TOXIKULL - "Tentamos dizer o que sentimos em relação a certos temas, não só liricamente mas musicalmente também" (Entrevista)

“Under the Southern Light” é o novo e explosivo novo álbum dos Toxikull e, ao terceiro capítulo, os lisboetas revelam todo o crescimento e maturidade e, acima de tudo, a perseverança que sempre demonstraram. A HellHeaven esteve à conversa com Lex Thunder para conhecer o que se esconde nesta lua imensa. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo "Under The Southern Light", qual a
opinião sobre o resultado final e quais as expectativas em relação ao álbum?
Lex: Obrigado antes demais pelas palavras e pela entrevista. Estamos muitos satisfeitos com o resultado final, creio que conseguimos transmitir exatamente o que queríamos para este disco, uma versão mais sincera e crua de nós mas com muita melodia à mistura. As expectativas são grandes, mas reais. Sabemos o que este álbum pode trazer de bom a nível nacional e internacional, mas temos noção que é apenas uma parte do que estará para vir no futuro e temos os pés bem assentes na terra que ainda temos de lançar muita musica de qualidade para chegar onde queremos.

HellHeaven: Este álbum marca também a estreia da vossa relação com a Dying Victims, como é que eles chegaram até vocês? Ou terá sido o contrário? Já têm alguma opinião sobre a vossa nova casa?
Lex: A Dying Victims já tinha lançado o vinil do Cursed and Punished, já tínhamos trabalhado com essa editora e já havia uma relação entre nós, portanto não é uma estreia. A verdade é que sempre gostamos da maneira como a editora promove os seus lançamentos, uma maneira muito atual de promover musica que é algo que notamos que certas editoras underground não conseguem fazer quer seja por falta de conhecimentos técnicos ou por falta de interesse. Visto que havia uma abertura da editora por nos editar o novo disco, decidimos que o melhor passo para a banda seria ir para a Dying Victims Productions, e estamos muito felizes com a nova casa.

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HellHeaven: Existe sempre aquela mística em torno do terceiro álbum, sendo este o vosso terceiro capítulo sentiram essa pressão ou algum tipo de responsabilidade?
Lex: Não, não consigo ver as coisas dessa maneira. A responsabilidade e a vontade de crescer como artista vem de trabalho para trabalho e não pelo numero do álbum. Obviamente que sei do que falas e que existe de facto essa mística, pois grandes bandas lançaram o seu grande álbum e coincidiu com o facto de ser o terceiro, mas creio que é mais por pureza de espírito e naturalidade do que por objectivo e pressão dos números. A verdade é que qualquer banda ao ir para o estúdio a terceira vez, é porque já tem alguma experiência e sabe o que está lá a fazer, há mais espaço para explorar o que cada um consegue dar, creio que é fruto disso. Espero que o nosso terceiro álbum continue a fazer jus a essa mística sem duvida.

HellHeaven: Os primeiros temas desvendados foram muito bem recebidos pelo público, estavam à espera dessas reações?
Lex: Estávamos um pouco curiosos para saber a reacção das pessoas aos singles honestamente, sobretudo com a musica Under the Southern Light.
Quanto ao primeiro single Night Shadows não tínhamos duvidas, pois é uma sonoridade que já tínhamos experimentado em trabalhos anteriores e resultou, um speed/heavy Metal agressivo e melódico a partir a loiça.
O segundo single Around the World ficamos um pouco expectantes mas confiantes porque embora difira muito do primeiro, ao mesmo tempo vai muito de encontro à sonoridade dos temas mais bem recebidos da Warriors Collection.
O terceiro single Under the Southern Light estávamos mais reticentes pois é um tema muito mais sentimental, em que a minha própria colocação de voz é feita de maneira mais suave e emotiva, uma espécie de power balad, que nunca tínhamos feito e não podíamos antever como o publico a iria receber, mas no final parece que até se tornou das malhas preferidas da malta.

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HellHeaven: Com os álbuns anteriores tiveram a oportunidade de ir além fronteiras, é algo que continuam a ambicionar? Quais foram as maiores diferenças que encontraram e qual a história mais recambulesca que tiveram?
Lex: Sim, temos já uma tour europeia anunciada começando no dia 29 de Março e é algo que queremos fazer mais, inclusive ir a outros continentes e fronteiras.
A principal diferença é que talvez o publico de outros países goste mais de Metal Tradicional do que aqui em Portugal e consequentemente acabe por nos valorizar mais, mas quanto ao resto, creio que é tudo igual, existem boas e más coisas em todos os sítios.
Quanto à historia rocambolesca, bem…uma tour é sempre feita de várias histórias pois cada dia é uma aventura diferente, desde de uma data na Bélgica em que por o promotor ter andado à pancada com o dono do bar ninguém saber que vamos tocar lá naquela noite e termos tocado para 3 pessoas, a concertos cheios na Eslovénia com after parties loucos, há muitas historias sempre para contar, talvez um dia escreva um livro sobre elas. (risos)

HellHeaven: Voltando ao álbum, o título sugere uma relação indirecta com Portugal mas, ao mesmo tempo existe aqui uma toada resiliente e, talvez, até um pouco sonhadora sobre a vida. Qual o conceito do álbum e qual a mensagem que querem passar?
Lex: Duvidas, crises existenciais mas também esperança e luta, são um pouco as definições das emoções presentes neste álbum. O titulo remete para Portugal pois somos daqui, mas creio que todo o fã que vive nas zonas do Sul da Europa se pode identificar com o conceito, terras com muita luz e sol, mas nas sombras da pobreza e do esquecimento.

