HellHeaven: Olá! Parabéns por «You're Weak And You Know You're Weak» que está quase a sair. Como se sentem em relação a este álbum e quais as vossas expectativas?
Sam: Criámos uma obra-prima absoluta, o auge do death metal, por isso espero que todos a ignorem e que desapareça da vista do público numa semana após o lançamento. Os singles terão centenas de visualizações no YouTube, cada publicação no Facebook sobre o álbum receberá três gostos. Somos todos velhos e nada atraentes, por isso ninguém se preocupa com o que fazemos. A única forma de nos tornarmos virais é se um de nós apanhar ébola. (risos)
HellHeaven: Acabaram de lançar um videoclipe para “Tank Habit”. Fala-nos das ideias por trás dele e de como está a ser recebido.
Sam: Originalmente, tive a ideia de irmos a um parque militar no interior e passarmos um dia incrível a ser filmados a andar em tanques, o que obviamente combinava com a música. Depois lembramo-nos que não gostamos de nos esforçar para fazer nada, por isso optámos por uma tarde em estúdio com efeitos especiais. (risos) Só que os efeitos especiais não resultaram, por isso usámos cores giras e imagens de coisas a serem destruídas por tanques, e foi isso. Fiquei devastado, era para ter uma cena minha a fazer sexo com um tanque, mas acabou por parecer que estava a fazer sexo com um lençol verde amassado, por isso tivemos de a cortar. (risos) O público não espera muito de nós, por isso parece estar a adorar, provavelmente da mesma forma que um sobrinho maluco conquista a admiração de todos por poder comer cereais em vez de estar a engolir cola.
HellHeaven: Este é o vosso sétimo álbum. Em algumas tradições, o sétimo filho de um sétimo filho está associado a lobisomens. Dado o nome da banda, este número tem algum significado especial no contexto do álbum?
Sam: El Lobizon? Sempre pensei que o sétimo filho de um sétimo filho fosse um feiticeiro. Enfim, não há nenhuma relevância numerológica com este álbum, não conseguimos contar além de três. Teríamos quatro membros na banda, mas isso deixar-nos-ia completamente confusos. (risos)

HellHeaven: O álbum é muito direto: ganchos um após outro, sem baladas ou truques sofisticados. Vês este aspecto primal associado à natureza da banda enquanto lobisomens?
Sam: Para ser honesto, acho que ainda não fizemos um álbum juntos que não seja direto e visceral. Foi sempre assim que fizemos música juntos. É engraçado, quando gravámos o nosso primeiro álbum, acabámos e ainda não tínhamos um nome para a banda. "Werewolves" (Lobisomens) combinou na perfeição. Temos uma abordagem raivosa e selvagem que combina com o nome e que se opõe ao death metal clínico, polido e sem emoção que é tão difundido hoje em dia.
HellHeaven: A música “Burn It To The Ground” termina com o breve discurso: “Na Austrália existem milhões de bandas, mas são todas uma merda”. Hoje em dia, muitas bandas australianas alcançaram sucesso internacional. Piadas à parte, qual é a vossa opinião sincera sobre a cena metal australiana?
Matt: Continua uma merda! (risos)
Sam: Ok, bastante saudável na verdade. Muitas bandas, muitos concertos, nível muito elevado, muitos artistas underground a lançar coisas incríveis e a desaparecer sem deixar rasto uns anos depois, muitas bandas em digressão pelo mundo. Toquei num festival chamado Necrosonic no início do mês, eram quase só bandas australianas, com excepção da cabeça de cartaz, e tinha cerca de mil pessoas. Eu e o Matt vamos tocar com os Berzerker noutro festival no início do próximo ano, chamado Froth&Fury, em Adelaide, uma cidade mais pequena, mas recebendo mais de 5.000 pessoas, com bandas maioritariamente australianas e algumas internacionais. E isto sem falar dos GRANDES festivais como o Good Things. Há um caminho claro para as bandas de cá saírem de concertos em pubs, passarem por festivais mais pequenos e chegarem aos grandes festivais. Portanto, sim, a situação está muito boa agora.
HellHeaven: Os Werewolves juraram lançar dez álbuns em dez anos, ou cometer suicídio coletivo se falharem. Contem-nos mais sobre este pacto. Que pressão sentem para alcançar este objectivo? E actualmente como vêem as vossas hipóteses de sobreviver?
