“God of the Godless” é o novo álbum dos germânicos Temple of Dread, lançado recentemente lançado pela Testimony Records! A HellHeaven esteve à conversa com o guitarrista Markus acerca deste álbum e de como a mitologia grega e o Thrash se fundem. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por dar os parabéns por “God of the Godless”! Qual o pensamento sobre o resultado final e quais as expetativas em torno do álbum?
Markus Bünnemeyer: Muito obrigado! Estou muito satisfeito com o álbum! O objetivo passava por fazer um álbum de Temple of Dread novamente, depois de algum experimentalismo com o disco anterior! Cheio de poder, velocidade máxima e ganchos cativantes! Acho que fomos bem sucedidos e espero que com este disco possamos levar a banda para outro patamar e afirmar-nos na cena!
HellHeaven: Formaram-se em 2017 e o disco de estreia saiu em 2019 e, 2024 marca o vosso quinto álbum. Como olham para o percurso e para a evolução dos Temple of Dread?
Markus Bünnemeyer: Acho que temos evoluído passo a passo sem nunca nos desviar do nosso som! Não queremos reinventar o Death Metal mas sim fazer coisas novas e fixes sem ter barreiras! Acho que não perdemos seguidores durante o percurso, até porque estamos a fazer o mesmo som desde o inicio! Claroq ue agora estamos mais relaxados, mas tabém mais confiantes e profissionais na altura de “atacar” um novo álbum!
HellHeaven: Ter 5 discos em 7 anos é algo que, para muitas bandas, pode ser um desafio. O que isto quer dizer sobre os Temple of Dread? Será justo dizer que são workaholics?
Markus Bünnemeyer: Não! Definitivamente não somos workaholics! (risos) Contudo a nossa abordagem é diferente de muitas outras bandas! Tenho muito tempo durante os meses de Inverno que uso para escrever novos temas! Tenho muitas ideias e, por orma, não levo mais do que 6/8 semanas até ter a base do tema escrito e gravado! Depois o Jörg (baterista e produtor) entra em ação gravanda a bateria no seu estúdio e cria a primeira mix! Depois o Jens grava a voz! Tudo isto não leva mais do que 3 ou 4 meses a estar tudo feito! Prefiro pensar no que leva outras bandas a precisar de 5 anos para fazer isto! (risos)

HellHeaven: Os discos anteriores foram muito bem recebidos, esse facto veio trazer alguma pressão ou responsabilidade para o “disco seguinte”? Qual o desafio que colocam a vocês mesmos?
Markus Bünnemeyer: A critica positiva que recebemos pelo “Hades Unleashed” e “Beyhond Acheron” são, quase, imbatíveis! (risos) Claro que queremos continuar a crescer com esse sucesso, no entanto, o objetivo é fazer um álbum que gostemos e que pudéssemos comprar! Trabalhamos muito nos temas, qualquer coisa supérflua é deitada fora!
HellHeaven: “God of the Godless” mantém a identidade da banda mas, ao mesmo tempo, parece trazer mais intensidade, ferocidade e power, trazendo novos elementos para o som da banda. Dirias que é uma nova fase para os Temple of Dread ou é apenas evolução?
Markus Bünnemeyer: Tentamos não copiar nenhuma banda mas, claro que somos inspirados pelas nossas bandas favoritas! Antes de criar este disco estava a ouvir Slayer antigo e isso reflete-se na escrita! Não sei se chamaria uma nova fase mas sim uma homenagem às bandas de Thrash dos anos 80!
HellHeaven: A vossa música não se trata apenas de blasting e riffing e para tal, muito ajuda o Frank “Doc” Albers. Qual a importância dele para a banda? Será justo olhar para ele como o quarto elemento dos Temple of Dread?
Markus Bünnemeyer: Sim, podemos dizer que sim! O Frank não é apenas o nosso letrista mas, também, o meu mais duradouro amigo! Foi com ele que tive a ideia de forma a banda! Contudo, dado que ele não toca nenhum instrumento, ficou bastante satisfeito por ficar com a responsabilidade das letras do primeiro álbum! O Frank é muito importante para a banda e também cresceu muito no seu estilo de escrever!
HellHeaven: A banda é guiada por um fascínio pela mitologia grega. De onde vem esse fascínio e qual a mensagem, se ela existe, que este disco contempla?
Markus Bünnemeyer: Sou fascinado por estes temas desde criança! Primeiro foram os filmes “Odysseus”, depois vieram os livros sobre a antiguidade. Em 1981 o filme “Clash of the Titans” foi lançado e, pela primeira vez, existiu a combinação de mitos gregos e elementos de filmes de terror de forma muito ficcional. Acho que este filme teve uma grande influência em mim! O “God of the Godless” trata-se de Charon, que usurpou as leis de Hades, é o personagem principal… novamente!
HellHeaven: Sendo uma banda da Frísia, que tem uma história fantástica e desconhecida, ainda que da maior importância, alguma vez tiveram a tentação em escrever sobre a vossa terra? É algo que podemos esperar no futuro?
Markus Bünnemeyer: Preferimos não fazer! A história e os mitos da Frísia iriam mais na direção das lendas e Deuses nórdicos! Esse tópico tornou-se banal e já foi usado por inúmeras bandas de Viking Metal!
HellHeaven: O que podemos esperar dos Temple of Dread no futuro e qual a mensagem que deixam para Portugal…
Markus Bünnemeyer: Vamos continuar fieis a nós mesmos e continuar a levantar a bandeira do Old-School-Death- Metal! Estamos satisfeitos por conseguir chegar a mais pessoas fora do nosso país! Queremos saudar os nossos fans de Portugal...