(Entrevista) CARDINALS FOLLY - "Os posers estão em todo o lado, na música, na política, na cultura"

Count Karnstein, vocalista dos Cardinals Folly, fala à HellHeaven sobre “Let the Posers Fall”, as influências e a atitude da banda. Entrevista: Nuno C. Lopes

HellHeaven: Começo por dar os parabéns por “Let the Posers Fall”! Que pensamentos e expectativas tens em torno deste novo disco?
Count Karnstein: Saudações e obrigado pelas palavras! Acho que este disco é o nosso mais forte até ao momento e, definitivamente, um passo em frente! Esperamos visitar e tocar ao vivo em muitos países agora que o álbum saiu! Já temos muitos planos mas as coisas estão sempre em movimento e sempre fomos uma banda que olha em frente! 

HellHeaven: Este disco marca a estreia do “Cosmic Doom”, o novo guitarrista. O que trouxe ele para a banda?
Count Karnstein: Ele já tinha tocado em bandas locais de Psych/Stoner como os Spiralism ou Pohjonen e também já tinha tocado bateria nos At Dawn They Sleep nos anos 90! Ele é um músico que vive isso como um estilo de vida e, como podes imaginar, dorme com a guitarra ao seu lado! A música é a sua vida e é um enorme executante! O som de guitarra tem muito mais variedade e tem uma orientação mais Heavy Metal o que encaixa perfeitamente nos nossos temas! 

HellHeaven: Este é o disco de estreia com a Cruz del Sur Music, como se sentem na vossa nova “família” e como é que a editora chegou até vocês?
Count Karnstein: Não é uma família assim tão nova! (risos) Já temos uma história juntos visto que já tínhamos trabalhado com eles em 2019 quando lançámos o EP com os Lucifer’s Fall! Tínhamos uma pequena lista de editoras às quais enviámos o disco e a Cruz del Sur foi a primeira a agarrá-lo! (risos) Tem sido uma colaboração muito suave, até porque existia uma ideia muito semelhante de como o disco teria de ser visualmente, estou a falar dos vídeos, da capa e por aí fora…

HellHeaven: Ainda que o som da banda se mantenha intacto, “Let the Posers Fall”, é mais directo e tem aquele feeling mais Heavy Metal que falavas. Concordas com esta definição e qual foi o desafio que se colocaram?
Count Karnstein: Sim, concordo mas este tem sido, mais ou menos, o nosso caminho desde o “Deranged Pagan Sons”, em 2017! Nesse sentido não existe nada de novo, talvez o que tenha acontecido foi que nessa altura estava em efervescência e agora esteja mesmo a ferver! (risos) O nosso objectivo passa sempre por fazer melhor e melhor música enquanto nos desafiamos, quero fazer o tipo de música que, pessoalmente, ouviria em casa num vinil enquanto bebia uma cerveja e abano a cabeça! Esse é o caminho! Ao mesmo tempo, acho que te deves manter fiel a ti próprio! Actualmente vês todo o tipo de bandas a tentar dizer merda e a fazer números de circo para fazer as vontades ao mercado da música que, para mim, fazem zero sentido e não vale a pena! É certo que fizemos alguns vídeos desta vez, mas sempre quis estar focado no que apresentávamos e acho que acertámos em cheio com dois vídeos diferentes mas que são 110% Cardinals Folly! 

HellHeaven: Algo que me chamou a atenção no disco foi a produção, que está uma mistura perfeita entre o oldschool e as ferramentas modernas, existindo espaço para se escutar todos os instrumentos! Esta é forma correcta para o vosso som e, com isso em mente, como olhas para as novas ferramentas de produção disponíveis e para a forma como são utilizadas por bandas?
Count Karnstein: Não há muita coisa positivo no cena musical actual ou na industria! Receio que toda a cena esteja a morrer! Ao mesmo tempo há mais bandas que nunca, é estranho! Mas, quanto ao som, é exatamente assim que os Cardinals Folly devem soar, ainda que que haja sempre espaço para melhorar! Definitivamente este é o nosso melhor som e o nosso melhor disco até ao momento! 

