Os Nagasaki Sunrise são uma das mais poderosas e intensas bandas forjadas neste cantinho “à beira-mar plantado”. Numa altura em que se preparam para o lançamento de “Distroyer”, o novo disco, a HellHeaven esteve à conversa com a banda. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Antes de mais começo por agradecer a vossa disponibilidade! Como é que nasceram os Nagasaki Sunrise?
Nagasaki Sunrise: Muito obrigado pelo vosso interesse e apoio! Os Nagasaki Sunrise surgem no rescaldo da pandemia e fazem o primeiro ensaio em Dezembro de 2020 na Disgraça, em Lisboa. A banda nasce de uma demo com cinco músicas, originalmente destinadas a um projeto que ficou na gaveta. É no início de 2021 que gravamos a nossa primeira demo “Turn On The Power”, em take direto com o lendário Paulão e uns meses mais tarde o nosso primeiro álbum “Distalgia”. Curiosamente gravado pelo nosso futuro guitarrista Kiko “Gloves of Metal” Nagasaki, no bunker onde ensaiamos no Feijó.
HellHeaven: Todos vocês estão envolvidos noutros projectos ou bandas, como é que no meio de tudo isto ainda encontraram tempo para este projecto?
Nagasaki Sunrise: As bandas têm vários membros em comum, o que facilita bastante a logística. O rácio de bateristas para guitarristas mantém-se inalterado desde 1985, reduzindo drasticamente a probabilidade de conflitos de interesse.
HellHeaven: Para os Nagasaki Sunrise criaram pseudónimos. O que é que cada um deles representa e, de certa forma, como encaixam no conceito da banda?
Nagasaki Sunrise: Não houve nenhum conceito na origem dos nomes, os apelidos Nagasaki são uma referência aos Ramones e é uma tradição que gostamos de manter. O resto já vinha de outras bandas.

HellHeaven: Vocês descrevem a banda como Charged Pacific Rim Crust Punk of War. Que definição é esta?
Nagasaki Sunrise: Foi a definição que melhor pareceu servir o conceito da banda: Guerra no Pacífico, D-Beat com Iron Maiden e gritos com reverb.
HellHeaven: «Turn on the Power» teve uma primeira edição em cassete e surgiu pouco depois a edição em CD. Isto foi algo planeado ou, de certa forma, foram apanhados de surpresa
com a recepção da cassete?
Nagasaki Sunrise: Saídos da pandemia, com o desaparecimento de muitas salas de concertos e a mudança do paradigma geral, não tínhamos grandes perspectivas para a promoção ao vivo. Esse bom ritmo de lançamentos ajudou-nos a manter a banda activa num momento de indefinição enquanto trabalhávamos no material do primeiro álbum “Distalgia”.
HellHeaven: Por falar em cassete, e numa altura em que o formato parece estar a renascer e a contrariar o streaming, como é que olham para este crescente interesse na cassete?
Nagasaki Sunrise: O ideal é que a música seja acessível e que esteja disponível em qualquer formato. Apoiar as bandas comprando físico ou digital é o mais importante.

HellHeaven: Vocês afirmam que pode existir tanta potência numa bomba como numa música Rock’n’Roll. Poderemos dizer que vocês ainda acreditam que a música ainda é uma arma?
Nagasaki Sunrise: Sem dúvida! Claramente com algumas limitações na prática porque estamos sujeitos ao PA das salas e festivais onde tocamos. Na tour dos 25 anos já prevemos levar o nosso tanque-palco e o problema fica resolvido. Já agora, está também prevista para essa tour uma recriação histórica em escala real do ataque a Pearl Harbour na Costa da Caparica. (risos)
HellHeaven: O Pacifico foi sempre fustigado por guerras e batalhas épicas que foram o imaginário de muitas formas de arte, com o cinema à cabeça. De que forma é que essas imagens influenciam o vosso som e existe algum tipo de pesquisa que façam?
Nagasaki Sunrise: Sim, apesar da temática não ser exclusivamente a guerra no Pacífico, há um pendor para escrever sobre essas grandes batalhas. É um tema fascinante com várias nuances e perspectivas de análise histórica. O álbum “Distalgia” está mais focado na componente aérea e naval, o novo álbum “Distroyer” é o nosso Opus à guerra na selva com tanques.
HellHeaven: Estando vocês envolvidos noutras bandas, quais os planos para o futuro dos Nagasaki Sunrise? Haverá oportunidade para os ver ao vivo ou mesmo esperar um LP?
Nagasaki Sunrise: Depois do nosso primeiro álbum “Distalgia” (2021), já lançámos um Split LP com Battlescars, que deve estar a sair até ao final deste ano (2024) e gravámos o nosso segundo álbum “Distroyer”, com previsão de lançamento para o final de Outubro deste ano.
HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para os nossos leitores
Nagasaki Sunrise: Comprem discos e merchandise diretamente às bandas, apoiem o underground. Pacific Nightmare Ain’t Over!!!