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HellHeaven: Em termos sonoros, ainda que mantenham a vossa base no Heavy Metal dos anos 80, estes novos temas parecem abraçar a sonoridade do género dos anos 90 sendo, talvez por isso, um álbum mais direto. Concordam com esta afirmação ou consideram que o que se ouve no álbum foi o caminho que a musica vos levou a seguir e é, apenas, uma maturação do som?

Lex: Maturação do som apenas. Quando compomos não costumamos pensar muito numa onda estética, mas sim no que a própria musica pede. Neste álbum tentamos ser mais honestos de um ponto de vista artístico e “comunicar” mais, não falar tanto sobre coisas banais como por exemplo Satanás e fantasia, guerreiros, etc… Tentamos dizer o que sentimos em relação a certos temas, não só liricamente mas musicalmente também. Se acabou por abraçar a sonoridade dos 90 foi algo que aconteceu naturalmente, não foi pensando como tal.

HellHeaven: Já existem algumas datas confirmadas, sendo que as que mais expetativas criam são as datas de apresentação em Lisboa e Porto, o que se pode esperar desses concertos? Alguma coisa que possam desvendar?
Lex: Podem esperar grandes concertos, com grandes bandas convidadas. Em Lisboa iremos ter os Alpha Warhead e os Fili Nigrantium Infernallium a fazer a primeira parte, e no Porto os Lyzzard, os Warout e os Ladon Heads, e convidados muito especiais para cada um dos concertos. Serão os concerto mais ambiciosos de sempre para nós.

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HellHeaven: Ainda que sejam uma banda "recente", todos vós já têm uma longa vida no Metal nacional. Como é que olham para o Estado da Nação Metal em Portugal e quais são as maiores dificuldades? Qual o conselho que deixam para quem estiver numa banda ou pense em seguir este caminho?
Lex: O estado do Metal aqui está bom e recomenda-se, cada vez mais forte, com mais festivais e pessoas cada vez mais novas a aparecer na cena. Existem óbvias dificuldades pois Portugal não é um País em que os governos puxem e incentivem a cultura, então existe sempre um trabalho extra a ser feito pelos próprios agentes artísticos, mas quem corre por gosto não cansa. Outra grande dificuldade é a posição geográfica que torna difícil as bandas de aqui conseguirem vingar num circuito internacional, mas é tomar uma posição estoica, aceitar onde o destino nos colocou e tentar acreditar que por alguma razão foi. Sentido de missão. Pôr mãos à obra e lutar mais um pouco.
O conselho que dou a quem esteja numa banda é que leve a musica a sério, que a pense, que se comprometa seriamente com o seu instrumento e que arrisque. Se isto for feito, tudo o resto acontecerá naturalmente.

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam para o público?
Lex: Um obrigado por acompanharem a banda e por apoiarem as zines e os meios de divulgação do Metal em Portugal.

 

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TOXIKULL
“Under the Southern Light” (Review)
Dying Victims

A espera terminou e “Under the Southern Light” vê, finalmente, a luz do dia! Podemos, então dar as boas vindas ao terceiro álbum dos lisboetas Toxikull e àquele que será, certamente, um dos melhores (pelo menos dos mais aguardados) álbuns nacionais de 2024!
Estes rapazes cresceram e estão no topo de forma com um conjunto de temas que prometem fazer tremer todos os alicerces corporais, sejam eles auditivos ou musculares!
O quarteto amadureceu a sonoridade sem que isso os faça perder a identidade, prova disso mesmo são os singles “Night Shadows”, “Around the World” ou, uma mais sentimental, “Under The Southern Light”, temas já conhecidos e que antecipavam tudo o que revela nos restantes 7 temas deste terceiro álbum! O melhor de tudo isto é que, ainda que a sonoridade nos remeta para os anos 90, os Toxikull preferem mostrar que são humanos e que as duvidas existenciais (e não só!) também os assombram, ouçam “Ghost of a Dream” ou “Going Back Home”. Nada aqui surge por acaso e percebe-se que os Toxikull são, actualmente, uma das melhores bandas nacionais (e não só!) da actualidade e que tudo aqui é feito com o propósito de levar o quarteto a um outro patamar que será (sempre) fruto da maturidade feita de estrada, de perseverança. “Under the Southern Light” é um disco que nos deve orgulhar a todos e a prova de que nós, criaturas do Sul e da Luz, somos os melhores quando assim o queremos e desejamos e, claro, nos deveremos orgulhar disso mesmo! “Under the Southern Light” é um disco obrigatório!

Texto: Nuno C. Lopes

 

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