“I Am the Weapon” é o novo álbum dos veteranos Flotsam and Jetsam e é, també, um manifesto de uma banda que “corre por gosto”! Aproveitando o lançamento do álbum a HellHeaven esteve à conversa com AK Knutson. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por dar os parabéns por “I Am the Weapon”, quais os pensamentos ou expetativas em torno do álbum?
AK Knutson: Não temos qualquer expetativa em relação ao disco, apenas queremos que seja bem recebido! (disos) Os últimos 2 ou 3 discos colocaram-nos numa posição muito boa e estamos muito bem colocados nessa escada da industria musical. Não pensamos estar a conduzir Lamborghinis, apenas queremos fazer disto vida e nada mais! Já andávamos cá antes e estamos a continuar esse caminho, mas ainda não chegámos lá… ainda! (risos)
HellHeaven: A banda formou-se em 1981 e em 1984 estabeleceu-se como Flotsam and Jetsam. Que memórias guardas desses tempos e como olhas para o percurso da banda?
AK Knutson: Lembro-me do entusiasmo quando começámos e de quando começámos a escalada e, claro, construir memórias! Depois lembro-me da última década… só os anos que estão pelo meio é que estão mais cinzentos! Há momentos que nunca vou esquecer, a primeira grande tour com Megadeth, King Diamond e Mercyful Fate; andar a passear num clube e ver o Dennis Hopper na plateia, bilhetes grátis para o pit dos Metallica também foi porreiro! Existem, definitivamente, momentos que fazem desta uma boa carreira! O nosso foco foi sempre o de escrever temas que gostamos e encontrar fans que gostem também!
HellHeaven: Subitamente o Thrash Metal era a “nova cena” e vocês estavam na fila da frente do género. Estavam cientes do que estavam a trazer à cena? Como olhas para o Thrash actual?
AK Knutson: Não tínhamos ideia de que seríamos importantes para tantas pessoas, mas é isso que nos faz andar para a frente! Os nossos fans são as pessoas mais porreiras do planeta, são muito inteligentes e recetivos às palavras, letras e no que sentem em relação à música...eles sentem o que fazemos! Ao mesmo tempo que vamos ficando mais velhos os nossos seguidores vão-se transformando em família e não apenas pessoas que pagam para nos ver! Algumas bandas atuais fazem tudo ao contrário, temos de ser humildes para essas pessoas que abdicam do seu salário para ver as bandas a partilhar o talento e que compram o merchandise! Devem dar sempre aquele pouco de atenção nem que seja, apenas, para agradecer!
HellHeaven: Desde a formação da banda que muita coisa mudou, não só na industria, mas também na forma como as pessoas consomem música! Como olhas para esta nova era e para esta (r)evolução nos consumidores?
AK Knutson: Ainda estou a tentar perceber o que raio se está a passar! (risos) Os discos já não vendem, as bandas já não fazem dinheiro e há programas que escrevem hits muito mais rápido! Só o Spotify faz dinheiro com os nossos discos e nem sequer vemos uma fração disso! A única forma de fazer dinheiro é través do merch… ou então teres uma banda gigante! Só assim consegues ter garantias e fazer com que as coisas funcionem! O ouvinte nem consegue perceber que está a ser roubado de uma ligação emocional com a música e isso é, na maioria das vezes, o melhor do entretenimento! Existiam milhares de bandas e 100 milhões de fans, actualmente há 100 milhões de bandas e isso cada banda recebe um fan! (risos)
HellHeaven: O Metal também mudou e, de repente, deixou de ser um género underground e mal visto para um género adulto e visto com outros olhos. Na tua opinião o que mudou? Os fans? A industria ou algo mais?
AK Knutson: Acho que a industria do entretenimento foi apanhada de surpresa com a forma como bandas como Iron Maiden, Judas Priest ou Metallica se fizeram sentir e do quão difícil é tocar esta música! Acho que esse foi o momento de viragem e quando o Metal se firmou e disse que não era apenas barulho e que somos músicos!
HellHeaven: Este álbum é um típico disco de F&J, contudo parece ser mais diverso sem que perca alguma intensidade ou, digamos, marca d’água no vosso som. Qual o desafio a que se colocam enquanto banda?
AK Knutson: Nunca temos um plano ou uma direção quando estamos a compor, e já disse isto várias vezes! Escrevemos música que gostamos de ouvir!, no entanto queremos sempre que o disco seja mais bem recebido que o anterior! Esse sempre foi o caminho! Ter algum desafio para ti próprio é sempre um desafio e é sempre positivo, mantém-te com os pés na terra e o nosso passa por ser melhor que nos disco anterior!
HellHeaven: Os primeiros singles foram bem recebidos, isso cria alguma ansiedade na banda? Ainda existem aquelas borbuletas no estômago nas vésperas de um lançamento?
AK Knutson: Cada single, cada concerto, cada público ou audiência traz sempre algumas borboletas! A«Quando amas o que fazes queres que as outras pessoas também gostam! É uma coisa muito natual querer a validação por aquilo que gostas, mas não tenho qualquer problema em esperar pelo lançamento!
HellHeaven: O título do disco é bastante forte mas, no entanto, parece ser um manifesto da banda, contudo com um conceito mais abrangente. Existe alguma ligação entre os temas?
AK Knutson: Não existe uma ligação entre os temas! Tentamos manter as coisas simples sem que percam interesse! Existem alguns temas que têm alguma ligação com a capa, contudo a mensagem é simples: Os Flotsm & Jetsam são “A” arma! Somos Flotzilla e não podemos ser parados ou rebaixados! Devoramos tudo pelo caminho e não fazemos prisioneiros… musicalmenta falando! (risos)

HellHeaven: Alguns dos temas colocam-nos a pensar, especialmente em “New Kind of Hero” ou “Kings df the Underworld”. Qual a história desses temas?
AK Knutson: A “New Kind of Hero” é uma projeção dos nossos tempos! Quem quer ser herói nos tempos que correm? Ninguém te agradece, está coberto de dúvida e num mundo ingrato! Ninguém faz as coisas por ser a coisa certa a fazer, tudo tem, de uma forma ou de outra de ser pago! Posso-te salvar, mas estou ocupado, aguarda! Talvez entre em contacto contigo! Esta é a nova atitude dos heróis!
HellHeaven: O disco anterior foi lançado em plena pandemia e não existiu a oportunidade de o apresentar em palco. O que estaão a preparar nesse sentido?
AK Knutson: Já falamos sobre o set de algum tempo a esta parte! Temos estado a fazer um setlist a pedido há já algum tempo e achamos que é altura de dar m período de descanso a alguns dos favoritos e tocar mais coisas novas! Gostava de abandonar um pouco os temas dos últimos 3 ou 4 discos! Fazer alguma coisa do “Blood in the Water”, é o que temos feito e tem corrido muito bem!
HellHeaven: Vamos voltar a 1981! Se alguém te disse que ainda estarias aqui ao fim de 40 anos e com esta carreira, qual seria a tua reação?
AK Knutson: Isto é tudo o que sempre quis e toquei em sítios que só a imaginação poderia dizer! Só gostava de ter o dinheiro que a fama dá… isso seria fantástico… (risos)

HellHeaven: Já tocaram em Portugal várias vezes , quando podemos esperar o vosso regresso e qual a mensagem que deixas…
AK Knutson: Adoro Portugal! É um dos meus locais favoritod para tocar e estar! Adoro Porto e Lisboa! Vamos colocar Portugal e Espanha no nosso mapa! Não desistam de nós, queremos muito voltar aí!