HellHeaven: A voz também encaixa muito bem nas temáticas que desenvolvem, fazendo com que tudo soe fresco, contudo também me lembra bandas como Sisters of Mercy e aquele movimento gótico do final dos anos 80 e inicio de 90. Isso surge de forma consciente e onde encontras a tua influência?
Count Karnstein: Para ser honesto, acho que a minha voz é mesmo assim! Mas adoro a cena gótica e o “First and Last and Always”, dos Sisters of Mercy, é na minha opinião um dos melhores discos de sempre! Diria que a voz é, em partes iguais, feita de forma consciente e eu a tentar ser lento e obscuro para encaixar nas ideias! Novamente, gosto muito deste tipo de voz no Rock e no Metal, como podes ver no “Cultist Highway”, por exemplo! Nesse departamento gosto de coisas obscuras e cruas como Ancient Rites, Urfaus, Necromantia, Beherit ou Burzum dos primeiros tempos… talvez consigas ouvir algo assim no disco! 

HellHeaven: “Let the Posers Fall” encontra no macabro e na literatura de horror a sua maior influência, com vários intervenientes mencionados, no entanto, se ouvirmos com atenção e lermos o vosso “manifesto” quase parece que usam estes temas de forma metafórica. Com isso me mente, quem são os posers e qual a mensagem deste disco?
Count Karnstein: Estás certo quando dizes que existem algumas histórias pessoais debaixo da superfície e do folclore da literatura de horror, e filmes também! Em algumas canções é mais fácil de perceber e noutras quis manter a coisa simples! Por exemplo, na “Hitch-Hike” é uma exploração de um filme sobre uma aventura na estrada mas, debaixo disso, fala sobre uma relação tóxica! Os posers estão em todo o lado, na música, na política, na cultura, no quotidiano! As pessoas pretendem ser algo que não são, seguem o que seja que possa ser moda e aceitam coisas porque lhes foi dito que o mundo funciona assim! Esse, para mim, é o foco deste disco! Vivemos num mundo que, cada vez, é mais artificial, cínico e sem alma e onde tudo tem que ser empacotado, mercantilizado e aprovado antes das pessoas o poderem aceitar! Não queremos aceitar isso como a única realidade possível! Claro que também há algum humor e provocação no título, não estamos aqui a clamar para sermos os juízes de quem é poser ou não, estamos apenas a recordar as pessoas, e a nós também, que não temos que seguir a multidão e que podemos continuar a ter as nossas ideias, o nosso gosto e os nossos padrões! 

HellHeaven: Numa altura em que a tecnologia e a IA entraram em força nas nossas vidas como é que olhas para os novos desafios para os músicos e artistas e, ao mesmo tempo, como é que estas novas ferramentas podem ajudar uma banda como os Cardinals Folly?
Count Karnstein: Está tudo a ficar doido e impossível, para dizer a verdade! Estive mais perto de pensar em desistir do que nunca! É difícil para mim pensar no Mundo, por exemplo, em 2025 e ver algo de positivo! Não acho que a tecnologia e a IA possam ajudar, as coisas vão ficar mais complicadas para toda a gente...mas não é tempo de desistir, não agora depois de um disco como este! Não nos rendemos! 

HellHeaven: Com o “Let the Posers Fall” já nas lojas o que se segue? Seria fantástico ver-vos em Portugal, será algo que pode acontecer no futuro e qual a mensagem que deixam para os vossos fans portugueses?
Count Karnstein: Acabámos de regressar de uma digressão pela Polónia, Lituânia e Letónia, foi onde iniciámos os concertos após o lançamento do disco! A digressão vai continuar com dois concertos na Finlândia e em Dezembro vamos até França, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e regressamos à Polónia! Queremos visitar o máximo de países possível em 2027 e Portugal deve ser um deles mas não depende só de nós e podem “obrigar” os vossos promotores a isso! Nós vamos, até porque estamos sempre prontos para destruir! Cumprimentos a todos os nossos fans e esperamos ver-vos em breve! Heavy Metal Hails, N.W.O.F.D.M 'til the grave!!!! Keep it real! 

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