IRON SAVIOR - "não me vejo ir para o palco de espada na mão, prefiro uma guitarra!" (Entrevista)

A poucos dias do lançamento de “Firestar” e de uma cirurgia para combater um cancro a HellHeaven esteve à conversa com um Piet Sielck descontraído e pronto para a batalha! Sabemos que a cirurgia correu bem e o músico está a recuperar! Esta foi uma das poucas conversas com o vocalista antes de tudo acontecer. Entrevista: Nuno C. Lopes

 

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HellHeaven: Começo por agradecer o teu tempo para esta conversa. Os Iron Savior já estiveram em Portugal diversas vezes, que recordações tens de Portugal e desses concertos?

Piet Sielck: Foi muito porreiro! A minha mãe viver em São Francisco durante 30 anos e Portugal lembra-me muito a Califórnia, especialmente o nevoeiro e tem a água mais fria do que lá. Nunca tiver a oportunidade de passar muito tempo e descobrir tudo mas digo-te que me apaixonei por Portugal, é um país bastante bonito!

 

HellHeaven: A banda está já nas três décadas de carreira, como olhas para o percuso da banda?

Piet Sielck: Tem sido uma longa caminhada e que tem corrido muito bem e estou muito satisfeito com o que fizemos! Temos um novo álbum e os nossos fans parecem gostar e a continuar a apoioar os Iron Savior! Por isso é muito positivo! Por outro lado é bom que as coisas não se tenham tornado grandes demais e não temos que andar em tour como doidos e, ao mesmo tempo, também não somos tão pequenos que nos obrigue a estar em casa muito tempo, por isso, temos o melhor de dois mundos e isso é muito porreiro! (risos)

 

HellHeaven: O “Firestar” tem muitas questões e histórias em seu redor, especialmente a forma como foi criado e o conceito que criaste e, claro, o impulso criativo que tiveste já no final da composição. Como é que foi criar este álbum?

Piet Sielck: É verdade, este processo foi um pouco diferente do que estou habituado! (risos) Este álbum começou a ser escrito depois do “Skycrest” porque tinha algum tempo livre, mas depois tive que parar para tratar de outras coisas! Depois acabei por ir escrevendo uns temas aqui e ali em intervalos de tempo e tudo soava bem, contudo, depois de começar a juntar todas as peças senti que faltava algo, talvez porque as canções foram escritas durante um longo período, mas enti que falta alguma química entre os temas, então parei! Por isso voltei a sentar-me e, sabendo que faltavam alguns dias para entregar o álbum à editora, e foi nesse período que surgiu a “Firestar” e a “In the Realm of Heavy Metal”, que era o que estava a faltar neste álbum! Para mim essas duas canções é que acabaram por dar a volta ao disco e fazer dele um bom disco!

 

HellHeaven: Há também a história em torno da “Heading Out to the Highway”, a versão que fizeram do tema de Judas Priest, que acabou por ficar na edição japonesa do álbum…

Piet Sielck: Sim, esse tema acabou por ir para o Japão! (risos) Ainda pensei em colocar na versão “normal” mas decido enviar para eles, para eles terem um “doce” (risos), não é que eu goste muito disso, a faixa é muito longa e épica, não que seja um mau tema, mas é demasiado longo para estar no álbum e os japoneses gostam deste tipo de coisas! O mercado japonês não é muito grande, mas não quer dizer que não seja importante para nós, ainda que não seja o maior mercado do mundo! E já que tínhamos mais dois temas, achámos que seria uma boa ideia! Esse tema, em conjunto com a “Firestar” e a “In the Realm...” elevam este álbum e sinto-me muito orgulhoso! Acho que o “Firestar” tem as melhores guitarras dos Iron Savior dos últimos anos.

 

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HellHeaven: Um dos temas que me cativou a atenção foi a “Through the Fires of Hell” que será, talvez, um dos temas mais pessoais que fizeste até porque a dedicas à tua família. Sentiste que era tempo de um agradecimento?

Piet Sielck: Foi algo que já fiz antes e nunca devemos parar de acreditar! Acho que já o fiz no “Titancraft” que fala muito sobre a minha esposa! A família é muito importante na minha vida, claro que tudo o que conquistei na vida o é, mas a família é a minha vida, tenho 3 filhos e um casamento e tudo isto é o mais importante, até é mais importante que a música, se me dessem a escolher entre a família ou a música nem teria que pensar! As famílias estão ligadas por emoções muito fortes e sentimentos, claro que nem sempre é bom, mas há sempre forma de dar a volta! Isso acaba por aparecer em algumas letras, ainda que de forma subtil e outras claras como água, como acontece com a “Through the Fires of Hell”, que é um tema sobre a minha mulher e de como a amo, essa é a história! (risos)

 

HellHeaven: O “Skycrest” foi um disco muito bem recebido, como aliás tem sido comum nos Iron Savior, isso cria alguma pressão para o que vem a seguir? Sentiste alguma responsabilidade com o “Firestar”?