Sam: Na verdade, estamos a desejar a doce libertação da morte. (risos) O Matt e o Dave já terminaram as suas partes para o oitavo álbum e eu ainda nem comecei a aprender as minhas, quanto mais a escrever as letras. Só de pensar nisso já me dá vontade de chorar. (risos) Portanto, não há pressão nenhuma. Se falharmos um prazo, é do género "ainda bem", BOOM, vamos rebentar com a cabeça e finalmente descansar. Achámos que a ideia dos dez álbuns em dez anos era gira na altura. No entanto, o Matt viu um vídeo de Pete Sandoval a tocar aos 62 anos e disse-nos que agora vamos fazer vinte álbuns.

HellHeaven: Como trabalham para alcançar esse objectivo? Planeiam cada álbum individualmente? Ou preparam antes um grande conjunto maior de músicas que são depois atribuídas aos álbuns?
Sam: A maioria dos álbuns é planeada individualmente. O Matt compõe as músicas para cada um, não existe um grande repositório de faixas à espera de serem atribuídas. Penso que gravámos os álbuns 3 e 4 ao mesmo tempo e depois decidimos que músicas iriam para qual deles, o que foi um esforço hercúleo, mas deu-nos um ano de pausa. Normalmente, temos o próximo álbum escrito quando o actual está a ser lançado.
HellHeaven: E como se organizam para maximizar a vossa eficiência?
Sam: O Matt e o Dave vivem em Melbourne e eu vivo em Adelaide, a cerca de 8 horas de carro, por isso trabalhamos remotamente para dar conta do recado. O Matt faz demos das guitarras, nós ouvimos, são feitas algumas alterações. O Dave vai então para o seu estúdio e grava a bateria. Estas demos voltam para o Matt, que depois grava as guitarras por cima. Depois tudo chega até mim, e eu estrago tudo. (risos) Passo alguns meses a ouvir e a captar a essência da música. O Matt envia-me vídeos do que está a tocar para que eu possa acertar na posição do baixo. Gravo demos de baixo e voz, envio para o Matt (que não ouve), e depois marco uma sessão com o meu amigo Jack Hartley para gravar baixo e voz, normalmente na mesma sessão. Gravo muito mais vozes do que as necessárias para podermos cortar o que não presta ou fazer alterações, e depois a música vai para o Joe Haley. Dá o toque mágico dele e conseguimos uma mistura surpreendente que soa mesmo a música. Este é o processo para todos os álbuns.
HellHeaven: Quão importante é para vocês subirem ao palco antes do lançamento do décimo álbum? Há alguma hipótese de vos ver ao vivo em Portugal em breve?
Sam: É algo de que gostamos. Também estamos muito conscientes de que, na nossa idade, não conseguiremos manter o mesmo ritmo durante muito mais tempo. Costumamos tocar ao vivo algumas vezes por ano. Todos nós estamos noutras bandas, por isso precisamos de nos organizar um pouco para que isso aconteça, e também já não estamos muito interessados em fazer digressões de um mês. Gostaríamos muito de tocar em Portugal, se alguém nos convidasse, aceitaríamos com todo o gosto. Até agora, só recebemos um convite internacional, mas o Dave já tinha uma digressão pelos EUA com os Psycroptic marcada, por isso não aconteceu. O festival SWR ainda acontece?!
HellHeaven: Claro que sim! E continua bastante forte! Obrigado pela vossa disponibilidade. Em relação às entrevistas, a que pergunta gostarias de responder, mas que nunca ninguém fez (e qual seria a resposta)?
Sam: Toco em bandas desde 1999 e já dei centenas de entrevistas. Sinceramente, acho que já me perguntaram tudo o que possa imaginar. E não ajuda o facto de eu ser chato. Não tenho mais nada para oferecer, excepto pelo menos mais três álbuns desta merda e depois provavelmente morrer de ataque cardíaco ou AVC. (risos)
HellHeaven: Por último, que mensagem deixas aos vossos fãs/nossos leitores em Portugal?
Sam: Queremos ir a Portugal, comer toda a vossa carne de porco e tocar todos os blastbeats, seus grandes malucos.
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