ETERNAL WHITE TREES (Entrevista)

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«The Summer that Will Never Come» é o álbum de estreia dos italianos Eternal White Trees.
A HellHeaven esteve à conversa com Gerassimos Evangelou para conhecer melhor a banda e o que os move. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por dar os parabéns em relação ao vosso álbum de estreia. Quais os pensamentos em relação ao resultado final de «The Summer That Will Never Come»?
Gerassimos Evangelou: Olá a todos! Estamos muito satisfeitos com o que foi criado de forma espontânea e natural. Acreditamos que a nossa música pode chegar a uma audiência que não seja, apenas, parte do Metal.

HellHeaven: Todos vocês já têm um passado noutros projectos e bandas. Como é que aconteceu a criação desta banda e qual o conceito que criaram em termos sonoros?
Gerassimos Evangelou: Como te disse esta banda nasceu de forma natural e sem qualquer pressão. Ao longo de muitos anos fomos estando juntos e fomos partilhando as nossas paixões. Cada um de nós tem os seus projectos mas, aos Domingos tínhamos sempre tempo para umas cervejas, uma canção, uma risada e um riff para colocar num tema. Quanto mais tempo passou fomos, também, sendo capazes de criar algo que, sonoramente, acabou por ser vasto e que que levado a que as pessoas tenham uma reação bastante agradável. Os EWT são diferentes do que já temos feitos noutras bandas, queríamos fazer algo mais leve e menos agressivo, fazer algo que soasse mais maduro. Para nós não fazia sentido estar a replicar o que já fazemos noutras bandas. Foi assim que nasceram os Eternal White Trees.

HellHeaven: A banda formou-se em 2019 e, pouco tempo depois surgiu a pandemia. De que forma esse evento influenciou a evolução da banda, tendo em conta que Itália esteve no «centro do furacão»?
Gerassimos Evangelou: Foi uma situação muito desagradável para todo o Mundo e que afetou todos os sectores, as famílias, os trabalhos e as relações sociais e que, claro, veio criar dificuldades que vão ser difíceis de ultrapassar. Falando apenas de música, foi uma catástrofe! Felizmente fomos conseguindo avançar, ainda que lentamente, trocando os temas a que nos tínhamos proposto, no entanto, quisemos esperar para que tudo passasse para poder estar juntos e passar todas as ideias acumuladas para o «papel»!

HellHeaven: Algo que foi sentindo enquanto ouvia o álbum é que todos os temas parecem uma pintura ou uma fotografia a preto e branco de certas paisagens. Onde resido o segredo e onde necessitam de ter a vossa mente para trazer essas paisagens para a música?
Gerassimos Evangelou: O segredo? Boa questão! Acho que nem nós conseguimos perceber como podem os temas surgir com tanta naturalidade. Talvez venha da união entre os três elementos da banda e a harmonia que fomos construindo ao longo dos anos e, claro, os nossos gostos pessoais. O que te posso dizer é que assim que o Antonio (Billè, guitarra e baixo) estava a gravar uma parte no imediato eu começava a escrever um texto, conseguia imaginar o que queria escrever e depois o Andrea (Tilenni, bateria)dava o seu contributo e o toque final para tudo o que podemos ouvir agora. Espontaneidade e simbiose, talvez seja esse o segredo!

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HellHeaven: O título do álbum remete-nos para um futuro, cada vez, mais incerto e para um presente sem muito colorido. Existe alguma ligação entre os tempos em que vivemos na actualidade ou não há qualquer relação?
Gerassimos Evangelou: Imaginar um ciclo contínuo sem qualquer renascimento também nos faz pensar, há quem possa relacionar estes temas com a pandemia, outras pessoas sobre a vida, outros sobre os sonhos. Esse é o objectivo, criar um mundo imaginário inspirado no contexto emocional e que seja o guia para que o ouvinte possa trazer à vida as suas sensações.

HellHeaven: Existe aqui uma sonoridade que vos aproxima dos, também italianos, Shores of Null ou Swallow the Sun, por exemplo. Serão esses nomes parte das vossas influências que vos levou a ter este som?
Gerassimos Evangelou: Se tivermos em conta as décadas que levamos a ouvir música, é natural que consigamos encontrar uma forma de combinar as emoções que ficam tatuadas em ti. Pessoalmente não gosto de rótulos, no entanto consigo gostar de ser comparado com alguém que recorde algo. Acredito que todo o som tem a sua personalidade, a sua mensagem ou a sua intenção. É natural falar de rótulos, mas prefiro os que surgem com uma audição ou um desenho que possa surgir daí, ainda que seja por breves momentos. Isto são sentimentos e não rótulos!

HellHeaven: Já estás neste meio há algum tempo e muita coisa mudou, inclusivamente na forma como as pessoas ouvem e compram música. Qual a tua opinião sobre esta Era Digital e de que forma pode ajudar uma banda como os EWT?
Gerassimos Evangelou: Tudo muda e tudo evolui! Os meios e as formas podem mudar ajudando uns e prejudicando outros, mas o importante é que a música possa ir chegando longe e ir apanhar os ouvidos e o coração das pessoas. Dou as boas vindas ao digital, ao regresso do vinil e da cassete, mas não podemos esquecer que a música pertence a toda a gente e ninguém se pode negar a ter música na vida. Lembro-me de alguns fans que me escreviam a dizer que no país deles era difícil ter acesso a música, fosse pelo preço ou pelas restrições, por isso acredito que com o Digital esse problema tenha desaparecido. Nunca podes negar a música a ninguém e o beneficio que ela traz!

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HellHeaven: Com o álbum já nas lojas tenho a certeza que querem ir para a estrada. Quais são os planos e, enquanto banda recente, quais os desafios?
Gerassimos Evangelou: A ideia de ir para a estrada é algo que ainda não faz parte das nossas intenções, pelo menos para já. Para já queremos apenas levar o sussurro do nosso som até aos vossos ouvidos.

HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…
Gerassimos Evangelou: Quero começar por agradecer à HellHeaven e a todos os nossos amigos portugueses. Espero que a nossa música seja do vosso agrado.

 

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