(Opinião) POSTAS DE PESCADA - "Separados Somos Pequenos"

De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.

Há um velho ditado que diz que não se consegue agradar a gregos e troianos. Na Península Ibérica, talvez se possa dizer o mesmo de portugueses e espanhóis. Não por rivalidade, mas porque continuamos a olhar para a música e para a cultura de formas diferentes.

Recentemente, os espanhóis Murmur afirmaram que a cena portuguesa está melhor do que a espanhola. Muitos poderão discordar, mas esta visão demonstra que a realidade tem sempre mais do que uma perspectiva. Se alguns destacam o apoio que existe em Portugal ao underground, outros apontam para a preferência generalizada pelo mainstream. No fundo, isto apenas confirma que ainda existe uma espécie de fronteira cultural entre os dois países.

Num momento em que se torna cada vez mais caro trazer bandas internacionais e manter uma agenda de concertos ambiciosa, faz sentido pensar numa maior cooperação ibérica. Promotores, salas e bandas poderiam beneficiar de uma estratégia mais integrada, colocando a música acima das fronteiras e, sempre que possível, acima dos interesses imediatos.

Esta aproximação não deveria limitar-se aos grandes nomes. Mais bandas espanholas em Portugal, mais bandas portuguesas em Espanha e uma maior ligação às restantes cenas latinas poderiam fortalecer todo o ecossistema musical da região. São muitas vezes estas pequenas pontes que criam as bases para projectos mais sólidos no futuro.

É impossível agradar a portugueses e espanhóis em todas as decisões. Ainda assim, num mercado cada vez mais desafiante, a cooperação parece ser o caminho mais inteligente. Porque, apesar das diferenças, a música ibérica só tem a ganhar se aprender a trabalhar de forma mais unida e consistente.

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