(Entrevista) OCEANS ATE ALASKA - "O público dos festivais é muito energético, um pouco mais excêntrico do que num concerto comum"

Os britânicos Oceans Ate Alaska, que já celebram 15 anos, encontram-se a preparar o seu próximo álbum e em breve marcarão presença no Comendatio Music Fest. Tudo isto foram motivos mais que suficientes para a HellHeaven estar à conversa com James “Jibs” Kennedy (guitarra) e Chris Turner (bateria). Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Olá, os Oceans Ate Alaska celebram já 15 anos. Como reflectem sobre a vossa história e evolução e eventualmente sobre o futuro?
James Kennedy: Olá! Tudo isto é como um processo de constante crescimento. Cada coisa que fazemos é como se perguntássemos: como podemos melhorar individualmente e como banda? Queremos fazer coisas modernas e interessantes, queremos seguir em frente e continuar a reinventar-nos para não ficarmos onde começamos. É tudo uma questão de inovação constante.
Chris Turner:  E estamos a compor um álbum novo agora. Estamos a escrever imensas coisas que pensamos: “Isso é muito porreiro, soa muito a Oceans…, soa a nós, mas soa a nós do nosso último álbum, ou soa como nós de cinco anos atrás?”. Concordo com o que Jibs disse, mas quero deixar claro que fizemos um grande esforço consciente, para garantir que soasse a nós, que o som tenha a nossa identidade, mas ao mesmo tempo possa evoluir, tornando-se mais moderno e atualizado nesse sentido.

HellHeaven: Falando de compor um novo disco, sentem algum tipo de pressão ou responsabilidade cada vez que criam novas músicas? 
Chris Turner: Pessoalmente, sinto muita pressão. Acho que queres fazer sempre o melhor que podes e quero fazer sempre algo melhor, mais inovador e mais excitante. Mas quanto mais fazes, quanto mais álbuns lanças, mais difícil se torna. Por isso, sim, pessoalmente sinto muita pressão, mas também gosto disso, não é necessariamente algo mau. É algo que me impulsiona a fazer algo que nunca pensei que faria. No início és completamente livre porque ainda não tens bases ou padrões, o que é bom, mas também gosto trabalhar com estas guias para que o que quer que faça se encaixe correctamente neste projeto. Isso força diferentes tipos de criatividade e disso eu realmente gosto. Mas, de qualquer forma, existe definitivamente uma pressão.

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HellHeaven: É uma resposta muito interessante porque muitas vezes quando uma banda começa trata-se simplesmente de um passatempo divertido. Como foi a vossa transição de “isto é apenas um hobby” para “wow isto é algo a sério, temos contratos”?
James Kennedy: Para mim nunca houve um momento de mudança radical, de mudança total. Acho que foi mesmo uma transição gradual, fazendo coisas diferentes à medida que os anos passaram, aprendendo o que deveríamos (e o que não deveríamos) fazer, e ver as coisas seguirem esse caminho- Foi como um processo de crescimento.
Chris Turner: Não sei, para mim foi algo mais radical. Estávamos nos Estados Unidos a fazer espectáculos de tamanho razoável, e acabei por pedir demissão do meu trabalho para poder continuar em digressão porque estávamos em turnê. O facto de ter de pedir essa demissão foi para mim um ponto de viragem. 
James Kennedy: Na verdade, acabei de pensar em algo. Percebi isso durante a pandemia, quando tudo parou e tivemos de parar de fazer digressões. Foi aí que ficou claro. Porque estávamos tanto tempo na estrada que a vida pessoal estava em pausa, e, quando tudo parou, percebi que as coisas estavam diferentes. Foi aí que senti a mudança.

HellHeaven: Além da pandemia, como britânicos, agora têm o desafio de tudo estar muito mais caro, incluindo ir para a Europa ou para os Estados Unidos. Para vocês, que alcançaram sucesso mas ainda não sendo grandes, como sentem estes desafios?
Chris Turner: Sim, obviamente o Brexit e tudo o resto são questões desafiadoras porque são coisas para as quais não temos qualquer treino. Crescemos a aprender música, tocando instrumentos e a compor, não a aprender a preencher todos os formulários legais ou como lidar com o controlo de fronteiras. E isso realmente torna-se um desafio que claro ficou mais difícil.