Piet Sielck: O “Skycrest” foi um disco muito forte e bem recebido, acho que está no top 3 dos nossos álbuns, por isso senti um pouco a pressão e, para ser honesto, tinha dúvidas que conseguisse fazer melhor mas, de certa forma, acho conseguimos fazer melhor! Não sei como, mas conseguimos! (risos) Se comparar o “Firestar” com o “Skycrest” diria que o novo é mais 20 ou 25% mais! (risos)

 

HellHeaven: Com uma carreira de 30 anos já assististe a muitas mudanças no Metal. Como é quel olhas para o género hoje em dia e para o facto de ao underground como o Metal passar a ser tão comercial e aceite?

Piet Sielck: Vamos colocar as coisas desta forma, existe Metal e Heavy Metal, mas a essência do género está na NWOBHM, mas isto sou eu, que cresci nessa era e foi o que mais me influenciou! Na generalidade sou aberto a muitas coisas novas que, como artista, não faria e que não tentaria com a minha banda, como por exemplo as teclas do Black Metal, mas gosto do conceito das bandas. Há grandes músicos e cantores, mas eu não o conseguiria fazer! Os nossos relógios estão em horas diferentes! (risos) O mesmo é válido para as bandas que vão para o palco como gladiadores, que é algo que as pessoas gostam mas não me vejo ir para o palco de espada na mão, prefiro uma guitarra! (risos)

 

HellHeaven: Algo que por vezes acontece no processo é as bandas tentarem mudar a meio da viagem e nem sempre corre bem…

Piet Sielck: Era o que te estava a dizer, ainda que as mudanças sejam sempre positivas é necessário que haja dedicação, o que às vezes falta, ainda que os fans possam gostar, muitas vezes vai sempre dar a razões comerciais e não queres ver alguém a vestir as histórias por razões comerciais!

 

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HellHeaven: A espera pelo lançamento de um novo álbum cria sempre alguma expectativa nos músicos, poderemos dizer que é a pior parte do processo mas, ao mesmo tempo, a favorita?

Piet Sielck: É isso mesmo! (risos)É o que odeio mais! (risos) Onde estamos agora é onde estava quando comecei a escrever novo material, tenho de me manter ocupado para evitar os tempos de espera! Contudo desta vez é diferente devido aos meus problemas de saúde (ndr: o músico foi diagnosticado com cancro) com os quais estou a batalhar e, por isso mesmo estou mais preocupado comigo e menos preocupado com o lançamento do álbum, mas é claro que me interessa que o álbum seja lançado e em saber o que as pessoas têm a dizer sobre o “Firestar”!

 

HellHeaven: Com os concertos para 2023 cancelados e com os problemas de saúde, aos quais desejo as melhoras, quais serão os planos para andar em digressão?

Piet Sielck: Neste momento não posso dizer nada! Um dia antes do lançamento do álbum vou fazer uma cirurgia (ndr: sabemos, entretanto que correu bem e o músico está a recuperar) e não faz sentido estar a fazer planos mas estou bastante optimista e julgo que poderemos voltar aos palcos em 2024, mas neste momento não há planos, o que não deixa de ser estranho!

 

HellHeaven: Não deixa de ser uma estranha sensação um dia antes do lançamento do álbum estar a ser operado e acordar depois com um disco cá fora. O que te vai na alma e na cabeça?

Piet Sielck: Sinceramente nem sei bem! (risos) Tudo vai depender de como me sentir após a cirurgia, se estiver bem, é claro que vou pegar no telefone e ver o que se diz! A minha família vai estar comigo e vai tudo correr bem!

 

HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…

Piet Sielck: A mensagem para Portugal é a mesma que deixo para todo o Mundo que é estar extremamente agradecido por existir tanta gente a apoiar os Iron Savior e a mostrar dedicação à banda! É uma grande recompensa e é muito importante sentir isso nos tempos que correm! Estamos todos perto dos 60 anos e é fantástico ir a países como Portugal e ter a oportunidade de estar com os nossos fans e conhecer as pessoas! É fantástico ter esta oportunidade, por isso obrigado!

 

 

 

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