TRINTA & UM - “a música tal como as artes no geral, continuam a ter o seu papel!” (Entrevista)

Resistência é um dos adjetivos que melhor assentam aos Trinta & Um, prova disso mesmo é o mais recente “Granada no Charco”. A HellHeaven esteve à conversa com a banda, uma das fundadoras do movimento LVHC e que, em 2025, se prepara para celebrar as três décadas de existência. Entrevista: Nuno C. Lopes

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HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns pelo “Granada no Charco”. Qual a vossa opinião sobre o resultado final e quais as expectativas em relação ao mesmo?
Trinta & Um: Obrigado! Para ser sincero, estamos mesmo muito contentes. Este foi um disco feito com tempo e com a energia certa, e por isso o resultado só poderia ser bom! Na verdade, é exatamente o disco que idealizámos. A nossa história tinha ficado inacabada, e este é um disco de reconciliação. Os Trinta & Um mereciam este disco!

HellHeaven: Vocês foram peça fundamental no movimento LVHC. Existe essa noção da vossa importância no movimento? Como olham atualmente para a cena Punk-Hardcore, não apenas em Linda-a-Velha, mas também a nível geral?
Trinta & Um: A nossa ideia desde o início sempre foi simplesmente sermos nós próprios e darmos o nosso melhor na música que fazemos. Somos uma banda que, apesar de altos e baixos, resistiu de 95 até aos dias de hoje, e por esse motivo é normal termos o nosso lugar bem marcado. A cena punk-harcore mudou com o tempo, mas julgo que continua a fazer sentido gritar livremente aquilo que se pensa. Enquanto movimento, o punk hardcore continua a ser para uma minoria, e se calhar ainda bem.

HellHeaven: Ao longo dos anos, a banda sofreu algumas alterações na sua formação. De que forma isso impactou no percurso, e como olham para estas quase três décadas de Trinta & Um?
Trinta & Um: São muitos anos, a viagem foi longa, mas apesar das saídas e entradas, a verdade é que hoje somos praticamente os mesmos de 95. Temos 4 discos, e se vires a formação que os gravou, irás perceber que o núcleo é o mesmo. Claro que houve gente que passou na banda e deixou a sua marca, mas tal como diz uma música do novo álbum: "Os TRINTA & UM somos nós"!

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HellHeaven: Este novo álbum parece ser um manifesto da banda não só sobre si própria, mas também uma “carta de amor” ao Punk e ao estilo de vida do género. De certa forma, sentem que o género necessita de uma revitalização ou, por outro lado, sentiram, digamos, a “saudade” da união de outros tempos?
Trinta & Um: Este foi um disco feito após alguns anos em que estivemos de costas voltadas, e é um disco que marca esse reencontro. É um disco em que celebramos o caminho feito até aqui! Mas também é um disco que traz uma energia de querer fazer mais e melhor.

HellHeaven: O álbum termina com o “Polícia na Rua”, e vivemos num tempo em que cada vez se sente que existe uma falta de autoridade, ainda para mais quando se percebe que nem os próprios polícias estão satisfeitos com a sua condição. Qual o propósito do tema?
Trinta & Um: Esse tema não fala de Portugal e muito menos da nossa polícia. Esse tema fala dos regimes autoritários e da forma como normalmente acabam os ditadores. Numa altura em que extremismos de direita e esquerda ameaçam a nossa liberdade por esse mundo fora , esse tema é apenas um lembrete para essa gente.

HellHeaven: Num tempo digital em que, cada vez mais, as pessoas sentem dificuldade em comunicar de forma civilizada, qual a importância da música? Também nesse sentido, qual o desafio de uma banda analógica numa banda digital? Até porque foram assistindo a muitas mudanças na forma como as pessoas ouvem e adquirem a música.
Trinta & Um: Assistimos a muitas mudanças sim, mas não só na forma como a música chega às pessoas. Somos uma banda de 1995 criada num mundo totalmente diferente, e por isso ao longo de todo este tempo vimos muita coisa mudar. Mas a música tal como as artes no geral, continuam a ter o seu papel! Sinceramente não fazemos grandes análises às mudanças dos formatos de distribuição da música nem ao mercado. Continuamos apenas a fazer o que gostamos para quem quiser ouvir!

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HellHeaven: Em 2025, os Trinta & Um celebram três décadas de carreira. Qual o balanço que fazem e, apesar de faltar algum tempo, já começaram a pensar, ou pensam, fazer alguma coisa especial para celebrar o acontecimento?
Trinta & Um: Para já queremos é tocar ao vivo em 2024, esse é o nosso foco! O futuro logo se verá e de momento ainda não temos nada pensado para 2025... A vida é agora!

HellHeaven: Qual a mensagem que deixam?
Trinta & Um: Apenas deixar um obrigado pela entrevista e um abraço de agradecimento a todos os que nos têm apoiado nesta loucura de ter uma banda de Hardcore em Portugal desde 95! Obrigado a todos e siga a marinha! O mundo mudou muito de 95 até hoje, mas vai mudar muito mais daqui para a frente. Segurem-se!

 

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