(Entrevista) PAUS - "Sentimo-nos completos enquanto banda. E saber quando acabar é uma ideia que nos cativa."

Os PAUS chegam ao fim com um, apropriado, “Enterro”! Numa altura em que se preparam para a digressão de despedida a HellHeaven esteve à conversa com a banda para fazer um balanço do caminho percorrido. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: "Enterro" marca o fim dos PAUS, enquanto banda. Sentem que esta é a melhor forma de terminar com a banda? Qual o sentimento que paira na banda neste momento?
PAUS: Acreditamos na ideia de por um ponto final na nossa história nos nossos termos, celebrando juntos, em disco e na estrada. O sentimento é o de celebração por tudo o que fizemos juntos. Viajámos muito, conhecemos muitos países e cidades com esta banda, experimentámos fazer coisas diferentes das que tínhamos feito até então, cumprimos sonhos antigos. 

HellHeaven: Os PAUS surgiram num momento de, digamos, transição na musica Rock nacional, diriam que a banda é o culminar de um boom que deu origem, talvez, a uma cena indie nacional?
PAUS: Os PAUS são formados em 2009, numa altura em que que bandas mais experimentais como Animal Colective estão a viver um momento de explosão e a chegar a públicos mais abrangentes. Em paralelo, em Portugal, havia uma cena indie/alternativa efervescente de bandas e artistas a cantar em português sem vergonha. Os PAUS acabaram por beneficiar desses dois factores e também por se distinguirem em termos dos instrumentos escolhidos, por exemplo, como o exemplo da bateria siamesa e a ausência de guitarras.

HellHeaven: Existiu uma "mini cena" na linha de Sintra onde a religião teve uma acção importante, mas não decisiva, em projectos como Linda Martini, Pontos Negro, entre outros, isto prova alguma coisa ou foi apenas fruto de um feliz acaso?
PAUS: Os Linda Martini não têm relação directa com a Flor Caveira, mas sim com um grupo de bandas como Men Eater, If Lucy Fell ou Riding Pânico, com ligação aos estúdios Black Sheep. Aparte disso, alguns projectos ligados à Flor Caveira têm origem em Queluz, como os Linda Martini, e vários membros fizeram parte de bandas que circulavam pela cena punk hardcore, mas nunca houve qualquer ligação entre Linda Martini e a igreja Baptista, ou a Flor Caveira. A banda formou-se ainda antes de 2003 e a sua referência maior em Portugal, talvez fossem os Mão Morta.
Mas falando de PAUS, tendo membros de algumas dessas bandas - do Black Sheep -, o nosso circuito era outro e as nossas relações musicais e influências também. 

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HellHeaven: Com um "pequeno detalhe", a bateria siamesa, trouxeram um "ponto de exclamação" na criatividade. Diriam que isso, aliado ao talento e profissionalismo, acabou por catapultar o culto em torno da banda?
PAUS: A bateria siamesa trouxe alguma curiosidade para a banda, tal como o facto de não ter uma formação tradicional, como a ausência de guitarras. O resto, foi uma feliz coincidência entre o tempo em que vivíamos e a receptividade a coisas diferentes como a que estávamos a fazer. O facto de termos membros de outras bandas já com alguma experiência e reconhecimento - Vicious Five e Linda Martini, em Portugal, e If Lucy Fell pela europa -, também ajudou a solidificar a banda com alguma rapidez.

HellHeaven: Quando olham para o vosso, mais ou menos, curto percurso, qual o balanço que fazem? Fica algo por fazer? Haverá, talvez, algo mais por fazer no futuro? Ou, ainda, teriam feito algo diferente?
PAUS: Em 18 anos de banda, o espanto e a surpresa talvez sejam os adjectivos mais apropriados para o que fomos sentindo. Fomos uma banda improvável em vários aspectos. Tocar por toda a Europa, México, Estados Unidos e Brasil, estava longe do nosso imaginário. Tal como editar discos por editoras como a Universal ou a Sony. E menos ainda que fossemos assinar um dia pela editora/management do Primavera Sound, festival que admirávamos. Por isso, diria que não há grandes arrependimentos.

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HellHeaven: Tendo vocês outros projectos e banda, terá isso tido algum impacto decisivo em terminar os Paus ou há algo mais?
PAUS: Sempre houve outras bandas em paralelo. O ENTERRO dos PAUS acontece precisamente porque estamos a ser coerentes com aquilo a que sempre nos propusemos, que era vontade em fazer diferente e enquanto ainda houvesse a sensação de coisas por explorar. Fizemos álbuns - contando com o ENTERRO -, vários EP's, fizemos ciclos de concertos com imensos músicos diferentes como convidados, tocámos em clubes e festivais gigantes. Sentimo-nos completos enquanto banda. E saber quando acabar é uma ideia que nos cativa.

HellHeaven: Vão estar com "Enterro" pelos palcos nacionais. Como vão encarar esses concertos e o que pode esperar o público da banda e, claro, a banda do público?
PAUS: Um funeral com lágrimas e confetis. (risos)

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HellHeaven: A tradição diz que depois do enterro existe a Missa do Sétimo Dia. Existe alguma possibilidade de um registo a ser lançado ao vivo com esta digressão ou nem sequer pensaram nisso?
PAUS: Não acreditamos na vida depois da morte. Somos ateus. Os bichos que façam connosco o que quiserem, depois de enterrados. 

HellHeaven: Esta pergunta poderá ser difícil mas quem agarrá na tocha dos Paus e dar seguimento a esta história do Rock Nacional? Qual o futuro do Rock nacional?
PAUS: Nunca carregamos tocha alguma. Há muitas bandas a ter bastante mais sucesso que nós, por esse mundo fora. Basta olhar para os Máquina, como um de muitos exemplos.

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os vossos fans?
PAUS: Obrigado por terem estado por perto. Que viagem!

 

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