“Ubiquitous” marcou a estreia destes lisboetas já com um longo percurso em tantas outras. Numa altura em que se preparam para pisar, pela primeira vez, o palco do Comendatio Music Fest (dia 21 Junho) a HellHeaven esteve à conversa com a banda. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, deixem-me começar por vos dar os parabéns pelo vosso álbum de estreia «Ubiquitous», apesar de já ter saído em Setembro. Como tem sido a sua recepção?
Yokovich: O álbum UBIQUITOUS tem sido recebido de forma bastante positiva e, com alguma surpresa por apresentarmos um trabalho num género musical de INDUSTRIAL METAL que tem sido menos esperado em Portugal. Por essa razão, não apenas registamos boas reviews, criticas e comentários ao álbum, como também, o álbum tem merecido uma atenção particular em Portugal e também alguma a nível internacional, o que é positivo dadas as ambições da banda em mostrar o seu trabalho além-fronteiras.
HellHeaven: Tendo já passado algum tempo, como olham para ele em termos de altos e baixos ao longo do processo de composição, produção e promoção? Ou, até noutras palavras, haveria alguma coisa que gostassem agora de mudar ou fariam de modo diferente?
Yokovich: Todo o processo de produção do álbum ocorreu com bastante naturalidade. Com o Miguel como mentor e visão inicial do projeto, com bastantes ideias desenvolvidas ao longo do tempo, rapidamente se esculpiu o álbum com o resultado das influências dos novos membros que acabariam por formar os YOKOVICH. Já com a entrada do Bruno (Baixista), o Jonas (vocalista) e Manu (Baterista), o processo de finalização das músicas foi-se consolidando com os vários ensaios realizados, simultaneamente à integração dos membros e desse ponto de vista, tudo correu com uma compatibilidade e química essencial entre os membros. Finalmente, a escolhas dos parceiros para a fase decaptação (Estúdios Santa Rosa) e mistura (Daniel Cardoso) foi decisiva e a qualidade alcançada, superou todas as nossas melhores expetativas. Assim sendo, dificilmente faríamos algo de diferente pois UBIQUITOUS foi resultado de um produto muito bem pensado e executado.
HellHeaven: Mas voltando um pouco atrás, apresentem-nos os Yokovich. Quem são os membros? Quando formaram a banda? O que está por trás do nome da banda (e já agora do disco)? Estão (ou procuram estar) associados a uma editora?
Yokovich: Conforme referido, o Miguel é o mentor e visão do projeto que contou com bastantes em resultado de um mix das suas muitas influências. Dada o conhecimento em outro projeto do Bruno (baixista) onde já tinha existido uma excelente experiência e inabalável amizade, tornou-se quase inevitável a colaboração. O Bruno trouxe uma visão complementar, finalização de musicas e preparação de diversas intros. Posteriormente, o Jonas entrou na banda com a preparação de letras e trazendo a melodia e assinatura de voz inconfundível e finalmente, encontramos o Manu que, fechou a parte rítmica de forma sublime. Atualmente, o Manu não faz parte do projeto por motivos particulares, dando lugar ao João Samora que claramente demonstrou estar à altura do projeto face à larga experiência, conhecimento e muita muita estrada.

HellHeaven: A vossa sonoridade mistura um pouco de vários estilos. Para quem ainda não vos conhece, como classificariam o vosso som? E que artistas citariam como referência?
Yokovich: YOKOVICH é claramente uma banda de metal industrial alternativo com influências claras de Depeche Mode, The Prodigy, Nine Inch Nails, e até nomes mais orientados para o Techno/Trance como DJ Tiesto ou Armin Van Buuren. De acrescentara que o guitarrista preferido do Miguel é desde sempre o Dimebag Darrell (Pantera).
Assim sendo o nosso estilo é o resultado de um cruzamento de guitarras pesadas com batidas eletrónicas do género industrial e acrescenta harmonias sombrias dos estilos synth-rock e Grunge. Tal como referido em algumas press quotes que muito bem captaram a essência do nosso som, os YOKOVICH apresentaram com o seu álbum UBIQUITOUS “...um trabalho arrojado que abrange uma vasta gama de estilos musicais, do metal alternativo ao industrial, com toques de rock progressivo, grunge e até nu metal...” ou ainda, que “...mistura eletrónica industrial e metal numa paisagem sonora cimemática...”
HellHeaven: Em Novembro passado, estrearam «Ubiquitous» ao vivo no Tokyo Lisboa, num evento que também contou com os Miss Lava. Como recordam esse espectáculo?
