Parece que se comemorou mais um Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No entanto, nunca senti um afastamento tão evidente entre a realidade e o que nos é apresentado como identidade coletiva. Em quase meio século de vida, raramente vi uma sociedade tão distante do sentimento de comunidade e tão centrada no individualismo.
Essa realidade é transversal a todos os setores, inclusive o Rock e o Metal. O que antes era uma verdadeira comunidade, uma tribo unida por valores e paixões comuns, sobrevive hoje graças a um grupo de resistentes que continua acreditando que a união faz a força. Ainda assim, tudo parece cada vez mais polarizado e condicionado por tendências passageiras alimentadas por algoritmos.
Quando comecei a escrever sobre música, há cerca de três décadas, havia um verdadeiro senso de pertencimento. Hoje, muitos interesses nascem e morrem no ritmo dos "hypes" da semana. Apesar disso, continuo apreciando o Metal nacional em todas as suas vertentes, da banda do momento aos nomes históricos. Gosto é uma questão pessoal e deve ser respeitado.
Mais importante do que gostar ou não gostar é reconhecer e valorizar quem continua mantendo essa cena viva. Em 2026, as bandas que permanecem ativas o fazem não apenas por paixão, mas também por dedicação, sacrifício e devoção.
O Metal português tem identidade, história, legado e sonoridade própria. Cabe a nós valorizá-lo, entender sua trajetória e manter viva nossa portugalidade, seja através do Moonspell, Heavenwood, RAMP ou de todas as bandas que seguem trilhando o caminho aberto pelos pioneiros.
Viva Portugal! Viva o Metal! Viva o Metal Nacional!