ON THORNS I LAY - "Temos que aprender a ouvir os problemas das novas gerações..." (Entrevista)

Ainda que com algumas paragens pelo meio, os gregos On Thorns I Lay levam já três décadas de negrume e são uma das mais respeitadas bandas oriunda do país do conhecimento. O novo álbum, homónimo, lançado pela Season of Mist foi o ponto de partida para falar com Christos Dragamestianos.Entrevista: Nuno C. Lopes

 

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HellHeaven: Começemos pelo início, o que te lembras dos primeiros anos agora que os On Thorns I Lay estão já na terceira década de carreira?

Christos Dragamestianos: Lembro-me bem dos primeiros anos e de tudo o que girava em torno da cena Metal e da paixão que nos unia a todos em fazer música. Começámos esta banda quando tínhamos 14/15 anos e existia muito amadorismo, até porque estamos num país em que não se sabia muito mas, a cena Death Doom Metal estava a começar a crescer e os Paradise Lost começaram a dar que falar em 90/91, por isso há uma diferença de um ano entre nós! No entanto, esses tempos iniciais nem sempre foram os melhores, mas isso é outra conversa! (risos)

 

HellHeaven: Existem muitas semelhanças entre a cena grega e portuguesa e, também, alguns pontos de união. Como é que está a cena grega na actualidade?

Christos Dragamestianos: Estás totalmente certo, no entanto, se olharmos para os extremos não há muito mais do que existia quando nos formámos! O grande problema é que nos últimos anos não tem surgido novos nomes que possamos dizer que sejam grandes! O mesmo acontece com Portugal, não há muitas bandas novas! Podem aparecer mas nunca vão conseguir atingir o sucesso na Europa, no entanto, a nossa cena continua forte como sempre.

 

HellHeaven: Algo que pode estar a afectar o Metal pode ser o facto de existirem cada vez mais bandas e, ao mesmo tempo, há as bandas clássicas, como vocês, que não podem parar de trabalhar. Qual a tua opinião?

Christos Dragamestianos: O facto de existirem muitas bandas é um bom sinal! O grande problema é que muitas delas são uma merda, mas isso é assim que tem de ser e é preciso ter um olho nas bandas novas! A média de idades no Metal deve rondar os 18/25 anos, nós também já os tivemos e estas são as bandas do futuro e temos de falar com elas e fazer ver que há música para as multidões, que é o Pop e aquelas coisas mais bonitas, e é algo que lhes está no direito. Temos que aprender a ouvir os problemas das novas gerações, as suas dores e isso dificulta muito que cheguemos até elas, porque elas falam muito do «eu». No nosso tempo o Metal era revolucionário.

 

HellHeaven: O novo álbum sai no dia 13 Outubro. A data foi escolhida de propósito ou não são supersticiosos?

Christos Dragamestianos: Não, não acreditamos em nada disso! (risos) Este é o nosso primeiro álbum para Season Of Mist, é uma honra para nós, além de que vai fazer a nossa música mais chegar a mais pessoas. É um grande momento para a banda.

 

HellHeaven: Ao ouvir o álbum fiquei com a perceção de que este é mais directo mas, ao mesmo tempo, com a identidade da banda intocável. Quais as expectativas?

Christos Dragamestianos: Por volta de 2005 vivi fora da Grécia e afastei-me da banda porque não estava a gostar da direção que estava a levar, mas nunca deixei de criar música, por isso se eles quisessem podíamos sempre fazer alguma coisa! Um ano depois voltámos a estar juntos e elevámos a fasquia e com os resultados do álbum anterior, mas depois veio a pandemia e neste tempo compus o melhor material da minha vida e estamos no topo da nossa forma. Este é o melhor momento da banda!

 

HellHeaven: Falaste da pandemia e a questão que coloco é de que forma é que os confinamentos e tudo o que o Covid-19 trouxe ajudou ou prejudicou na realização do álbum? Pergunto, também, se consideras este o melhor álbum da carreira?

Christos Dragamestianos: Este é, de longe, o melhor álbum da banda e não digo isto por ser o mais recente, é mesmo porque é um disco mais maduro! Tive bastante tempo durante a pandemia para experimentar outras sonoridades mais étnicas, como uma planície amazónica, entendes? Como passámos muito tempos sozinhos existia muita amargura e tristeza, o que levou a uma busca interior e a questionares tudo. Isso foi o que a pandemia nos trouxe, o tempo que nem sabíamos que existia, mas também a oportunidade de pensar e repensar muita coisa e que nada é garantido. Num momento tens tudo mas no outro não tens nada!

 

HellHeaven: A Grécia continua a atravessar momentos difíceis, quer a nível social como politico. Qual a situação actual do país?

Christos Dragamestianos: Acho que posso dizer que os europeus têm um nível de vida bastante bom e depois tens milhões de pessoas que querem viver como nós, o que leva às crises migratórias! Claro que temos problemas, como todos os países têm, mas em vez de ficarmos sentados a queixar e a chorar devemos enfrentá-los! Tens a questão dos migrantes que referi, tens os incêndios, temos tudo isso mas, há países onde nem há água para beber! Somos responsáveis por muitos dos nossos problemas, até porque somos nós que colocamos o voto na urna, mas isso faz parte do destino!

 

HellHeaven: Voltando ao álbum que saiu em Outubro, como já falámos, já existem planos para o levar para a estrada?

Christos Dragamestianos: Sim, queremos tocar o máximo possível! Para já temos confirmadas cerca de 10 datas e vamos andar pela Roménia! Temos também algumas datas na Grécia onde vamos estar com uma banda de renome, mas que ainda não posso revelar. Para o próximo verão estamos a contar ir a um ou 2 festivais!

 

HellHeaven: Portanto, para já não há datas para Portugal, o que é pena porque nunca vieram cá… Qual a mensagem que deixas para Potugal?

Christos Dragamestianos: Antes de deixar a mensagem quero dizer que estamos a aguardar que alguém nos convide a ir aí! Quer também dizer para apoiarem o underground, conseguem ouvir nova música e apoiar novas e velhas bandas!

 

 

 

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ON THORNS I LAY (GRC)

«On Thorns I Lay» (Review: João Gama)

Season of Mist

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O tempo voa e já passaram 30 anos desde que os gregos “On Thorns I Lay” apareceram em cena. Este ano a banda lança o seu já décimo álbum, desta vez auto-intitulado. Apesar de gregos, os On Thorns I Lay, ao contrário de SepticFlesh e Nightfall, foram trocando o death/doom pelo gótico – o que lhes atribui uma certa semelhança com a paralela cena britânica (por exemplo Paradise Lost). Contudo, nos últimos álbuns a banda tem começado a retornar às suas origens, e neste novo disco parece ter redescoberto as suas raízes. Nesse sentido, este é um álbum mais doom, cru e nu. As melodias emocionantes estão lá, mas sóbrias sem sobreproduções. De certo modo, “On Thorns I Lay” combina o sentimentalismo de Draconian com o estilo de SepticFlesh, ou poder-se ia alternativamente dizer que este disco é como que o lado helénico de My Dying Bride. Como quer que se descreva, este é um daqueles álbuns que demonstra a essência do doom gótico.

 

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