“The Horror and the Metal” é o regresso do quarteto sueco F.K.Ü aos álbuns, sete anos depois de “1981”. Sempre fieis aos filmes de horror e ao Thrash, este é o registo que presta homenagem a ambas as coisas. A HellHeaven esteve à conversa com Larry Lethal. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por agradecer o teu tempo para esta conversa, começo por perguntar como queres que trate a banda...F.K.Ü? Freddy Krueger's Underwear? Como preferes?
Larry Lethal: Nós já não usamos o nome Freddy Krueger's Underwear, por isso, agora somos só F.K.Ü, foi algo que optámos já há alguns anos!
HellHeaven: Deixa que te diga que o nome original é bastante criativo mas, se me permites, de que cor era a roupa interior do Krueger?
Larry Lethal: Obviamente nós pensamos que a cor da sua roupa interior há-de condizer com o resto da roupa, por isso há-de ser verde e vermelha mas, também, com alguma mistura de amarelo e castanho, mas não vamos entrar por aí, é demasiado nojento e as pessoas podem não gostar! (risos)
HellHeaven: Falando da banda, anda aí novo álbum chamado “The Horror and the Metal” e, pelo que já apresentaram vocês estão no topo de forma. Como se sentem em relação ao álbum?
Larry Lethal: Muito obrigado pelas palavras! Estamos muito satisfeitos com o álbum e era o álbum que queríamos fazer. Pensamos sempre, antes de fazer um disco, se devemos fazer algo diferente, o que leva a que quem nos ouça não sinta grande diferença, porque continuamos a ser os F.K.Ü e a ser uma banda de Thrash Metal, e as mudanças são sempre, quase, impercetíveis. Mas, para este álbum queríamos fazer um álbum Thrash e sem a componente Punk, por isso fizemos 10 temas clássicos sem fazer muito delas e fazer o melhor, passou muito tempo desde que fizemos um disco, mas adoramos este álbum e parece que encontrámos uma nova energia na banda.
HellHeaven: Já lá vão, quase, quatro décadas desde que a banda começou. Se no inicio alguém vos dissesse que em 2024 ainda estariam a fazer música e a lançar álbuns qual seria a vossa reação?
Larry Lethal: Nunca iria acreditar, como é lógico! Porque tudo começou como uma brincadeira, porque todos os elementos na altura tinham bandas mais sérias, mas queríamos fazer algo divertido, por isso nunca pensámos estar aqui durante tanto tempo. Acho que a razão para a longevidade se deve ao facto de durante todos estes anos nunca fomos uma banda de carreira e nunca quisemos fazer disto um trabalho e fazer discos e andar em concertos quando queremos e não como uma imposição. Nós fazemos porque adoramos isto e não porque somos obrigados!

HellHeaven: A vossa música, ainda que pesada, traz aquela boa disposição necessária, ainda mais nestes tempos cinzentos em que vivemos. Onde é que conseguem encontrar a inspiração e a paz para estes temas?
Larry Lethal: É isto que fazemos! (risos) Quando decidimos fazer um novo disco queremos que seja com a identidade da banda e não tentamos forçar nada! Claro que também fazemos canções de merda, mas deitamos essas fora! Mas quando todos estamos na sala de ensaios percebemos o que funciona. Não lançamos nada com o qual não estamos satisfeitos ou orgulhosos.
HellHeaven: Qual o conceito deste “Horror and Metal”?
Larry Lethal: Uma coisa que sempre fazemos de cada vez que fazemos um disco é não tentar fazer o álbum anterior numa nova versão. Queremos fazer sempre algo diferente, não se trata apenas da música mas, também, do próprio conceito do álbum . O 1981 e era dedicado a um filme de terror lançado nesse ano, e desta vez quisemos fazer algo diferente e manter as coisas simples, de forma a que as pessoas conhecessem o que são os F.K.Ü, e mostrar do que somos feitos, e somos uma banda de Horror e Metal. Não vamos estar a encontrar um titulo arrojado ou engrançado. Foi o nosso pensamento.
HellHeaven: O vosso som tem sido comprado ao Thrash Metal Europeu e Americano, o que, em alguns casos compreendo mas não vejo muita coisa disso, só talvez Megadeth ou Sodom. Estás de acordo?
Larry Lethal: As nossas influências vêm de muitas coisas! Toda a gente gosta de Megadeth, mas não é um nome que vamos utilizar. Temos muitas influências que vão de Testament, Slayer ou Megadeth mas, também, bandas como Carnivore, do Pete Steele ou S.O.D e foi isso que tentámos fazer no inicio, mas actualmente já não pensamos muito nisso. Apenas tocamos Thrash porque é isso que somos!

HellHeaven: Quando pensamos na banda e imaginamos um concerto conseguimos imaginar muita coisa em palco, como descreves um concerto da banda?
Larry Lethal: Tentamos levar algumas coisas para o palco, mas não somos uma grande banda e não temos muito orçamento mas, às vezes, tentamos fazer algumas coisas com alguns amigos que sobem ao palco, mas tentamos não esquecer que somos uma banda de Thrash, ainda que tenhamos os nossos artefactos e os nossos fatos. Mas tudo depende de onde vamos tocar e quais as condiçoes.
HellHeaven: Sendo a banda bastante influenciada pelos filmes dos anos 80, qual é para vocês o melhor personagem de sempre?
Larry Lethal: Dessa altura há muitos mas, tenho que dizer que o maior é o Krueger e foi a ele que escolhemos. Ele tem humor e estilo e não é um assassino normal, não é apenas um gajo com uma faca, ele consegue ser um entertainer. Mas há muitos, o Michael Myers, o Leather Face, o Jason, são todos muito especiais e únicos.
HellHeaven: E qual é o último grande assassino no cinema na vossa opinião?
Larry Lethal: Essa já é mais difícil! Quando os anos 80 acabaram não fizeram muitos grandes personagens e outras tentativas, temos um Jigsaw (Saw) mas ele é apenas um gajo que controla algumas coisas, o “Scream” nem sequer é um filme de horror. Acho que não temos visto aparecer grandes assassinos no cinema desde os anos 80.
HellHeaven: Agora que o disco saiu quais são as expectativas e quais os planos para promover o álbum?
Larry Lethal: Esperamos que as pessoas gostem de nós e ouçam o disco! Já lá vai muito tempo desde o último lançamento. Espero que quem já nos ouvisse continue a gostar de nós e que possamos chegar a mais pessoas. Sabemos que muitas pessoas não conhecessem a banda e será bom chegar a novas pessoas, talvez possamos ir a alguns festivais no Verão mas, o que sei, é que quermos ir para a estrada tocar o álbum.
HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para Portugal…
Larry Lethal: Falem connosco, ouçam o disco, estão todos convidados a falar connosco e se forem promotores podem escrever e podem levar-nos aí! Gostávamos muito! Estivemos em Espanha há uns tempos e seria muito porreiro poder ir a Portugal e, porque não, tentar fazer algumas datas entre Portugal e Espanha!