“Mondo Tomorrow” é o sétimo disco para os australianos THE NEPTUNE POWER FEDERATION! Banda formada em 2012 e cujo crescimento a tem feito conquistar público e media. A HellHeaven esteve à conversa com Inverted CruciFox, guitarrista desta federação que lança uma das supresas do ano.Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por dar os parabéns pelo novo “Mondo Tomorrow”! Quais são os teus pensamentos sobre disco e quais as expectativas?
Inverted CruciFox: Como em todos os lançamentos esperamos que ele se relacione com os nossos fans! Tentamos fazer a cada novo disco algo diferente dos anteriores e, por isso, esperamos que os nossos seguidores alinhem connosco! Sabemos que é um risco, mas por norma sentimos que eles nos acompanham!
HellHeaven: O primeiro disco foi lançado em 2012, como olhas para o crescimento e evolução da banda?
Inverted CruciFox: Acho que ficámos mais confiantes no que fazemos! Não é exactamente o som mais popular da actualidade ou semelhante a algo, contudo é algo que acaba por jogar a nosso favor! O que fazemos vem do coração e faz-nos felizes e estamos confortáveis em deixar a audiência receber como quiser e não tentar estar, nós próprios, a criar expectativas.
HellHeaven: Todos vocês tiveram experiências em outras bandas, como é que essa experiência explodiu nos The Neptune Power Federation (TNPF)?
Inverted CruciFox: Já tocamos há muito tempo aqui na Austrália e foi uma grande surpresa quando chegámos à Europa, que foi algo que nunca esperámos! Estamos aqui tão isolados que, de ceta forma, assumimos que a nossa música será apenas para pequenas audiências na nossa pequena cena australiana! Ter pessoas de todo o mundo a curtir os TNPF tem sido incrívelmente divertido e recompensador!

HellHeaven: “Mondo Tomorrow” é diferente dos vossos discos anteriores no que diz respeito a temática, nomeadamente pelo facto de se debruçarem na tecnologia. Como olhas para a forma como a humanidade lida com coisas como a IA e com as redes sociais, entre outras coisas?
Inverted CruciFox: Estás certo! Muito do que fizemos antes estava muito relacionado com viagens no tempo e fantasias retro noutros mundos, por isso decidimos ir numa direção diferente! Não somos uma banda com uma “mensagem” mas tentamos refletir sobre o que vai acontecendo à nossa volta e, por norma, isso acaba por ir parar a reis, oligarcas e sistemas de proessão! Considero que actualmente o desenvolvimento da tecnologia representa um novo tipo de vilânia e o disco extrapola o que continua a ser uma influência negativa no cidadão comum e que vai ter influência no futuro! Claro que fazemos isso numa espécie de uma lente retrofuturista, como um B-Movie, por isso esperamos que seja entertenimento, mesmo que não queiras considerar os paralelismos com o mundo real.
HellHeaven: É interessante ouvir um disco feito em pleno século XXI com um feeling oldschool! É quase como um encontro entre a Blondie e Fu Manchu em ácidos num concerto no CBGB’s! O que dizes desta descrição?
Inverted CruciFox: (risos) Amo essa descrição! (risos) Temos várias vezes conversas sobre combinar dois géneros diferentes ou bandas na criação dos temas ou para criar um abiente! Sou uma esponja!

HellHeaven: Isso também quer dizer que a banda voltou ao som mais punk sem perder o fuzz, criando assim uma espécie de Stoner Punk. Sentiram necessidade de trazer essa sonoridade de volta?
Inverted CruciFox: Todos temos um passado Punk na banda, por isso essa característica está sempre debaixo da superficíe! Adoro coisas como The Stooges, MC5 ou The Saints! Para mim o Punk garante um atractivo no sentida da sua energia e urgência e podes incluir isso em quase todos os géneros! Por isso, quando penso na nossa banda ser Punk não se trata de mohawks ou pins, é sobre intenção, que é a forma como nós também abordamos os nossos concertos.
HellHeaven: Algo que pode ser encarado como uma marca de água dos TNPF é a voz e a teatralidade da Sreaming Loz Sutch. Qual o desafio de combinar a voz com a música? Dão-lhe algumas coordenadas? Qual o segredo?
Inverted CruciFox: Não lhe damos qualquer coordenada! Apenas lhe abrimos as asas e deixamos ir! A Screaming é a nossa arma, não tão, secreta! (risos) Por muito que façamos uma infusão de Stoner ou Punk na banda ela soa sempre como uma diva de ópera em LSD (risos), e é por isso que se torna tão difícil de rotular e, ao mesmo, tempo, damos algo ao ouvinte que gosta de ser desafiado esse desafio!
HellHeaven: Para uma banda australiana e já há algum tempo na cena qual é o maior desafio que enfrentam para que a vossa música seja ouvida fora do vosso país?
Inverted CruciFox: O nosso isolamento geográfico é o maior problema! Temos uma cena ao vivo fantástica na Austrália e uma grande facilidade em criar novas bandas ao longo dos tempos, mas se queremos andar noutros patamares temos de sair do país e isso leva muito tempo e dinheiro, além do compromisso!
HellHeaven: Já existem alguns concertos marcados na Europa mas, pergunto, é expectável que surjam mais datas no futuro? Podemos esperar que passem por Portugal? Conhecem alguma coisa do país e qual a mensagem que deixam?
Inverted CruciFox: Adorávamos tocar em Portugal! Não sei muito sobre a vossa cena, contudo parece ser um país incrívelmente bonito! Sei que algumas bandas de garage e punk têm vindo a criar ligações com Espanha, por isso não sei se as cenas serão semelhantes! Gostava de agradecer a todos os quemostram interesse em nós e expressar a vontade de vos ver em breve!
