Oriundos de Andorra, os Persefone são uma das confirmações para o Comendatio Music Fest! A HellHeaven esteve à conversa com a banda para saber mais sobre o evento, a sua ligação a Portugal, e a possibilidade de um novo disco. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Deixem-me começar por agradecer o vosso tempo! A última vez que estiveram em Portugal foi com Ne Obliviscaris! Que memórias ficaram desses espectáculos?
Persefone: Foram espectáculos muito especiais por várias razões. Foi a primeira vez que tocamos em Portugal desde os dias do “Shinken” há mais de 10 anos. Além disso, tocamos na cidade natal do Filipe (Filipe [guitarrista] é português), e sua família estava lá, por isso foi um momento muito importante para ele e o resto da banda. Por outro lado, acrescentaria que foi a primeira vez que comi francesinha… e foi simplesmente fantástico! (risos)
HellHeaven: Irão voltar, novamente com eles, mas agora para um festival. Quais são as expectativas em relação a este retorno e quais são as mudanças para actuar num festival? Que formato preferem?
Persefone: Claro, os festivais são um ambiente muito diferente em comparação com estar em digressão. Há muitos desafios com a agenda, duração do setlist e problemas de última hora, mas gostamos desse tipo de energia, e ambas as situações têm suas particularidades. Tocar para uma grande multidão é muito fixe, mas tocar num local onde podes sentir o calor, o suor, onde te conectas com multidão também é incrível. Tenho a certeza de que seremos capazes de tocar para pessoas que nunca nos ouviram antes, por isso, tentaremos fazer com que todos aproveitem o concerto e contribuam para experienciar o espectáculo no seu todo.
HellHeaven: "Metanoia" foi o vosso último, e muito bem recebido, disco, e este ano lançaram um EP. O que podemos esperar de Persefone? O que vão tocar?
Persefone: Uma das coisas boas de ter uma longa carreira como banda é que podemos escolher entre os vários álbuns para criar o nosso setlist! Gostamos de tentar representar o máximo de álbuns possível ao escolher as músicas, mas devo dizer que estou a gostar de tocar muito as faixas do "Lingua Ignota". Todas as músicas parecem especiais de uma forma ou de outra. Algumas delas são mais desafiadoras de tocar, algumas delas costumam ter uma óptima resposta do público, apesar de as ensaiar pela 10000000 vez não seja a coisa mais emocionante do mundo, e outras são simplesmente algumas das nossas favoritas. Acho que faremos uma boa seleção para fazer um bom concerto que agradará a todos.

HellHeaven: Dito isso, haverá oportunidade para ouvir algo inesperado ou algo que irão incluir num futuro disco? O que podem revelar?
Persefone: Queremos definitivamente lançar um álbum novo, mas não há muito que possa ser revelado de momento. Fazer um álbum de Persefone é um processo muito difícil para todos nós, e tentamos não começar a escrever enquanto estamos em digressão, por isso estamos à espera de terminar os concertos agendados para começar a escrever para o próximo lançamento. Por outro lado, gostamos muito de manter todas as músicas novas apenas para nós até que estejam 100% prontas para serem lançadas, por isso é muito improvável que façamos teaser de músicas novas num ambiente ao vivo.
HellHeaven: Vocês são de Andorra, um dos menores, mas mais ricos, países da Europa. Como é a cena Metal aí e quais são os desafios para vós ou qualquer banda de lá?
Persefone: Andorra é de facto um país muito pequeno, e embora a maioria dos desafios para uma banda sejam provavelmente muito semelhantes, o facto de o país ser tão pequeno torna muito difícil encontrar músicos para uma banda de metal como Persefone. Além disso, não há muitos locais para as bandas tocarem regularmente, mas estamos trabalhando para mudar isso no futuro. Não podemos falar sobre uma cena "metal" actual. Há uma cena musical aqui, com muitos músicos talentosos de todos os estilos e costumávamos colaborar e ajudar-nos uns aos outros o tempo todo, mas quando se trata de uma cena "metal", não está a acontecer nada de momento. Temos algumas bandas novas de metal que lançarão algumas músicas nos próximos meses, como “In Eclipse”, e sinto que a produção de metal de Andorra será maior nos próximos anos.

HellHeaven: Desde que começaram, tanto o público como os media vos receberam muito bem. Isso acrescenta alguma pressão ou responsabilidade quando se trata de gravar novas músicas?
Persefone: A principal diferença é que a agenda da digressão se tem tornado mais exigente hoje em dia, mas no final das contas, somos apenas amigos a fazer música neste pequeno país. A pressão vem de dentro de nós mesmos desde o início desta jornada musical. Já fazemos isto há muito tempo e, quando se trata de gravar música, sentimo-nos em casa, mesmo quando o desafio é grande e a tarefa complicada. Acabamos apenas por escrever o que sentimos que queremos expressar, e se as pessoas gostam ou não é algo que não podemos controlar.
HellHeaven: Qual é a mensagem que deixam para os fãs portugueses e para quem vai ao Comendatio?
Persefone: Que estamos muito felizes por visitar Portugal novamente. Temos muitos amigos portugueses aqui em Andorra, por isso, de alguma forma, estivemos em contacto com Portugal o tempo todo enquanto estávamos em Andorra, mas estar aí é simplesmente diferente. Sinto que a programação do festival é única e tenho a sensação de que será um evento grandioso, repleto de grandes actuações. Cuidem-se, pessoal, e vemo-nos lá!