FONTE - "Infelizmente não sou um “foodie” ao nível do Isaltino Morais" (Entrevista)

“Medomorfose” é o, aguardado, novo disco dos Fonte e traz uma máquina Punk Hardcore com Metal lá dentro fruto de uma maior integração do Senhor Paulo Gonçalves ma voz! Este é um disco a descobrir e a HellHeaven esteve à conversa com Diogo Bentes (guitarra) e Paulo Gonçalves (voz). Entrevista: João Gama

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum “Medomorfose”. Como está o novo material a ser recebido até agora?
Diogo Bentes: No geral, este trabalho está a ser bem recebido. Já tocámos grande parte do disco ao vivo e o feedback tem sido extremamente positivo. Acreditamos ser uma evolução considerável em relação ao disco anterior, no que toca às temáticas abordadas e à própria composição, e a diferença sente-se no público que nos acompanha.
Paulo Gonçalves: Tem havido alguma curiosidade por parte de quem já conhece os Fonte em saber como a banda iria soar comigo na voz, uma vez que apenas tinham noção da coisa nos concertos. Creio que não desiludimos, diria até que conseguimos surpreender.

HellHeaven: No passado, foram os vencedores do concurso de bandas, Vagos 2022. Quão importante foi esta vitória para a banda?
PG: Foi uma conquista importante no que toca a colocar os Fonte no panorama nacional e darmo-nos a conhecer. Para alguns foi a primeira vez num palco e evento com a dimensão do Vagos e souberam cumprir com tomates! Aos poucos, vamos chegando a mais gente.

HellHeaven: Foi ainda no concerto no Vagos Metal Fest, que oficializaram alterações de formação. E atualmente, quem são os Fonte?
DB: Atualmente, Fonte é composto por Paulo Gonçalves (vocalista), Diogo Bentes e Duarte Freire (guitarristas), Pedro Carvalho (baixista) e Diogo Belo (baterista).
PG: O que o Bentes disse.

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HellHeaven: E o novo “Medomorfose” é o vosso segundo longa-duração, sucessor de “Já Dizia o Outro”. O disco revela a mesma identidade dos Fonte com elementos de thrash e hardcore. Mas, nota-se, por exemplo, que o novo som tem uma qualidade mais moderna, e incorpora também um lado mais melódico. Como descreveriam esta vossa evolução? E como definiriam a identidade dos Fonte?
DB: Como referi, este disco é uma evolução considerável no que toca ao anterior. Isto deve-se a vários motivos. O primeiro disco foi, grande parte dele, escrito para um primeiro vocalista. Após duas alterações de vocalista, optámos por alterar algumas temáticas de forma a corresponder melhor com o vocalista que gravou o disco. Foi um processo demorado e resultou no primeiro disco que conhecemos e adoramos. Para “Medomorfose”, e estando já numa fase estável com o Paulo ao leme, a composição revelou-se de forma simples e natural, sempre com a potente voz e personalidade do Paulo em mente. Acaba por ser um disco mais moderno, com muitas influências, de muitos artistas e subgéneros. Não irei rotular o nosso som, deixamos isso ao critério dos nossos ouvintes. Existe um pouco de tudo, e penso que isso é o que mais nos define, juntamente com o facto de cantarmos na nossa língua nativa.
PG: Diria que foi um amadurecimento natural e não imposto às minhas capacidades. Houve aqui uma vontade conjunta e deliberada em nos afastarmos do rótulo de “banda de Hardcore” e evoluir o som dos Fonte para uma coisa bastante mais pesada já mais dentro do espectro do Metal, com todas as suas nuances que tornam a nossa sonoridade talvez um pouco difícil de rotular. Para mim, o Bentes neste trabalho deu um passo gigante no que toca à sua capacidade de composição, super versátil, uma verdadeira esponja de informação e uma ETAR em constante descarga na criação de riffs e música - no melhor dos sentidos, obviamente.

HellHeaven: O que está por trás do título “Medomorfose”? Está de algum modo, também, relacionado com a vossa evolução enquanto banda?
PG: A música “Medomorfose” é, como talvez nas restantes músicas, sujeita à interpretação livre de quem a ouve. E é assim que deve ser! Conforme o estado de espírito de alguém, Medomorfose pode ter um tom positivo, de renascimento, ou ter uma componente mais soturna, e ver ali uma música que divaga na auto comiseração e inquietações internas.
No que a mim diz respeito, Medomorfose foi um jogo de palavras - para os mais distraídos, com Metamorfose, mas potenciada pelo medo. O medo da mudança, ou a mudança através do medo foi onde mais me baseei para a letra da música.