HellHeaven: E como se motivam face a esses desafios?
Chris Turner: Pessoalmente, sinto que tenho muita sorte com a motivação. Não sei por quê, mas nunca tive dificuldades para me motivar com a música. Não sei responder, mas lembro-me de dar aulas e ouvir os alunos a perguntarem-me como me mantinha motivado. E tenho sempre dificuldade em responder, porque nunca tive problemas com motivação, fico muito animado com a bateria. Se ouço algo que não consigo tocar, ou se ouço algo que nunca tentei fazer, ou se penso em algo que nunca tentei fazer, pura e simplesmente dedico-me. E passam horas e horas e esqueço os planos que tinha para o dia, simplesmente fico obcecado e não preciso de incentivo.

HellHeaven: Pode-se então dizer que são auto-motivados?
James Kennedy:Sim, para mim é algo semelhante. Em termos de composição, é como se tivesses a ideia na cabeça, mas que só se manifesta quando colocas tudo no papel e precisas de a escrever para perceber em que realmente se vai tornar. Essa excitação é algo que te mantém motivado. Mas isto é apenas composição, o escrever música. Também depende de onde vem a motivação, porque por exemplo podes estar motivado por uma data de lançamento ou por um concerto ou algo assim, por isso há sempre uma ou outra razão que te mantém motivado.

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HellHeaven: Vão tocar em Portugal e é a vossa segunda vez por cá. Como se sentem em relação a este retorno? E como se sentem em relação ao festival?
Chris Turner:  Pessoalmente estou muito entusiasmado. Uma das melhores vantagens deste trabalho, como deves imaginar, é poder viajar, e não só isso, mas viajar com os teus melhores amigos e fazer aquilo que mais amas. Por isso, estou muito animado para ir aí onde só estive ainda uma vez, para poder vivenciar tudo de novo e tocar para pessoal novo. Eu também adoro tocar na Europa. Adoro países mediterrâneos, a comida e o mar. Adoro ir e dar um mergulho no mar. Eu adoro toda a experiência, pessoalmente. Mesmo que esteja frio, como quando estivemos na Suíça na última vez e a água estava fria, eu pensei “Ah, vamos dar um mergulho gelado”. Por isso sim, estou bastante animado pessoalmente, porque isso é tudo super excitante para mim. 
James Kennedy: Concordo com tudo o que o Chris disse. Também adoro tocar em festivais. Os festivais na verdade são engraçados, porque a organização costuma ser um pouco confusa, porque todo mundo está envolvido e não é culpa de ninguém. É só o facto de haver tantas bandas, tanto equipamento e tudo isso e torna-se stressante. Mas como é um festival, a grande maioria do público está lá só para se divertir. O público dos festivais é muito energético, um pouco mais excêntrico do que num concerto comum e por isso adoro tocar em festivais, especialmente se estiver calor! 

HellHeaven: E irão apresentar músicas novas aqui em Portugal ou vão focar-se nos maiores sucessos?
Chris Turner:  Um pouco de tudo. Obviamente, vamos tocar os nossos dois singles mais recentes. Depois será uma mistura saudável de todos os outros. Muitos singles, não apenas os favoritos do público, mas também os favoritos pessoais para tocar.

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HellHeaven: Em relação à vossa sonoridade, há muitos elementos a ser usados. Poderíamos apelidar-vos de de djent, nu metal, deathcore… Mas como se descrevem vós próprios?
Chris Turner: Pessoalmente, eu vejo-nos no campo do progressivo, até porque acaba por resumir tudo o que disseste, e ao mesmo tempo ultrapassa fronteiras. Mas ao trabalharmos agora nas músicas novas, alguém ouviu apenas dois segundos de um dos temas e disse imediatamente “isto é Oceans…”, e por nesse sentido acredito que fazemos algo único. 

HellHeaven: Já por cá andam há 15 anos, como se vêem daqui a mais 15?
Chris Turner: Se ainda estivermos por cá, terá de ser devido a um sucesso tremendo, caso contrário devemos ter parado. É uma destas duas. 
James Kennedy: Eu espero que ainda estejamos por cá, porque é realmente divertido o que fazemos. E adoro ter a música como emprego, independentemente de quão velho me torne.

HellHeaven: Por fim, que mensagem gostariam de deixar aos fãs e ao público do Comendatio?
Chris Turner: O primeiro pensamento é que devia ter aprendido português para agora dar uma resposta mesmo fixe [risos]! A mensagem para os fãs é: recomendem-me a vossa comida local favorita, e a vossa cerveja local favorita também - adoraria provar! E claro por favor venham ter e falar conosco.

 

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