PAIN - "Para mim a música é terapia! Tudo se resume a isso!" (Entrevista)

Peter Tägtgren dispensa apresentações! Ao longo dos últimas décadas, primeiro com Hypocrisy e, depois, com os seus Pain o músico transformou-se numa das figuras de maior destaque no Metal. Aproveitando o lançamento de “I Am” a HellHeaven esteve à conversa com o Senhor Tägtgren. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: começo por agradecer o teu tempo! Estiveste há bem pouco tempo em Portugal com Hypocrisy e Pain. Tens algumas memórias dessas passagens?
Peter Tägtgren: Foi fantástico! Já não íamos a Portugal há algum tempo e o público foi fantástico! O público português cresceu muito desde a primeira vez que aí fui nos anos 90! Esta última vez em Lisboa tivemos que mudar a sala porque a outra inundou e isso permitiu que houvesse mais pessoas, foi um concerto de doidos e o público foi fantástico! Adoro ir a Portugal!

HellHeaven: Já andas nisto há alguns anos (risos) mas, será que tens ideia da importância da tua música e das tuas bandas? Isso cria algum tipo de pressão para o passo seguinte?
Peter Tägtgren: Escrevo sempre as músicas para mim, no entanto, agora há mais contacto com as pessoas do que quando comecei e, também eu fui ficando mais aberto a esse contacto. Começo a sentir essa importância mas não é algo que me crie pressão, tento manter os pés na terra e fazer o meu trabalho da mesma forma de sempre, contudo é importante e gratificante sentir esse apoio do público.

HellHeaven: “I Am” é o novo álbum e parece que estar, digamos, a “limpar o armário” depois destes anos muito estranhos. Podemos dizer que este disco é o mais pessoal que já escreveste?
Peter Tägtgren: Para mim a música é terapia! Tudo se resume a isso! O que está certo e errado, não existe aqui nada mais do que aquilo que vejo e sinto, e depois o que escrevo acaba por se um reflexo disso mesmo!

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HellHeaven: Os Pain foram das primeiras bandas a juntar a electrónica ao peso do Metal, agora isso parece estar na moda com o aparecimento de bandas como BabyMetal ou Electric Callboy. Sentes-te pioneiro nesse aspecto?
Peter Tägtgren: Existem agora muitas bandas a fazer esta mistura entre o Metal e a dança, contudo, mesmo antes de eu fazer isso já se fazia e eu nem sequer sabia que essas bandas existiam! O que eu queria fazer era algo para me divertir e com o qual me identificasse e, claro, que não fosse igual ao que fazia nos Hypocrisy, senão não valia a pena! É importante que as pessoas façam e ouçam o que gostam!

HellHeaven: Falávamos há pouco do novo álbum e neste disco trazes algumas mensagens bem claras sem que percas pitada do teu conhecido humor sarcástico. Estes temas são um reflexo destes últimos anos?
Peter Tägtgren: Criar temas é uma merda! No entanto, como escrevo para mim não tenho qualquer tipo de pressa, o que tento sempre fazer é inovar e não me repetir, mas como sou eu que escrevo é natural que a minha personalidade venha sempre ao de cima. Além de falar de problemas tento apresentar soluções para os evitar e, claro que depois há aqui algumas histórias, por exemplo, a “Not For Sale” é sobre um gajo de uma editora que me estava a propor um negócio em que eu não ganharia nada, não ando nisto há 2 dias dias por isso disse-lhe “Suck my balls” (risos).

HellHeaven: Qual o desafio que te colocas e como comparas a forma como a malta do Metal evoluiu e consegue ouvir e entender outras sonoridades como aquela que ofereces nos Pain?
Peter Tägtgren: Não podemos comparar os tempos de agora com o que se passava há 20 ou 30 anos! Até porque agora tens a Internet! Essa coisa das tribos já não existe! Toda a gente ouve tudo, independentemente do género que te cativa mais. Essas distinções e essas separações de públicos são apenas coisas na mente das pessoas e que não fazem qualquer sentido. É sempre um desafio fazer música e tens de ter em mente depois a mistura e tudo o que comporta a criação de um tema, como te disse o meu desafio é sempre o de inovar e de fazer de cada tema algo único.

HellHeaven: De cada vez que lanças um álbum ainda crias expectativas ou sentes algumas “borboletas no estômago” de cada vez que lanças um álum?
Peter Tägtgren: Ao fim de 30 anos de carreira já não tenho expectativas e nem sequer me interessa, para ser sincero! As pessoas gostam ou não gostam! O importante é sempre fazer temas que sejam únicos!

HellHeaven: Falar contigo e, ainda que no contexto Pain, não falar sobre os Hypocrisy é quase um pecado. Existe algum sobre a banda que possas falar sobre o futuro da banda?
Peter Tägtgren: (risos) Sem problema algum! Para já este ano será Pain e, claro que possívelmente vamos tocar alguns temas de Hypocrisy ou analisar o que nos possa chegar. Para já o foco da banda é repensar e refrescar as ideias, não queremos forçar as coisas, já não temos idade para essas coisas! (risos)

HellHeaven: E se te fosse colocada a possibilidade de fazer uma tour ou alguns concertos com Pain e Hypocrisy, qual seria a tua resposta?
Peter Tägtgren: Isso é totalmente impossível! (risos) Isso é uma coisa para o King Diamond! Seria um desgaste muito grande físico e mental que nem te passa pela cabeça. Seria uma logística muito grande e, para mim, como cantor seria muito complicado! Deixo isso para outros… (risos)

HellHeaven: Qual a mensagem que deixas para Portugal…
Peter Tägtgren: Espero que gostem do “I Am”! Quero que saibam que vamos fazer tudo para regresso o mais breve possível e que se mantenham com essa força e energia! Até breve!

 

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