“In the Absence of Faith” é o mais recente EP do quarteto Heads For The Dead e serviu de pretexto para a conversa com Jonny Petterson que nos desvendou os segredos dos filmes que deram em música. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo EP “In the Absence of Faith”. Como te sentes em relação a este lançamento?
Jonny: Muito obrigado! Estou muito satisfeito com este lançamento, é parte significativa da evolução da banda ao mesmo tempo que mantém as nossas origens intactas!
HellHeaven: Todos vocês estão envolvidos em outras bandas, como é que fazem a gestão de tempo para manter a banda activa e quais são os desafios?
Jonny: Para mim não há qualquer desafio! Arranjo sempre tempo para a música de forma a que possa dar a cada banda e canção o esforço necessário que merece. Dediquei o meu tempo e vida à música e a fazer partes para motas e, além do meu cão, tudo o resto é secundário! (risos)
HellHeaven: Todos os temas do EP são inspirados em filmes que retratam a perda de fé ou a crença, se preferires, em tempos extremos. Em que filmes foram encontrar a inspiração e como foi transpor isso para a música?
Jonny: Queríamos que cada tema representasse o sentimento que tens quando vês o filme, seja em temas como possessão como o “The Exorcist” e “The Rite” ou perder a fé em tudo o que é bom no “Apocalypse Now”. Tudo se resume em encontrar o sentimento que coloca o espectador desconfortável e tornar isso em música.
HellHeaven: Ainda que o EP se baseie em filmes, de certa forma, perversa, podemos relacionar com os tempos em que vivemos. Como olhas para o Mundo actual onde, na verdade, todos parecem ter perdido a fé? Como podemos inverter esta tendência?
Jonny: O que estamos a viver no Mundo não é algo só de agora mas que já vem de há muito tempo. Todos vimos os sinais e fomos sendo capazes de os parar, mas quando o dinheiro e o poder, se aliam a lunáticos que têm isso mesmo, então, estamos condenados condenados! A Humanidade será o nosso fim e o que espero é que quando o tempo chegar que seja a total aniquilação do ser Humano, nós somos como parasitas, a sugar os recursos do planeta, a matar animais ao ponto da extinção, entre outras coisas das quais também somos responsáveis!
HellHeaven: Falaste à pouco da “Possession” que foi, também, um dos temas que mais atenção me chamou, até porque o tema é inspirado no “Tubular Bells” do Mike Oldfield. Como é que os Heads for the dead se encaixam no Mundo do Oldfield?
Jonny: A introdução da primeira parte do “Tubular Bells” foi escolhida para entrar no filme “O Exorcista”, em 1973, e foi uma peça essencial do filme, inclusivamente inspirou o Carpenter na sua forma de comor música para os seus filmes. Enquanto fazíamos o álbum pareceu-nos a escolha óbvia incluir um dos melhores filmes de terror de sempre.
HellHeaven: O Matt Moliti dos Sentient Horror é convidado especial no EP. O que é que ele traz à banda e qual o futuro dele nos Heads for the Dead?
Jonny:O Matt já tinha participado nos nossos dois discos e é um membro oficial da banda desde “The Great Conjuration”! Ele é um grande guitarrista e eleva os temas a um outro nível! O estilo dele afasta-se dos típico guitarrista solo de Death Metal que é o que uma banda como esta precisa, até porque não nos encaixamos na moldura do Death Metal clássico.
HellHeaven: O último álbum foi lançado em 2022 e agora temos o EP, já existem ideias para um novo álbum? Como lidam com as expectacivas depois de 3 álbuns bem recebidos?
Jonny: Na verdade já começamos a trabalhar em novos temas para um próximo álbum, até já escolhemos os filmes que vamos utilizar como inspiração! (risos) Nunca pensamos muito em expectativas, fazemos isto para nós. O foco será sempre o de criar música que fale por nós e que nos possamos orgulhar, se as pessoas gostarem do que fazemos… será um bónus! (risos)