MASTER - "As gerações mais novas precisam de deixar os telemóveis e os computadores" (Entrevista)

Depois de uma passagem por Portugal, para dois concertos memoráveis, os Master começam 2024 com um novo álbum. “Saints Dispelled” assim se chama o disco que marca o regresso ao formato longa-duração ao fim de seis anos. A HellHeaven esteve à conversa com o Mestre Paul Speckmann. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Começo por te dar os parabéns pelas 4 décadas de carreira e, claro, pelo recente “Saints Dispelled”. Se alguém te dissesse nos anos 80 que ainda estarias a lançar álbuns em 2024 qual seria a tua resposta?

Paul Speckmann: Diria sim! (risos) Escolhi o caminho da música quando tinha 17 anos e lutei, luto e vivo para Master, assim como para todos os meus empreendimentos na industria da música! Claro que a jornada é longa e tem tido dificuldades mas, também, tem sido muito enriquecedora até porque continuamos a explorar novos territórios pelo Mundo, recentemente estivemos na Turquia, Geórgia e Arménia, onde encontrámos fans aguerridos e foi uma experiência louca, para resumir1 (risos) O Metal é uma forma de vida para mim, vivo e respiro Metal e é por isso que continuo a criar e a gravar novos discos, meu amigo! (risos)

 

HellHeaven: Pelo caminho assististe a todas as alterações na industria e a muitas modas que foram aparecendo. Como olhas para esta Era digital quando comparada com os anos 80, por exemplo? Sentes saudades desses tempos?

Paul Speckmann: Como em tudo há coisas boas e más na tecnologia! Claro que é mais fácil fazer chegar a música aos fans e de forma mais rápida, assim como a gravação digital é mais rápida, mas sinto a falta de gravar de forma analógica, ainda que era mais difícil e consumia mais tempo, mas preferia dessa forma porque as bandas tinham mesmo de estar preparadas para gravar um disco. Actualmente basta carregares num botão para corrigires um erro quando antigamente tinhas de gravar tudo vezes sem conta até ficar bem, o que quer dizer que gastavas mais tempo até ter tudo correcto! O estúdio é dos meus locais favoritos por isso aprecio sempre os desafios que isso traz!

 

HellHeaven: Os Master são conhecidos como os “Motörhead do Death Metal”, como é que isso te faz sentir?

Paul Speckmann: É um grande elogio, o Lemmy era um Deus, por isso estou ao nível dos Deuses, de que outra forma poderia sentir essa comparação?! (risos)

 

HellHeaven: Já estiveste em Portugal diversas vezes, as ultimas bem recentemente, de onde vem essa relação com Portugal e que memórias tens?

Paul Speckmann: Já estivemos em Portugal umas 8 vezes, antes destas ultimas datas tínhamos estado há cerca de 17 meses! Os concertos foram fantásticos e as reações do público foram, como sempre, fantásticas! Os Master adoram ir aí e os fans fazem sempre com que valha a pena ir aí. O Tiago Oliveira vive aí e é ele quem trata do meu merchandise e o vende nas suas lojas e na sua distribuidora.

 

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HellHeaven: “Saints Dispelled” é o novo álbum e, novamente, como dizemos em Portugal “agarras o touro pelos cornos”. Qual o desafio que colocas em cada disco e qual o teu sentimento em relação a este lançamento?

Paul Speckmann: Gravo sempre os riffs de forma acústica, é algo que faço há muito tempo e quando chega a altura certa vou à procura deles para fazer os arranjos para um novo álbum, nada muda e a fórmula é a mesma há anos, a diferença é que, tal como acontece em muitas outras bandas, há lançamentos com mais sucesso que outros. Na verdade escrevo para mim, o que gosto de ouvir e o resto é merda (risos), é como lançar os dados, se gostar é bom na minha opinião! Considero o “Saints Dispelled” um grande álbum e a banda esforçou-se muito e isso sente-se quando ouves o álbum. Espero que as pessoas gostem e que possamos fazer mais digressões e concertos.

 

HellHeaven: Este álbum marca o teu regresso ao formato longa-duração e, durante estes seis anos, muita coisa mudou no Mundo e os desafios também são outros, principalmente em termos financeiros. De que forma tudo o que se vai passando acabou por influenciar o disco?

Paul Speckmann: Tudo o que se passa no Mundo sempre influenciou todo o processo de gravação nos Master! Todos os álbuns de Master são públicos e, ao mesmo tempo, pessoais sobre o que se passa no Mundo e também na minha vida. Não sei se existe alguma crise financeira, até porque durante este período de merda no Mundo e no meu mundo nada mudou, exceto o facto de não pode andar na estrada! Talvez os confinamentos na Europa tenham sido um pouco assustadores mas já passou como, eventualmente, tudo passa!

 

HellHeaven: Ao ouvir o álbum fiquei com a sensação destes temas falarem sobre a descoberta da individualidade e, ao mesmo tempo, sobre luta. É esta a mensagem do “Saints Dispelled”?

Paul Speckmann: A mensagem é a mesma de sempre! Que se fodam os governos, os políticos e os reguladores deste planeta. A religião é uma merda, a liberdade está em declínio e temos de acreditar em nós e enfrentar essa gente! As gerações mais novas precisam de deixar os telemóveis e os computadores e sair e dar uma volta pela floresta e ver a natureza que necessita de ser salva e não se devem deixar corromper por estes idiotas que estão no poder!

 

HellHeaven: Com uma carreira como a tua existe algo que gostarias de fazer ou há ideias para o futuro? O que podemos esperar de Master e de Paul Speckmann no futuro? Qual a mensagem que deixas para Portugal…

Paul Speckmann: Vou continuar a gravar álbuns e andar pelo mundo! Não há nada mais para mim! (risos) Apoiem as novas bandas e os novos metalheads, são eles o futuro do género e, sem eles, tudo isto que construímos morre!

 

 

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MASTER

Saints Dispelled” (Review)

Hammerheart Records

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https://www.facebook.com/hammerheartrecords

 

Falar de Paul Speckmann e dos seus Master não é, apenas, falar de uma banda ou de um álbum! Com uma carreira que vai já nas quatro décadas os Master estão acima de qualquer suspeita e este regresso aos álbuns só poderia ser assim! Podemos mesmo concordar quando muitos dizem que os Master estão para o Death Metal como Motörhead está para o Metal. Ao longo da dezena de temas do álbum os Master vão debitando riffs arrebatadores, capazes de nos arrancar a própria pele, a bateria é fustigada sem perdão e os solos são, simplesmente, do melhor que se pode escutar no Death Metal e o trio não revela qualquer desgaste de tempo ou espaço. Assim, o que fica é um álbum da banda que não desilude e onde a banda não tenta inventar nada, e isso, meus caros, é o melhor que se pode pedir. Speckmann e companhia são uma máquina de destruição e isso nunca vai mudar! E ainda bem, dizemos nós!

 

Texto: Nuno C. Lopes

 

 

 

 

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