Com lançamento no dia 27 Março “Morbid Desires” é o sétimo disco dos veteranos Tulus! A HelHeaven esteve à conversa com o guitarrista Sarke sobre o disco, o Black Metal e, claro, uma carreira com mais de três décadas. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por te dar os parabéns pelo novo disco, “Morbid Desires”! Quais são os teus pensamentos sobre o disco e quais as expectativas em torno deste lançamento?
Sarke: É sempre muito entusiasmante e porreiro lançar um novo álbum! Acho que fizemos um bom disco! É um disco que segue a veia de Tulus e soa como queríamos! Somos uma banda pequena, contudo temos seguidores muito leais mas não pensamos em expectativas quando lançamos discos! Esperamos que as pessoas ouçam o disco e que possamos tocar mais ao vivo com este lançamento!
HellHeaven: A banda já está no activo há mais de três décadas, ainda existe algum tipo de ansiedade de cada vez que um disco é lançado?
Sarke: Nunca senti isso! Fazemos e gravamos a música muitos meses antes do lançamento e é a editora que trata de lançar o disco por isso, para nós, existe ansiedade zero! (risos)
HellHeaven: Estando envolvidos noutras bandas e projectos qual o maior desafio quando se trata de gravar nova música para Tulus?
Sarke: Cada banda tem o seu tempo! Quando decidimos fazer música para Tulus esse passar a ser o foco principal, portanto, não diria que exista algum tipo e desafio com outras bandas no caminho! Ensaiamos até ter música suficiente para um disco e depois entramos em estúdio!

HellHeaven: Ainda que sejam um trio a Hildr (esposa de Blodstrup, voz) é, quase, como um quarto membro da banda! As letras de “Morbid Desires” são dela? Qual o processo, dão-lhe alguma ideia sobre o que querem ou ela segue a sua inspiração?
Sarke: Sim, foi ela que escreveu todas as letras do álbum! Podemos dar-lhe algumas ideias mas, na verdade, ela escreve tudo e faz isso bem melhor que nós (risos), por isso não temos de lhe dizer muito! A escrita dela é muito negra e encaixa na nossa música muito bem!
HellHeaven: Existe algum conceito ou temática em “Morbid Desires”? Qual a ideia principal deste disco?
Sarke: O “Morbid Desires” não é um disco conceptual e não há uma temática que se repita! As letras giram em torno do espírito desta banda e giram à volta de mitos, natureza, morte e escuridão!
HellHeaven: “Salme II” foi o primeiro, e muito bem recebido, primeiro single! Pelo meio existe um toque (quase) Flamenco que, convenhamos, acrescenta um toque mais negro e ao mesmo tempo luminoso ao tema. De onde surgiu essa ideia?
Sarke: A ideia vem do “Salme I” e queríamos continuar no mesmo estilo mas ter um elemento surpresa na música! Gostamos de acrescentar novos elementos na nossa música e temos feito isso desde o primeiro álbum!
HellHeaven: Também a “Fossegrimens Vakt” é um exemplo deeses elementos que falas, sendo um tema, maioritariamente, acústico e com uma abordagem mais mid-tempo. Com isso em mente dirias que existe um clima de “falso controlo” no disco? Qual foi a abordagem ao disco?
Sarke: Os Tulus sempre experimentaram várias coisas! Gostamos de colocar diversas atmosferas para quebrar a música e dar ao ouvinte diversidade! Para nós enquanto banda é muito bom fazer coisas diferentes em estúdio!
HellHeaven: Todos os elementos da banda cresceram nos “tempos negros” na Noruega no que diz respeito ao Black Metal e no meio de todo o caos desses anos! Ao fim de todos estes anos como olhas para os homícidios, igrejas queimadas e toda a controvérsia?
Sarke: Para nós o foco sempre foi a música! O que mencionas eram coisas que víamos na televisão e nos jornais! Claro que convivíamos com os Mayhem, Darkthrone e todas essas bandas, contudo não éramos assim tão próximos! No que diz respeito à música, foi um período muito fixe! Era escuro, misterioso e muito criativo! Era uma cena muito pequena comparado com a actualidade!

HellHeaven: Com isso dito, o Black Metal passou por várias mutações, não apenas na música mas também na estética. Como olhas para o género na actualidade?
Sarke: Começa logo pela quantidade de bandas, são incontáveis! (risos) Existem musicos muito bons, como em todos os géneros, existem boas e más bandas! Ainda que o Black Metal seja um género bem conhecido continua a ser um pouco underground!
HellHeaven: Com o disco prestes a ser lançado, quais são os planos para levar os Tulus para a estrada e o que vos falta conquistar ao fim de tantos anos?
Sarke: Queremos tocar ao vivo e tudo vai depender se alguém nos vai querer ver tocar! Quanto a conquistas, a pimeira questão que me vem à cabeça é: O que conquistámos? (risos) Claro que lançar álbuns e tocar em diferentes países é uma grande conquista, no entanto, prefiro contornar a questão! Gostava que maispessoas descobrissem e explorassem a música de Tulus!
HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para os vossos fans portugueses?
Sarke: Os Tulus nunca foram a Portugal mas é algo que, para nós seria fantástico! Esperamos que algum promotor ou festival nos queira agendar!
