«Negative Mangel Attitude» é o sugestivo título do novo álbum dos Systemik Viølence! Foi esse o ponto de partida para a conversa com Bäsuku, mas não só! Os Sistemyk Viølence vieram espalhar o caos de forma consciente. Aqui ficam as palavras do vocalista. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo novo «Negative Mangel Attitude», o vosso segundo álbum. Qual o sentimento pelo resultado final e qual é a vossa expectactiva?
Bäsuku: Neste momento só estamos a aceitar louvores para o nosso segundo álbum. O nosso álbum de estreia já lá vai. O lançamento deste disco é para nós o fim de um processo penoso. Tivemos direito a toda a espécie de contratempos: pandemia, mudança de lineup, regravação de faixas, mudança de artwork - basta escolher. Apesar do parto difícil, estamos extremamente satisfeitos com o resultado.
HellHeaven: Além dos vossos lançamentos anteriores vocês foram criando algum burburinho com as vossas actuações ao vivo. Algum desses factores veio trazer alguma pressão ou responsabilidade para o álbum?
Bäsuku: Os nossos lançamentos condensam várias mensagens, cabe ao mensageiro (vocalista) entregá-la da forma mais visceral possível – esta é talvez a única pressão e responsabilidade que sentimos. No fim do dia, escrever um disco e actuar ao vivo são processos criativos diferentes.
Respondendo à tua pergunta: sentimos zero responsabilidade e pressão no álbum de estreia, Satanarkist Attack.
HellHeaven: Em termos de violência sonora este álbum acerta no alvo, até porque encontra nas letras a companhia perfeita. Este é o resultado dos tempos em que vivemos? O que incendiou o «Negative Mangel Attitude» em termos conceptuais?
Bäsuku: Alguém que muito admiro profetizou, que a maioria das pessoas no futuro passaria a amar a sua opressão e a idolatrar toda a tecnologia capaz de desfazer a sua capacidade de pensar. Esta é a descrição perfeita dos nossos tempos e um dos conceitos que mais alimentou conceptualmente o álbum.
HellHeaven: O álbum dispara em muitas direções e, além de um certo mal estar, há também, um sentimento de revolta que tentam despertar, principalmente em temas como «Laws of the Purge» ou «Intelectual Prolapse». Acham que a sociedade precisa de acordar deste adormecimento?
Bäsuku: Incitar a revolta com apelos emotivos é a ferramenta dos ideologicamente possessos. Não é isso que pretendemos. As nossas letras são antes um diálogo que tentamos estabelecer com a consciência individual de cada um. Não queremos ter razão e muito menos fiéis subscritores das nossas observações. Queremos mostrar que a sociedade não está adormecida está em coma induzido.

HellHeaven: Entre os lançamentos houve um longo espaçamento que viu uma pandemia ir e vir, esse também acabou por ser um rastilho para o que ouvimos no álbum? Acham que a pandemia acaba por ser responsável pelo estado inerte em que nos encontramos?
Bäsuku: Partilho a opinião contrária de que a pandemia foi um catalisador para alguns perceberem que afinal certas coisas não têm que ser necessariamente como são. O quotidiano, as rotinas, o trabalho, etc. Há algo de libertador quando percebemos que por vezes o mais difícil de ver é aquilo que é habitual.
HellHeaven: Estamos, em termos sociais, a viver um período deveras estranho em que parece que estamos cada vez mais distantes e, também, egoístas, o que leva a comportamentos erráticos, violentos e, acima de tudo, desrespeitosos com o próximo. Que sociedade é esta em que vivemos e como poderemos dar a volta a isto?
Bäsuku: A consciência colectiva há muito que é envenenada. O “período estranho” em que vivemos é sintomático desse envenenamento. Desde que se descobriu que a nossa atenção é passível de ser mercantilizada a guerra é total. Quanto mais se aprimorarem os métodos para afunilar a nossa atenção mais erodida ficará a nossa convivência.
HellHeaven: Há quem defina os Systemik Viølence como Metalpunk, Punk, D-Beat, entre outros. No entanto, na minha opinião, vocês são um pouco de cada. Qual é a melhor forma de classificar a banda?
Bäsuku: Satanarkist MetalPunk Raw Noise Pollution é a classificação patenteada. Podendo esta definição ser acompanhada de um ov Death no final.
HellHeaven: O Punk passou de algo sujo, cru e corrosivo, para algo que quase parece a antítese da sua génese. Como olham para o Punk actual?
Bäsuku: Definir o punk como algo que só pode ser sujo, cru e corrosivo é um raciocínio unidimensional que descarta todas as outras coisas que o punk pode ser. Basta olhar para a história do punk desde os anos 70 até à actualidade para constatar o que os diferentes graus de liberdade artística nos deram em termos de bandas e subgéneros.
O problema actual são os doutrinários que definem aquilo que o punk pode e não pode ser musicalmente e ideologicamente. Continuamos à espera que nos enviem o formulário de inscrição. Queremos muito pertencer!

HellHeaven: Agora que o álbum está a ser lançado, o que podermos esperar da banda no que diz respeito a actuações ao vivo? Alguma coisa já planeada nesse sentido?
Bäsuku: Até ao momento, as próximas datas de promoção do novo álbum são as seguintes:
1 Setembro – TBA, Berlin, Alemanha; 2 Setembro - Paranoya, Dresden, Alemanha; 7 Outubro - Faro Alternativo; 28 Outubro - Patrimónios de Peso, V. N. de Foz Côa
HellHeaven: Qual a mensagem que deixam…
Bäsuku: “If you are a false don't entry The nuclear drums will crush your brain Because you'll be burned and died Slaughtering all with intensive pain”