De regresso aos textos de opinião, o Nuno C. Lopes manda as suas Postas de Pescada sobre o tudo e sobre o nada e tudo o que está no meio.
A veneração sempre me incomodou. Seja religiosa, desportiva, musical ou de qualquer outra natureza, tende a eliminar o espaço para o debate, o escrutínio e a liberdade de escolha. Podemos ser devotos ou admiradores, mas a veneração excessiva conduz frequentemente à perda de sentido crítico, de equilíbrio e até de educação.
Num mundo tão rico em diversidade, é natural que existam gostos e opiniões diferentes. No entanto, venerar algo apenas com base numa perceção individual é fechar a porta ao pensamento livre, à descoberta e à compreensão das perspetivas dos outros. Em muitos casos, revela mais uma recusa em questionar do que uma verdadeira convicção.
O que se observa cada vez mais é uma devoção ao "eu", em detrimento do "nós". Podemos ter opiniões firmes e argumentos sólidos, mas é essencial reconhecer que existem sempre várias perspetivas. Mesmo naquilo de que não gostamos, é possível encontrar qualidades e pontos positivos, desde que estejamos dispostos a olhar para ambos os lados da questão com mente aberta.
