SERVANTS TO THE TIDE – “Nós contamos estas histórias, a sua interpretação como um todo depende da fantasia do ouvinte!” (Entrevista)

Em semana de regresso aos discos, três anos depois da estreia, os alemães Servants To The Tide revelam o próximo lançamento “Where Time Will Come To Die. A HellHeaven esteve à conversa com Leonid Rubinstein (guitarrista) para saber mais sobre este novo álbum. Entrevista: João Gama

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HellHeaven: Olá, e parabéns pelo novo álbum “Where Time Will Come To Die” prestes a ser lançado. Já há reacções?
Leonid: Muito obrigado! Apenas algumas análises até agora, mas são muito positivas – esperamos mais em breve. Também mostrámos o álbum a alguns amigos de outras bandas, com feedback muito positivo, por isso estamos bastante confiantes!

HellHeaven: Este é o segundo álbum, lançado três anos depois do álbum de estreia. Como vês o vosso crescimento e evolução desde então?
Leonid: Gravámos o primeiro álbum por capricho. Tínhamos uma visão, uma paixão pela música e pelas bandas que adorávamos, mas não tínhamos uma ideia clara de como soaria no final. E éramos basicamente um tipo que escrevia a música, um tipo que cantava e um tipo que gravava a bateria. Após estes três anos, somos uma banda completa de cinco elementos, tocámos juntos, trabalhámos juntos para a banda e criámos “Where Time Will Come To Die” com plano e propósito.

HellHeaven: Este é um álbum conceptual focado numa viagem pela história do universo, correcto? Que mais nos queres contar?
Leonid: “Where Time Will Come To Die” consiste na maior parte em canções inspiradas na ciência e na ficção científica. Cada música inspira-se em várias fontes – Star Trek, Liu Cixin, teorias científicas, The Orville, etc. Cada música conta a sua própria história e podem ser ouvidas como tal – mas encadeadas uma após a outra, contam a história de uma potencial crónica da humanidade.
“The Trial”, por exemplo, é sobre como aliens altamente evoluídos julgariam o tempo e os feitos da humanidade na Terra, fortemente inspirado no primeiro episódio de Star Trek: The Next Generation. “White Wanderer” é inspirado no conto de Liu Cixin “The Wandering Earth”, onde a Terra deixa a órbita do sol, ficando gradualmente mais fria, viajando pelo espaço enquanto a humanidade é forçada a procurar abrigo sob a superfície da Terra para sobreviver. Nós contamos estas histórias, a sua interpretação como um todo depende da fantasia do ouvinte!

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HellHeaven: Este é um álbum de contrastes: canções curtas vs longas, doom vs heavy metal vs baladas de piano. Como foi o processo de escrever as músicas e juntá-las num álbum coeso?
Leonid: Sei que algumas pessoas tentam escrever álbuns com um propósito, definindo claramente quantas músicas e que tipos de músicas querem, e como se devem complementar… No entanto, a nossa abordagem é mais espontânea e genérica. Tentei escrever boa música, arranjá-la, tocá-la para a banda obter a sua opinião e moldá-la numa forma e estrutura finais. É claro que cada música tem necessidades diferentes em termos e potenciais de composição, por isso criámos muitas faixas diferentes. Os contrastes tornam-se naturais quando se adora o metal em mais do que uma forma e cor. O piano é algo que tem sido utilizado com destaque pelos Savatage, interlúdios curtos podem ser encontrados em “Nightfall In Middle-Earth” dos Blind Guadian, longas músicas épicas são o pão nosso de algumas das nossas bandas favoritas como Atlantean Kodex e While Heaven Wept. Não tentamos copiar estas bandas, mas inspiramo-nos nelas e moldá-las na sua própria música deixa-nos com uma experiência musical rica e diversificada.

HellHeaven: És o responsável pela escrita e composição. Mas como é que combinam o produto final enquanto banda?
Leonid: Eu próprio escrevo todo o material, sim, mas é claro que todos deram a sua opinião, especialmente quando se trata das suas próprias partes. Sören fez um pequeno solo de baixo em “White Wanderer”, Stephan mudou algumas linhas vocais em “Towards Zero” (além de escrever todas estas incríveis harmonias vocais ao longo do álbum!), Lucas acelerou a bateria a meio da faixa título – no final de contas, o álbum é mais um esforço da banda – o que é óbvio, já que afinal somos uma banda! [risos]

HellHeaven: Também houve alguns convidados no álbum (David Kuri, Jonas Papmeier). O que nos podes contar sobre essas colaborações?
Leonid: Estou muito grato por os ter a bordo! O David é um guitarrista incrível, toca incrivelmente em Flame, Dear Flame, mas também tocou alguns grandes trechos na sua antiga banda Booze Control. Ele toca uma guitarra solo bastante tradicional dos anos 80, e era isso que eu queria para esta parte da música. Acertou tudo de uma vez – e deixou-me com semanas de trabalho para compensar e aprender a tocar aquele solo ao vivo! [risos] O Jonas é um velho amigo meu, tocamos juntos nos Craving há anos, mas o seu estilo também está mais enraizado na guitarra dos anos 80 do que nos estilos modernos de shred. Não é apenas um grande guitarrista, mas também um tipo muito tranquilo de se ter por perto, e fez um solo agradável, sujo e áspero que realmente elevou a música! Quero também salientar que em “With Starlight We Ride”, tivemos muitos, muitos dos nossos amigos a fazer os coros e os backing vocals. Alguns foram gravados remotamente, mas divertimo-nos imenso numa festa de aniversário onde montei o equipamento de gravação depois de algumas cervejas e todos gritámos “RIDE” até as paredes tremerem!

HellHeaven: Em relação à promoção de “Where Time Will Come To Die”, acabaram de lançar o videoclipe de “With Starlight We Ride”. Por que escolheram esta música como single?
Leonid: Isso foi óbvio. “With Starlight We Ride” é consideravelmente curta, directa, muito cativante e também edificante – é raro uma banda de Epic Doom escrever uma música que se enquadre em todas estas categorias! [risos]

HellHeaven: Quais são os planos para tocar ao vivo? Pronto para ir em digressão? Existe a possibilidade de visitar Portugal?
Leonid: Vamos celebrar o lançamento do nosso álbum no Wischfest no norte da Alemanha e depois iremos para Münster para tocar “From Albion To Attica”, o evento dos nossos bons amigos no Epic Metal Blog, co-headlining com Gravety. Vamos ver o que acontece depois disso! E sim, gostaríamos muito de visitar Portugal! Tivemos uma incrível Mini-Tour de duas datas na Grécia no início deste ano com os nossos irmãos dos Achelous, por isso não somos estranhos aos palcos do Mediterrâneo e adoraríamos trazer a nossa marca Epic Doom a Portugal. Caros promotores, contactem-nos!

HellHeaven: Obrigado pela disponibilidade. Em relação a entrevistas, há alguma questão que a gostarias de responder, mas que nunca ninguém te fez? Se sim, qual (e qual a resposta)?
Leonid: A resposta é 42. (risos) Quanto à questão, não faço a mínima ideia. Provavelmente quantas vezes deves ouvir “Where Time Will Come To Die” numa semana!

 

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