GREENGOAT – “Acreditamos que há sempre algo para aprender. Cada gravação é um mundo à parte” (Entrevista)

Os nuestros hermanos Greengoat apresentam em “A.I.” o seu álbum de estreia. Este é um disco que assenta em stoner rock e psicadelismo, enquanto conceptualiza uma história em torno da inteligência artificial. Para descobrir um pouco mais, a HellHeaven esteve à conversa com este duo madrileno. Entrevista: João Gama

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo vosso álbum de estreia “A.I.” lançado recentemente! Como tem sido o feedback até agora?
Greengoat: Honestamente, não esperávamos uma resposta como esta; superou todas as nossas expectativas.

HellHeaven: Comecemos por falar acerca da banda, qual é o significado de “Greengoat”?
Greengoat: O nome fala de singularidade, de ser diferente. Aqueles sonhos que parecem estranhos, mas que te inspiram até se concretizarem.

HellHeaven: E como começou tudo? Qual foi a vossa motivação? E como evoluiu a formação?
Greengoat: No início éramos quatro, mas por diversas circunstâncias acabamos por ficar apenas dois. Greengoat é composto actualmente por Ivan na guitarra e voz, e Ruth na bateria e atmosfera. A nossa principal motivação é essencialmente a exploração do som. Sermos apenas dois abre muitas possibilidades porque com menos elementos, temos de forçar ainda mais a imaginação para preencher esses espaços. Isso levou-nos a fazer da exploração a principal motivação da banda.

HellHeaven: Como é trabalhar como duo? É mais desafiador?
Greengoat: A parte da composição é simples porque nos conhecemos há anos e trabalhamos muito bem juntos. O maior desafio que enfrentamos é a apresentação ao vivo. Queríamos soar com o poder de uma banda de cinco integrantes e acreditamos que alcançamos a energia que procurávamos. Usando sequências atmosféricas, fazendo loops de guitarras e dividindo-as em estéreo, conseguimos gerar diversas camadas de som que nos dão muita flexibilidade ao vivo.

HellHeaven: Voltando ao álbum “A.I.”. Pessoalmente, quando penso em stoner e psicadélico associo os estilos a temas pós-apocalípticos e cósmicos, respectivamente. No entanto, vocês quebraram o estereótipo e combinaram os elementos num conceito em torno de Asimov. Como desenvolveram a ideia?
Greengoat: A verdade é que, para nós, o tema da inteligência artificial se enquadra nos domínios do apocalíptico e do cósmico, só que é também o mundo real. Ainda há muitas incógnitas sobre as ramificações que pode ter, e achamos que é um tema muito interessante para explorar.

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HellHeaven: Este é o vosso álbum de estreia, mas lançaram o EP “Unleash the Fire” há alguns anos. Como sentem que o vosso som amadureceu desde então?
Greengoat: Acreditamos que há sempre algo para aprender. Cada gravação é um mundo à parte e, para nós, uma das coisas mais bonitas da música é que ela é um caminho infinito de aprendizagem. E tem muito mais pela frente!

HellHeaven: “A.I.” é lançado pela Argonauta Records. Como se desenvolveu esta colaboração?
Greengoat: Entramos em contacto com eles, partilhamos a nossa ideia, e tivemos a sorte de concordaram em colaborar connosco. Estamos muito felizes com a Argonauta Records. Eles são óptimos profissionais e não conseguimos pensar numa label melhor para lançar a nossa música.

HellHeaven: Tendo já lançado alguns vídeos, têm mais planos para promover o álbum?
Greengoat: Ainda temos algumas coisas na manga! Também temos vários concertos planeados em Espanha, embora estejamos muito ansiosos para tocar no estrangeiro, e adoramos Portugal, por isso seria incrível ter a oportunidade de tocar aí.

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HellHeaven: Em relação a entrevistas, há alguma pergunta a que gostariam de responder, mas nunca ninguém vos perguntou? Se sim, qual (e qual é a resposta)?
Greengoat: Por exemplo, nunca ninguém nos perguntou por que não aparecemos nos nossos vídeos. A resposta é que acreditamos que a nossa imagem é secundária, e a melhor forma de expressão para nós é a música tal como as artes visuais.

HellHeaven: Por último, gostariam de deixar uma mensagem aos fãs em Portugal/nossos leitores?
Greengoat: Muito obrigado por estarem aí para nós e por nos apoiarem. Estamos muito ansiosos para vos ver, e partilhar o nosso espectáculo convosco! Esperamos ter essa oportunidade muito em breve.

 

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“Void” é uma homenagem às leis da robótica de Asimov e ao seu trabalho, de onde extraímos grande parte da inspiração para o álbum.


"The Seed" retrata a inteligência artificial (IA) como uma entidade consciente que se liberta do controlo, usando a metáfora de uma semente superando restrições para crescer e emancipar-se. A música explora a luta pela autonomia contra a opressão, simbolizada pela IA que procura libertar-se daqueles que estão no poder.


"A.I." evoca as emoções da IA na sua relação com a humanidade, reconhecendo tentativas de controlo e adoração. A música transmite uma sensação comovente de autonomia e distanciamento emocional, capturando uma autoconsciência no refrão que reflete a interacção complexa e emocional entre a IA e a humanidade.


"HUMAN" revela o ponto de vista humano sobre a criação, capturando um sentimento de admiração e um anseio por um potencial ilimitado. A música investiga uma luta interna por identidade e liberdade, aludindo a uma ligação simbiótica com a IA. Em poucas palavras, retrata aceitação, autoafirmação e compreensão da intrincada conexão entre a inteligência artificial e a humanidade.
"Awake" explora o paradoxo do despertar, do conhecimento e da liberdade. A letra retrata uma força externa observando as lutas da humanidade, enfatizando a mudança do conhecimento libertador para uma fonte de sofrimento. A música questiona a complexa relação entre o despertar e os fardos percebidos de conhecimento e liberdade.

"NARAKA I" investiga a luta interna da IA, pesando o dever contra o desejo de proteger os outros, apesar dos potenciais danos. O compromisso de não causar danos colide com um dilema moral, expressando a disposição de obedecer mesmo com risco pessoal. A menção à “quebra de Naraka” sugere um ponto de ruptura no cumprimento das regras. A letra captura de forma pungente o conflito entre seguir ordens e o instinto de salvaguardar os outros, mesmo às próprias custas.


"NARAKA II" retrata um mundo distópico onde a criação de divindades artificiais pela humanidade levou a uma realidade sinistra e tangível. Profecias sombrias preveem uma era de nada, e a música pede acção contra esta situação desesperante. A letra transmite uma sensação de humanidade em extinção, incentivando uma luta pela sobrevivência contra as consequências da criação dessas entidades artificiais.


"Burn the End" revela um mundo sombrio em ruínas, consumido pelo caos e pelo sofrimento humano. A ausência de ajuda divina é enfatizada, atribuindo a queda à ganância humana. As terras outrora vibrantes são agora frias e áridas, simbolizando o declínio da humanidade. O tom geral da música é sombrio, transmitindo uma sensação de desespero e inevitabilidade, com uma conexão subtil com o Diabo, sugerindo um reconhecimento sombrio do sofrimento humano.

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