Yokovich: A apresentação de um primeiro trabalho da banda (“UBIQUITOUS”) constituiu um dos momentos cruciais e marcantes da banda. É o momento em que saímos à estrada para fazer o roadtest de um projeto que começa de uma ou mais ideias soltas. Chegar ao produto final é o resultado de um trabalho imenso de produção, criatividade, marketing, logística e muito mais. No seguimento do lançamento do álbum, tivemos a oportunidade de partilhar o álbum “UBIQUITOUS” ao Johnny Lee dos Miss Lava que adorou e, não teve dúvidas a lançar o repto de apresentarmos o álbum num dos concertos já agendados da agenda dos Miss Lava. A simpatia, maturidade e respeito que os Miss Lava cultivam nesta indústria, levou a que não hesitassem em colocar os YOKOVICH como banda de cartaz a propósito da apresentação do álbum... Neste sentido, o concerto foi fantástico e superou todas as nossas expetativas. Como elemento surpresa para quem esteve no concerto, preparámos toda uma produção vídeo com a utilização de um videowall em palco o que, acrescentou toda uma outra dinâmica que elevou a produção áudio visual do concerto. Em suma, a critica presente avaliou este mesmo concerto da seguinte forma “...Embora a noite tenha sido breve, ela deixou claro o potencial gigantesco da banda. Para quem gosta de experimentar diferentes estilos e vivenciar shows que transcendem o convencional, esta banda é uma recomendação indispensável. Desejamos sucesso contínuo aos integrantes e ao álbum Ubiquitous!”

HellHeaven: Pelo que percebi não se tratou apenas de música, pois também incluía uma considerável componente (audio-)visual. Tendo em conta que irão muito em breve tocar no Comendatio Music Fest, podem-nos dizer se podemos esperar este tipo de experiência “hipnotizante”? Ou prevêem que não seja exequível ao ar livre e com a luz do dia?
Yokovich: Efetivamente, o tipo de concerto que conseguimos produzir na apresentação do nosso álbum “UBIQUITOUS” requer condições de visibilidade (ambiente de noite ou indoor) e técnicas. Já tivemos a oportunidade num concerto recente no Algarve, de nos fazer acompanhar de dois ecrãs de 43 polegadas que permitem igualmente criar uma ligação adicional ao público que permite acrescentar uma ligação visual às músicas e, antecipação de partes das letras das músicas de forma que o público possa ser mais participativo, sobretudo para quem ainda não conhece bem o nosso álbum. Vamos ainda analisar a viabilidade de sermos apoiados pelos referidos ecrãs, mas tudo irá depender no momento, das condições do local. Se for possível, não hesitaremos em proporcionar tanto quanto possível a componente vídeo.
HellHeaven: Quais são as vossas expectativas em relação ao festival? E à audiencia?
Yokovich: O Comendatio Music Fest tem sido em nossa opinião, muito competente na preparação do evento e, apresentação de um cartaz de bandas de referência, assim como, bandas que estão a começar ou consolidar o seu caminho. Só por essa razão, pela qualidade do evento, acreditamos que o festival será um sucesso e com bastante afluência. Adicionalmente, e no que concerne à nossa responsabilidade, será nossa prioridade a de potenciar todas as condições criadas para este evento e elevar o mesmo com a realização de uma apresentação poderosa com alguns dos nossos temas mais pesados, mas, não esquecendo temas que trazem uma experiência de um som bastante atmosférico que se coaduna perfeitamente com o Comendatio.
HellHeaven: E quanto ao futuro, quais são os vossos planos? Vão continuar pela estrada? Já estão com vontade de preparar outro disco?
Yokovich: A união entre os membros da banda e o ambiente bastante saudável dos YOKOVICH lança um desafio importante relacionado com a constante partilha de objetivos, ideias, desafios e particularmente, com a ambição do grupo. Fruto desse ambiente, há claramente ambições para seguir com a apresentação do álbum este ano, com particular incidência em Portugal e, gravação em simultâneo de demos das faixas do próximo álbum (até final do ano). Em 2026, será nosso objetivo passar à apresentação do álbum a nível internacional e, dar início as gravações do 2º álbum de estúdio da banda com o seu lançamento, nesta fase com previsão para o último trimestre de 2026.
HellHeaven: O que significa o nome “UBIQITOUS” para nós e de que forma está relacionado com o artwork do álbum e músicas ?
Yokovich: A (capa do) álbum “Ubiquitous” apresenta uma paisagem sombria e futurista que reflete as transformações significativas provocadas pela tecnologia no mundo moderno. No centro, uma figura humana rodeada de chamas simboliza a intensidade das emoções e pensamentos. Esta representação visual ilustra a forma como a IA é omnipresente, amplificando o comportamento humano para níveis extremos, embora muitas vezes com informações ou mensagens contraditórias produzidas pela própria tecnologia (como a AI e logaritmos das redes sociais) pelo que, ambas as figuras robóticas apresentem expressões diferentes.
O álbum explora esta dinâmica e a manipulação extrema da mente humana, realçando as suas vulnerabilidades através de temas como “Burn”, “Society Expectations”, “Gone with the Frost” e “Uncontrollable”. Desta forma, exploramos como a influência digital molda, distorce e controla a natureza humana, retratando uma série de experiências, desde a felicidade à tristeza e, infelizmente, uma tendência alarmante para o aumento da violência e do ódio.
HellHeaven: Por fim, resta-me agradecer-vos a disponibilidade, e pedir-vos que deixem uma mensagem para os fãs/leitores?
Yokovich: A todos os fãs do Comendatio, dos YOKOVICH, do bom convívio, do poderoso cartaz de bandas que irá desfilar no fim de semana do dia 21 e 22 de junho, venham a este festival, desde a primeira atuação, para assistir a todas as bandas que irão atuar. Prometemos apresentar o melhor do nosso álbum, com a máxima energia e, estar convosco para partilhar a experiência ao vosso lado, a ver o concerto das restantes bandas.