Os portuenses WEB são uma das mais antigas bandas, no ativo, neste Portugal à beira mar plantado. Fundados em 1986 a banda continua fiel a si própria e ao Thrash que abraçou. “Burden of Destiny” é o mais recente álbum da banda e foi motivo de conversa com Fernando Matias, vocalista dos WEB. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por vos dar os parabéns por “Burden of Destiny”. Qual a vossa opinião em relação ao resultado e quais as expectativas em torno do mesmo?
Fernando Martins: Obrigado pelos parabéns. Quando se termina a gravação e o mix e master de um álbum temos sempre a sensação de que poderíamos ter feito algo diferente em alguns pontos de algumas músicas, mas isto acontece sempre, seja qual for o álbum. No caso de Burden Of Destiny, tivemos mais de tempo para trabalhar partes que nos álbuns anteriores não foram tão exploradas e isso deixou-nos mais agradados com o resultado final. As nossas expectativas são altas e o feedback que temos tido de quem já teve a oportunidade de escutar o álbum não desfralda as mesmas. Estamos bastante contentes com o resultado final.
HellHeaven: Já tiveram a oportunidade de apresentar os novos temas ao vivo, como é que o público reagiu aos novos temas e o que mais têm preparado no que toca a concertos?
Fernando Martins: A reação tem sido muito boa. Estes temas novos são mais “orelhudos”, mais “catchy”. Em relação aos concertos é o que temos sempre feito. Bastante energia em palco, boa interação com o público e muita entrega.
HellHeaven: Vocês são uma das bandas com maior longevidade no panorama nacional, como olham para o vosso trajecto e existe algo que, eventualmente, tivessem feito de outra forma?
Fernando Martins: Estamos a chegar às 4 décadas de existência. O nosso trajeto tem tido uma tendência crescente, procurando inovar mantendo o que nos caracteriza. Penso que temos conseguido isso mesmo. Cada álbum é diferente tendo presente a essência do que a banda representa. Talvez termos explorado o mercado europeu quer em termos de concertos quer de edições.

HellHeaven: Desde os anos 80 até hoje tudo mudo no panorama musical e no Metal nacional. Quais são as maiores transformações e qual a memória que guardam dos primeiros anos?
Fernando Martins: As maiores transformações são sem dúvida a quantidade de concertos e locais/festivais que tens disponível para apresentares o teu trabalho. Nota-se também um crescendo da quantidade e qualidade das bandas. Cada vez mais e melhores. Talvez consequência dessa mesma quantidade de sítios por onde tocar e aperfeiçoar as suas prestações ao vivo. As memórias dos primeiros anos são isso mesmo, memórias. E são tantas as que guardamos. Apesar dos 38 anos pensamos muito mais no futuro que no passado.
HellHeaven: Temos visto a cena Metal nacional a crescer no que a bandas diz respeito, contudo cada vez existem menos locais para as bandas tocarem. O que é que isto nos diz sobre a forma como tratamos os artistas de um nicho como o Metal?
Fernando Martins: Não concordo com esta observação. Não sei se é por sermos uma banda que passou uma época onde tinhas uma ou duas casas onde podias tocar no Porto. Podem algumas ter fechado, como o Metalpoint, sala emblemática do Porto, mas outras abriram. Há bastante oferta no que diz respeito a salas para tocar. Sem falar dos inúmeros festivais que há pelo país fora.
HellHeaven: “Burden of Destiny” é um disco actual que propaga a revolução e, de certa forma, algum mau estar em relação ao estado actual do Mundo. Onde se basearam para estes temas e qual a mensagem que tentam passar com este álbum?
Fernando Martins: Os Web sempre tiveram a humanidade e os seus comportamentos como fonte de inspiração. Algo que pode não ser tão objetivo nos álbuns anteriores, com a exceção do World Wild Web, mas esteve sempre presente. Neste pensamos em fazer algo mais direto, mais “in your face”. Isso nota-se nas letras e na composição musical.

HellHeaven: Com isso em mente, o Mundo parece, cada vez mais, um local perigoso e onde toda e qualquer liberdade pode estar em causa. Pode isto ser falhanço enquanto sociedade livre ou a salvação para quem não vê mais além do “eu”?
Fernando Martins: Tudo tem os seus problemas. Até a liberdade. Mas penso que o que se tem passado atualmente não é um caso de liberdade a mais, é sim um caso de falta de objetivos pessoais que leva a que certas pessoas só consigam olhar para o seu umbigo. Uma das mais evidentes é o movimento que tem como objetivo a inclusão de tudo e todos, fazer com que excluam os que não concordam principalmente com as suas “ações” de inclusão. Forçar ou obrigar alguém a concordar ou partilhar o teu ponto de vista não é incluir. Para mim é mais uma forma de extremismo.
HellHeaven: Qual será a solução para terminar com todo este extremismo e ruído ensurdecedor que tolda o Mundo?
Fernando Martins: Aposto que seria o próximo nobel da paz se tivesse essa resposta (risos). Penso que a história mostra-nos que há sempre períodos mais conturbados que outros, mas nunca houve paz absoluta. Acho que isso é uma utopia. O ser humano não consegue estar em paz. Há sempre algo que o apoquenta, o que faz que tente sempre buscar o que lhe faz falta muitas das vezes magoando e maltratando o outro. Acho que é uma “guerra” sem fim.
HellHeaven: São já, quase, 4 décadas de carreira! Qual o desafio que se colocam a vocês mesmo e qual será o próximo passo para os WEB? Alguma coisa que gostassem de fazer em termos musicais?
Fernando Martins: O desafio como banda é estar sempre com o foco no futuro. Tentar inovar fazendo o que gostamos, como gostamos e com quem gostamos. Acho que esse é um dos pilares que nos leva a ter quase 4 décadas. O próximo passo é esse mesmo, “o próximo passo”. Sempre tentamos não dar um passo maior que a perna. Temos planos mas tentamos que não interfiram com as nossas vidas pessoais, que são o pilar dos Web. Musicalmente, talvez tocar num grande festival fora de Portugal.
HellHeaven: Qual a mensagem que deixam a todos aqueles que tencionam começar uma banda ou a levar a música mais “a sério” com perspetivas de carreira?
Fernando Martins: Não sei se somos o melhor exemplo no caso de perspetiva de carreira. Não fazemos dinheiro com isto. Levamos a sério a música como algo que nos é intrínseco e por isso esta longevidade.
HellHeaven: E para os nossos leitores a mensagem é…
Fernando Martins: Continuem a apoiar o metal nacional e o nosso obrigado a todos os que nos tem dado força e vontade de continuar.
A convite HellHeaven, Fernando Martins debruçou-se sobre "Burden of Destiny" e apresenta o álbum na primeira pessoa e em Discurso Direto.

“Burden Of Destiny” é um álbum musicalmente bastante mais agressivo que os anteriores. Focados em mostrar um pouco mais da vertente Thrash da banda, os Web conseguem levar a sua musicalidade para um outro patamar. Sem esquecer a sua estrutura Doom e Progressiva, Burden Of Destiny é um álbum completo que não elimina a estética da banda, algo que tanto os caracteriza.
Levados pela injustiça e violência gratuita do mundo em que vivemos, sempre com o intuito de fazer algo que o alertasse e condenasse, levou a que liricamente esse tema fosse o principal foco deste álbum. As fotos de um dos “palcos” onde essa opressão, sofrimento e odio desmesurado e sem qualquer fundamento, foi infligida sem qualquer pudor ou arrependimento, deu origem à capa, a todo o seu artwork e ao tema que dá nome ao álbum.