridão! Queria que o álbum fosse como uma jornada pela vida, entre todos os altos e baixos que temos ao longo da mesma. Anteriormente trabalhei muito com vibes negativos e melancolia e, por isso, estes elementos Pop são uma forma de me aventurar noutros terrenos criativos! 

HellHeaven: Já estiveste em Portugal várias vezes e vais regressar em Novembro com os Tribulation. Que memórias guardas do nosso país e o que podemos esperar desse regresso, ainda que com uma banda?
Joseph Tholl: Na verdade a minha irmã vive em Portugal, por isso visito-a algumas vezes e tenho uma grande relação com o vosso país! Sempre gostei de actuar no vosso país e já aí fui com várias bandas, a audiência é bastante entusiasta e genuína.

HellHeaven: Enquanto artista a solo podemos esperar um terceiro disco ou preferes ter essa carreira livre de responsabilidade e deixar-te ir com a maré?
Joseph Tholl: Provavelmente irei fazer um terceiro disco em algum momento! Fazer discos é uma coisa mágica e estou demasiado viciado para parar! Não sinto qualquer responsabilidade porque depende só de mim! Continuo com fome de tentar outros estilos e direções, por isso vamos ver como um terceiro disco vai soar! (risos)

HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para os nossos leitores e para todos os que seguem a tua carreira?
Joseph Tholl: Continuem a ir a concertos, comprem discos e continuem a apoiar a verdadeira arte!

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