EQUALEFT - " as pessoas estão demasiado “sós”, distantes e até desconectadas da realidade. " (Entrevista)

"Momentum" é o terceiro disco para os Equaleft, disco que marca, igualmente,  duas décadas de carreira e que foi, para a HellHeaven um dos grandes momentos de 2024. Como tal, estivemos à conversa com Miguel Inglês para um "resumo da matéria dada". Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Começo por dar os parabéns pelo “Momentum”! Como se sentem em relação a este disco e quais as expetativas em torno do mesmo? 
Miguel Inglês: Sempre que há um novo trabalho existe mais entusiasmo, neste estamos um pouco mais do que o habitual, talvez por ser o 3ºalbum e por estarmos a comemorar os 20 anos de banda. Esperamos divulgar ao máximo este “Momentum”, com bastantes concertos, mas também fazer chegar a pessoas que nunca nos ouviram. 

HellHeaven: Já tiveram oportunidade de apresentar os novos temas em palco como é que foram as reações do público? 
Miguel Inglês: As reações foram muito boas nos concertos que já demos, houve muita energia no público que é algo que este “Momentum” tem bastante.  Muito mais intenso tocar estes temas e o público reage mais e melhor. 

HellHeaven: “Momentum” é o vosso terceiro disco o que, para muitas bandas se revela um desafio. Sentiram essa pressão sobre o terceiro disco ou tudo não passa de um mito?
Miguel Inglês: Com o passar dos anos a dificuldade de uma banda é conseguir a disponibilidade dos seus elementos e também a sua motivação para continuar a fazer a música que mais gosta. Esse é o maior desafio e penso que conseguimos isso através de bastante sacrifício e luta durante este tempo, por isso é gratificante quando ouvimos o resultado final. 

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HellHeaven: De qualquer das formas o “Momentum” fica marcado pela saída do Miguel Martins e a consequente entrada do Nuno Veggy. De que forma essa mudança impactou na conclusão do disco e como olham para a formação actual? 
Miguel Inglês: A transição foi bastante natural, o Nuno era um dos elementos originais e estivemos sempre ligados a ele com a nossa amizade muito próxima. Como tal a química ainda lá estava, apesar de já estarmos já em gravações o input dele para desbloquearmos alguns temas foi muito importante e conseguiu ainda gravar as guitarras. 
 
HellHeaven: Se compararmos este disco com os anteriores percebemos que este será, possivelmente, o disco mais direto e aquele onde os Equaleft colocam toda “a carne no assador”. Sentiram a necessidade de fazer algo mais pesado sem que, no entanto, perdessem as coordenadas do que tem sido o vosso percurso?  
Miguel Inglês: Este foi o álbum que foi mais orgânico, tanto na forma como o compusemos como o gravamos. Menos mecânico, mais humano, muito “in your face” e que encaixa perfeitamente no que somos ao vivo.

HellHeaven: Tal como o anterior “We Defy” os Equaleft têm uma mensagem de resistência e, ao mesmo tempo, de positividade. Acaba por ser fácil ter essa “inspiração” nos tempos que correm? De que forma tudo o que vos rodeia afeta e influência na composição dos temas? Onde necessitam de estar (mentalmente) para criar os temas? 
Miguel Inglês: Todos nós ficamos influenciados pelo nosso dia-a-dia, não há melhor influência do que tudo aquilo que nos rodeia.  Todas as frustrações, dificuldades e mesmo os objectivos alcançados são pontos chave para aquilo que tocamos e escrevemos. Vivemos tempos em que nesta sociedade sente uma falta de empatia por todos o lado, as pessoas estão demasiado “sós”, distantes e até desconectadas da realidade. Sempre fomos uma banda bastante positiva, a música é uma forte arma para se passar mensagem e ao mesmo tempo uma forma de terapia para nós e para os outros que nos ouvem.

HellHeaven: “Momentum” surge duas décadas depois de iniciarem actividades, serve este disco, de certa forma, para celebrar a ocasião ou existe alguma “surpresa” preparada?
Miguel Inglês: Não foi de forma planeada termos lançado no ano que fazemos 20 anos mas sim foi espontâneo.  Queremos nos concertos ir tocando também temas antigos que já não tocamos há imenso tempo e tentar sempre levar pelo menos um convidado para tocar num tema. Aproveitarmos todos estes momentos especiais que são os concertos para podermos celebrar a música e o privilégio que temos em haver público que ouve as nossas músicas.

HellHeaven: Quando olham para trás, o que recordam dos primeiros tempos e qual o balanço que fazem do vosso crescimento e evolução? ´
Miguel Inglês: Conseguimos evoluir bastante tanto em estúdio como ao vivo, fomos sempre fiéis Á liberdade sonora que tínhamos desde o início até agora.  Os anos vão passando, mas o gosto pelo metal continua por cá.

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HellHeaven: Ao longo dos anos a música pesada nacional sofreu uma enorme evolução, não só em bandas, como salas, concertos e público. Como olham para o panorama nacional e o que falta acontecer para que este “nicho” atinja um outro patamar de reconhecimento em termos culturais?
Miguel Inglês: Muita coisa mudou, há cada vez mais bandas e também melhores condições para os músicos poderem gravar e tocar.  Há, contudo, um público mais exigente e que tem mais liberdade de escolha e também uma grande oferta.  Consegue-se mais facilmente fazer datas lá fora do que antigamente e isso foi uma evolução brutal. Nunca houve tantas bandas a fazerem datas lá fora como os Gaerea, Analepsy, the Voynich code, Godiva entre outros. 
Na minha opinião aos poucos o metal vai subindo passo a passo para cada vez mais alcançar novos patamares, o e espalhando por esse mundo fora.

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os nossos leitores e vossos fans?
Miguel Inglês: Esperamos que ouçam o nosso “Momentum” intensamente  e que nos  encontremos em algum concerto nosso ou de outra banda.  Agradecemos todo o apoio ao metal, vivam a música e aproveitem o momento. 
In Groove We Trust.

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