“Ontological Mysterium” é o mais recente capítulo dos norte-americanos Horrendous e, uma vez mais, fica a certeza que o quarteto está cima de qualquer suspeita e, ao mesmo tempo, lança novas coordenadas na sonoridade da banda. A HellHeaven esteve à conversa com Alex Kulick e Jamie Knox, guitarrista e baterista da banda, respectivamente. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por agradecer o tempo para esta conversa…
Alex Kulick: Olá, obrigado por nos receberes! O teu nome é Nuno? Como o guitarrista?
HellHeaven: Sim, é! (risos) Ele também é português, de uma ilha fantástica chamada Açores, mas eu sou da capital Lisboa, certamente já ouviste falar!
Alex Kulick: Ele é um guitarrista fantástico! Claro que sim, toda a gente conhece Lisboa! Tenho alguns amigos que já aí foram e estão sempre a dizer-me que devo ir! (risos) Todos me falam da comida, da cidade, das pessoas e também que vocês têm muitos metalheads, ouvi dizer que vocês são gigantes! Quem sabe um dia possamos ir aí! Mas, pessoalmente, tenho muita curiosidade com a cidade e quero muito ir!
HellHeaven: Falando do novo álbum, “Ontological Mysterium”, é mais um grande momento dos Horrendous e é um pouco diferente do “Idols”, parece ser um disco mais oldschool mas onde não perdem a identidade que criaram. Qual a tua opinião?
Alex Kulick: Acho que percebeste bem o que quisemos fazer! O que queríamos era experimentar levar a complexidade da nossa música até algo que fosse divertido, tentámos cortar um pouco as “gorduras” e fazer um disco mais direto e assumindo esse risco. Acho que a palavra “directo” descreve bem o álbum. É como se estivéssemos a ir diretamente ao coração de alguns estilos por oposição ao que tínhamos feito no álbum anterior. Ainda há dias em conversa concluímos que não estávamos a querer recuperar um espírito ou soar a determinada banda, mas sabemos as nossas ferramentas e estamos muito confiantes com isso. É comum nos álbuns mais antigos, existir esta espécie de filosofia, mas este pensamento está tão fresco que nem sei se concordo comigo próprio! (risos) O que transporta para o oldschool acho que é a produção que é mais limpa, mas a bateria soa mesmo oldschool e, ainda assim, soar fresco. Acho que é uma forma de preservar os álbuns que ouvíamos quando éramos novos e se as pessoas sentem isso quando ouvem o álbum, então, está porreiro para mim!
HellHeaven: Passaram já 15 anos desde a formação da banda, como é que olham para o percurso da banda?
Jamie Knox: Não sei, não te consigo dar uma resposta! Estamos muito satisfeitos com o que fizemos e sempre que lançamos um novo trabalho ficamos muito orgulhosos e acho que isso tem a ver com o facto de estarmos sempre a puxar por nós e tentar fazer algo novo, isso acaba por ser uma surpresa quando lançamos um novo álbum, do tipo: “wow, nós fizemos isto!!” (risos), tem sido este processo que nos tem levado para a frente. Quando olhamos para trás estamos muito orgulhosos de todos os álbuns que fizemos e há músicas que já não tocamos do”The Chills” mas que estão num lugar no nosso coração!

HellHeaven: Agarrando nesse pensamento, qual será o próximo passo da banda?
Jamie Knowx: Neste momento é difícil dizer o que seja, mas estes tempos estão a ser muito entusiasmantes para nós, ainda que existe uma logística maior para pensar no futuro, mas não vejo razões para para duvidar que algo irá aparecer.
Alex Kulick: Para já estou muito entusiasmado com este álbum e com o facto de o poder partilhar com o Mundo, não sei o que o futuro traz mas tenho um bom feeling sobre isso! (risos)
HellHeaven: Desde o inicio que a banda foi abraçada por público e media, isso foi algo que vos apanhou de surpresa?
Jamie Knox: Na verdade não! Quando começámos a banda éramos uns miúdos a fazerem algo para se divertirem e a verdade é que nem sabíamos se alguém ia ouvir um dia a nossa música. Tivemos a sorte da nossa demo ir parar a algumas editoras que mostraram interesse em nós! O facto de ninguém querer ouvir música acabou por ser a cena mais fixe que aconteceu no planeta! (risos) Ou seja, não tínhamos qualquer ideia ou visão que o balão ia encher desta forma mas, hoje, estamos muito agradecidos pelo apoio ao longo dos anos e estamos a ter uma boa receção a este álbum!
HellHeaven: Vocês já tinham o álbum pensado quando a pandemia atingiu o Mundo, houve alguma coisa que tenham alterado durante este tempo?
Alex Kulick: Ainda ontem o Jamie estava a dizer que foi um presente para o que o “Ontological Mysterium”, porque a pandemia veio mudar tudo! Havia algumas coisas que o Jamie e o Matt estavam a fazer no inicio do processo e que só o tempo lhes permitiu ter a habilidade para pensar nas coisas e alguns temas mudaram do “dia para a noite” até porque chegaram novas ideias e deu para ter uma melhor percepção de todo o álbum.
Jamie Knox: Não houve assim tantas mudanças. É certo que o álbum foi gravado durante a pandemia, mas todo o processo já tinha começado muito antes! No entanto, os confinamentos deram-nos a oportunidade de nos sentar e ter a certeza do que estávamos a fazer e queríamos que este disco soasse como queríamos, o que acabou por levar às mudanças que o Alex estava a dizer.
HellHeaven: Para além desse efeito no álbum a pandemia trouxe maiores desafios aos músicos, de que forma é que isso vos afetou a vocês enquanto banda e indivíduos?
Alex Kulick: Essa é uma questão interessante, porque o Matt e o Jamie estiveram como que ligados durante a pandemia, por isso acho que acabaram por ter uma forma de continuar a veia criativa, até porque conseguiram estar com pessoas próximas deles no sul de Filadélfia. Mas, pessoalmente, tive o meu maior período de tempo sem tocar com outras pessoas em quase uma década e foi difícil! Claro que a pandemia também me permitiu ter tempo para pensar na minha forma de tocar! Colaborei com algumas pessoas fora da banda e isso também me ofereceu algumas coisas mas, ao mesmo tempo, foi como uma crise existencial, até porque não havia concertos e isso é como um guia para a minha vida, percebes o que quero dizer?! Num mês ou três semanas sei que vou ter aquele concerto e isso foi-me tirado e não foi fácil e espero não ter de passar por isso novamente.

HellHeaven: Qual o desafio que colocam a vocês mesmos e como é que tudo se processa em estúdio?
Jamie Knox: Sempre que temos um disco novo, sabemos que temos que nos desafiar uns aos outros, é um pouco como aprimorar as nossas capacidades enquanto progredimos no álbum, estamos constantemente a colocar outras sonoridades e novas técnicas na nossa música, e a tentar acrescentar algo novo. Com este disco passou-se exactamente a mesma coisa e experimentámos muita coisa, principalmente com as vozes onde tentámos ser mais abertos para novas ideias vocais e também nas próprias dinâmicas na música.
HellHeaven: Quanto a digressões, sei que já existem algumas datas nos Estados Unidos mas, acredito que queiram vir também à Europa, existem planos nesse sentido?
Alex Kulnick: Sim, estamos a dar os primeiros passos para ir à Europa, talvez isso possa acontecer no próximo Verão, mas isso vai depender de inúmeros factores, mas é algo em que estamos muito focados em que aconteça! Apenas fomos à Europa para um concerto, mas nunca fizemos uma digressão e é algo que queremos muito fazer, talvez 2024 seja a altura certa! (risos)