Os Ironflame são o projecto do norte-americano Andrew D’Cagna, em que o multi-instrumentalista se foca no heavy metal tradicional. “Kingdom Torn Asunder” é já o quinto álbum da banda e verá a luz do dia muito em breve. A HellHeaven falou com o líder da banda sobre o novo lançamento, o processo de composição e as suas influências. Entrevista: João Gama

HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum “Kingdom Torn Asunder” prestes a ser lançado. Já há reacções?
Andrew: Obrigado João! As coisas estão um pouco mais lentas do que o normal para este lançamento. Só vi duas análises até agora e, para ser sincero, ambas foram bastante comuns. Numa delas fizeram apenas muitos elogios cegos ao álbum. A segunda crítica foi muito semelhante, só que quem a escreveu referiu que havia uma música que não tinha gostado tanto como as outras. As críticas são como entrevistas, na minha opinião. Só faz sentido serem feitas se há uma preocupação em debruçarem-se sobre o artista.
HellHeaven: A banda foi formada em 2016. Como vês o seu desenvolvimento desde então?
Andrew: À excepção do nosso álbum anterior, “Where Madness Dwells”, diria que a evolução e o crescimento dos Ironflame têm sido bastante lentos. Temos uma fórmula de composição e tendemos a não nos desviar dela. Os três primeiros álbuns são bastante intercambiáveis. E “Kingdom Torn Asunder” foi na verdade escrito e gravado antes de “Where Madness Dwells”, pelo que está mais alinhado estatisticamente com os primeiros álbuns. Quem sabe para onde iremos a seguir?!
HellHeaven: Este é já o quinto álbum e é anunciado como “um álbum clássico dos Ironflame”. Mas o que dirias que é a(s) característica(s) única(s) de “Kingdom Torn Asunder”?
Andrew: A verdadeira característica única deste álbum que o diferencia é definitivamente a produção. Até agora sempre assumi os papéis de compositor, intérprete, engenheiro e produtor. Desta vez optei por ter um engenheiro de áudio diferente para tratar das tarefas de mistura e masterização. Todos na banda estão satisfeitos com o som do álbum. Foi definitivamente a decisão certa.
HellHeaven: Referiste na press que este álbum “soa muito ao power metal clássico europeu”, referindo bandas como os Helloween. Quais dirias serem as (outras) influências?
Andrew: As minhas influências não se limitam aos primórdios do Heavy Metal. Eu ouço e gosto da maioria dos estilos tanto de Metal como de Rock. Posso ouvir Decapitated num dia e The Hellacopters no dia seguinte. Independentemente do género, há boa música e depois há tudo o resto.

HellHeaven: O álbum contém duas faixas bónus “Cold Flesh Falls” e “Exile of the Sun”. Porque não fazer directamente um disco de dez faixas?
Andrew: Os LP de vinil só podem conter cerca de 40 minutos de música antes de a integridade sonora do disco começar a ser comprometida. Tive de decidir quais as músicas que soavam melhor juntas como uma peça musical coesa e foi o que fiz. Não considero estas duas músicas inferiores de forma alguma, simplesmente não havia espaço para elas em formato vinil.
HellHeaven: Este é o teu projeto mais pessoal, e és um multi-instrumentista com credito pela voz, guitarras, baixo e bateria. Mas como criam/montam as musicas finais enquanto banda?
Andrew: Aprendemos as músicas juntos como grupo, como a maioria das outras bandas faz. A única diferença é que sou o compositor principal. Vou compor e gravar as músicas rapidamente. Depois de gravadas, entrego as músicas ao resto da banda e aprendemos juntos no espaço de ensaio. É uma fórmula que funciona para nós e não prevejo mudanças no futuro.
HellHeaven: Uma vez que és membro de muitas outras bandas. Quão difícil é manter (o som de) Ironflame como uma entidade separada?
Andrew: É fácil manter a identidade de Ironflame fiel a si própria porque não há outros compositores contribuintes. Sou responsável por pouca ou nenhuma contribuição nos processos de composição das outras bandas em que estou envolvido. Isto não é necessariamente intencional, apenas circunstancial. Gosto que seja assim e não gostaria de mudar.
HellHeaven: Em relação à promoção de “Kingdom Torn Asunder”, têm planos para concertos ao vivo? Pronto para te fazeres à estrada e ir em digressão? Existe a possibilidade de visitar Portugal?
Andrew: Haverá um concerto local de lançamento do álbum no dia do lançamento. Vamos partilhar o palco com as nossas boas amigas Lady Beast. Temos mais alguns concertos após o lançamento que serão perto de casa. Finalmente faremos uma digressão de 10 dias pelos EUA com os nossos amigos Adamantis. Não haverá nenhuma digressão europeia ou festivais este ano, mas temos esperança para 2025.
HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, há alguma questão a que gostarias de responder, mas que nunca ninguém te fez? Se sim, qual (e qual a resposta)?
Andrew: Nunca ninguém me perguntou qual é o meu vegetal favorito. São as cebolas.