HellHeaven: Outra característica importante, são as letras críticas e directas e, que estão em Português. Quem as escreve? E qual a vossa motivação para as mensagens que passam?
DB: Sempre fui o principal compositor e letrista, e curiosamente, quando surge a banda eu tinha uma certa aversão ao conceito de escrever em Português. Sempre ouvi muita música internacional, sempre em Inglês, e não me soava natural ouvir metal cantado em Português. Com o tempo veio o hábito e hoje não imagino os Fonte de outra forma. Tornou-se uma característica definitiva da banda. O facto de cantarmos em Português, e a sorte de termos um vocalista com uma dicção clara e concisa, ajudam a que a mensagem passe com facilidade. E para nós é importante a mensagem ficar, pois em grande parte dos temas falamos de tópicos comuns, que afetam a nossa sociedade e a cada um de nós como indivíduos.
PG: O Bentes disse basicamente tudo. E nos tempos em que vivemos hoje, o que não falta é assunto para dissecar em músicas dos Fonte!

HellHeaven: O disco fecha com “Alquimista”, uma faixa que se revela uma surpresa: é bem mais longa ultrapassando os sete minutos, é provavelmente a mais moderna, mas também mais bruta, ao mesmo tempo que tem um toque épico, encerrando o disco na perfeição. O que nos podem contar sobre esta música (quem a compôs, porque “destoa”, e como veio parar ao disco)?
DB: Alquimista é um daqueles temas que surge e nem sabemos bem de onde veio. Como grande parte dos temas, escrevi em casa, no meu mini-estúdio, enquanto estava em modo Hiperfoco. Alguns riffs já vinham de temas descartados, ou de uma pasta intitulada “riff dump”, onde por vezes largo riffs sem nexo. Outros riffs surgiram na hora, e rapidamente se formou o tema. Enquanto surgia, percebi que teria que ser algo especial, maior, mais épico, pesado, e certamente iria fechar o disco. A letra está sujeita a interpretação. Podendo ser analisada do ponto de vista do sujeito, que idolatra um Deus oculto, ou do ponto de vista de terceiros, que poderão ver este sujeito como alguém desligado da realidade, e que dedica a sua vida a uma causa que existe apenas na sua mente. Ambas a interpretações estarão corretas, sendo que a segunda é a que mais fará ligação à temática geral do disco.
É talvez o tema que mais gosto no disco, por estes motivos e tantos outros.
PG: É a prova maior de que os tempos do Hardcore vão um pouco longe, passámos de músicas de 3 ou 4 minutos para um quasi-prog kind of thing.

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HellHeaven: Existem já vários vídeos disponíveis para alguns dos singles? Como seleccionaram estes temas? O vídeo para “Dissolução” é uma compilação de actuações ao vivo, podemos esperar mais gravações deste género?
DB: Neste momento, temos 5 clipes de temas de “Medomorfose” lançados: Medomorfose, Dissolução, Ego, Comiserável e Nuvem, sendo que a Ego e a Nuvem são lyric videos.
Idealmente, gostaríamos de ter vídeos para todos os temas do disco, veremos se será possível para os restantes 2 temas.
PG: Eventualmente faremos mais vídeos que compilem imagens de concertos, sim. E ainda estamos numa fase muito embrionária no que toca a ideias para vídeos de Ignóbil e Alquimista. A seu tempo sairão.

HellHeaven: Em relação a entrevistas, há alguma pergunta a que gostariam de responder, mas que nunca vos foi feita? Se sim, qual (e qual a resposta)?
PG: Nunca me perguntaram o que é que jantei ou almocei antes das entrevistas. Mas também acho que não é muito relevante. Infelizmente não sou um “foodie” ao nível do Isaltino Morais…

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Lançamos um olhar na primeira pessoa sobre "Medomorfose"! Tema a tema a banda revela o que está por detrás de cada tema.

Ego: Abre o disco com uma introdução digna, e em 5 minutos apresenta a génese de Fonte: Thrash e Groove. Fala sobre narcisismo e a forma como afeta a vida dos que o rodeiam.

Medomorfose: À semelhança do termo “metamorfose”, Medomorfose navega nos meandros mais inquietos da nossa mente. Adversidades que nos obrigam a mudar, mesmo que antes disso tenhamos de fazer uma enorme travessia no deserto.

Comiserável: Porque gostamos de ter sempre um tema mais lento no disco. Negro e pesado. Fala sobre tirania e como um povo acaba sempre por se rebelar contra aqueles que ousam roubar a sua liberdade e recursos.

Dissolução: Uma história de uma relação falhada, em que o sujeito sofre por desprezo e indiferença.

Ignóbil: Fala do trabalhador comum, que não passa de uma peça na máquina laboral, facilmente substituível. Groove para toda a família.

Nuvem: Uma homenagem às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande. Todos os anos sofremos com incêndios um pouco por todo o país, e há que consciencializar um pouco sobre este tema.

Alquimista: Alguém desligado da realidade, e que dedica a sua vida a uma causa que existe apenas na sua mente. Groovado, progressivo, melódico, épico. Ouçam e digam de vossa justiça.

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